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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Casper


 -  911 emergência, você precisa de ajuda?
 -  Sim! sim. Tem alguém na minha casa.
 - Ok senhor fique calmo - respondeu a operadora - Eu já notifiquei a policia, eles estarão aí em alguns minutos. Eu preciso que confirme seu endereço.
  - Oh Deus Oh Deus... - o homem respirava fundo, tentando manter a sanidade.
  - Senhor? por favor, o senhor está falando da Rua Elm numero 1413, apartamento 2?
  - Sim! - respondeu ele impaciente, levantando o tom de voz. - Rua Elm apartamento 2! manda logo alguém pra cá!
   - A policia já foi notificada e estarão aí em alguns minutos, mas agora eu preciso que o senhor fique calmo, está bem? o Senhor viu se é um homem ou uma mulher?
    - Eu não sei! eu só vi de costas. Só deu pra ver que era alguém sem cabelo. Quando se virou na minha direção eu corri pro quarto.
    - Sem cabelo?
    - Sem cabelo! nada na cabeça, nenhum cabelo, só pele. - estava notavelmente alterado.
    Barulho de vidro quebrando ao longe, acompanhado de uma breve interferência na ligação, que cortou a descrição que o homem fazia.
     - O que foi isso?
     O homem continuou como se não tivesse percebido nada:
     - ... tudo. Começou a tremer tudo a minha volta.
     - O que começou a tremer e que barulho foi esse, senhor.
     - Você não tá me ouvindo?  Tudo começou a tremer! não sei explicar!
     - Você consegue chegar à alguma saída?
     - Não, eu to no armário. Ah meu Deus...
     - Tá certo. Eu preciso que fique calmo. Você algo que possa usar para se defender?
     - Hun... tem uns cabides aqui...
     - Ok, pegue um dos cabides...
     - Eles são de plástico!
     - Ok, tem algo mais...
     Barulho de coisas quebrando, dessa vez bem mais perto.
     - Vai embora! - gritou ele.
     - O que está acontecendo?
     - Vai embora! - gritou de novo, dessa vez coma  voz quase sumindo.
     - Senhor?
     Barulho alto, depois silencio.
     - Senhor? 
     - Ele ta na porta. - respondeu, bem baixinho. - ele ta no quarto.
     Sons estranhos de metal batendo ecoam pelo telefone. A operadora tenta não demonstrar medo, e continua com voz firme.
    - A policia está a alguns minutos daí, eu só preciso que o senhor aguente um pouco mais.
    - Por favor... por favor eu to com tanto medo, eu...
    Rangido de porta abrindo.

    " Oi! eu sou Casper!"
    - AH MEU DEUS! - gritou ele. Foi o grito mais assustador que ela já ouviu desde que começou com esse trabalho.
     Sons de metal batendo, coisas quebrando: obviamente uma luta. A voz do homem ainda podia ser ouvida, mas ao longe, gemendo e gritando.
    - VAI EMBORA!
    - Senhor?
    A voz dele foi ficando mais distante, como se tivesse sendo levado pra longe, apesar de ainda estar gritando, a voz dele foi sumindo. Risadas de crianças ecoaram do outro lado da linha. A operadora deu um pulo de susto com o coração na mão. Os gritos pararam. Silencio.
  - Alô? quem está ai? - perguntou ela.
  Ouviu mais uma vez uma risadinha abafada ao longe. 
  - Quem está ai!? - quase gritando.
  - Olá! - uma voz fina e feliz respondeu do outro lado. Uma voz que lhe causou frio na coluna e que vai tirar o sono dela por muitos dias.
  - A policia está chegando, não tem pra onde correr. 
  - Eu sou Casper!
  A linha fica muda antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.

***

    Alguns minutos depois, a policia chegou ao local. A porta do apartamento estava aberta, mas nenhum vizinho acordado. A casa estava revirada, mas ao que parecia o intruso não buscava por algo, mas sim, destruir coisas.
    No quarto, encontraram a porta derrubada e mais uma vez, tudo revirado. Houve luta ali. A porta do armário estava aberta e um rastro se sangue seguia direto para o espelho de parede, terminando nele. O lençol da cama tinha sido arrancado como se alguém tivesse se agarrado a ele. O lençol estava esticado no chão, a alguns centímetros do espelho.
    Ele aponta sua lanterna para o espelho. Uma marca de mão pôde ser vista nele. Uma marca de mão do tamanho da mão de um adulto. Analisou a marca com cuidado... quase não reparou no sorriso largo e cheio de dentes que apareceu no reflexo do espelho.
   "Oi!"



   

terça-feira, 2 de julho de 2013

Perfume.


Por: Franz Lima.

Nunca vou me cansar. Acredite! Cada dia sempre será uma renovação do meu amor por você. Vê meus olhos cansados e fundos? Eles são fruto do que sinto. Não consigo dormir. Já estou há quase cinco dias sem descansar, pois tenho medo de não despertar. Tenho medo de perdê-la.
Alguns podem levar esse amor para o lado ruim, enquanto outros tenderão a me criticar pelo excesso de meus atos. Que fiquem com suas críticas. Que fiquem com suas vidas fúteis e seus amores rasos. Eu nasci para amar... você.
O destino nos uniu e é com você que sou feliz. São apenas algumas semanas juntos, mas como mensurar o tempo quando há tanto em jogo? Para nós, o tempo parou.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A outra Parte de mim (IV)



Tatiana segurou a mão de Thaís para ficar de pé, ainda assustada com aquilo tudo: a prisão, a floresta, sua transformação em monstro, a garota voadora que grita e agora... Thaís...a mulher-águia, que depois de bicar até a morte a gritadora, transforma-se em humana e lhe estende a mão, oferecendo sorriso e segurança.
    • Vamos, temos que ir a um lugar seguro, se ficarmos aqui muito tempo...

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A outra parte de mim III

           

           As crianças se apertam umas às outras, com medo. O Tigre encara a menina lobo com seriedade; logo outros guardas ou coisa pior apareceriam ali, mas ele tinha que fazer algo para proteger as crianças que ainda estavam vivas.

       A loba pula sobre o tigre, tentando rasga-lo com unhas e dentes, mas é habilidosamente imobilizado pelo oponente; o tigre branco segura as mãos da loba, impedindo o ataque. Depois, acerta uma joelhada no estomago dela. Ainda segurando-a pelos pulsos, ele a arremessou de cabeça contra o muro. Estava seguro da força dela, sabia que aqueles golpes não a matariam, mas quem sabe a dor a assustasse?

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O Homem dos Sonhos (II) - Faça suas preces!


Capítulos anteriores:

Nos tempos medievais, as igrejas eram construídas gigantescas, com as imagens de santos e anjos olhando de forma severa para baixo afim de criar a ideia da enormidade de Deus diante da insignificância do homem.
A pequena igreja do pastor Wanderson não era nem de longe tão opulenta quanto as catedrais góticas dos tempos antigos, apenas uma sala pequena com algumas cadeiras de plástico onde as pessoas se sentavam para ouvi-lo falar buscando alívio para seus martírios diários diante do poder divino.
Mas não havia qualquer alívio para Wanderson naquela noite, enquanto ele tentava em vão debater-se contra as amarras que prendiam seus braços abertos de costas para o altar de onde tantas vezes proferira palavras sobre o poder de Deus e sobre o temor que as pessoas o deviam.
Ele orou, com mais força e convicção do que jamais orou para impressionar seus fiéis em suas pregações, talvez pela primeira vez em sua vida verdadeiramente clamando por uma intervenção divina que o liberta-se daquele suplício.
A figura diante dele não tinha nada de divina, entretanto. Wanderson podia ver, mesmo na penumbra que dominava a pequena igreja os chifres que brotavam da cabeça arredondada enquanto sentia as mãos dele prendendo seus pés juntos em uma crucificação macabra, seu toque parecia com o de pequenas criaturas rastejantes subindo pelas suas pernas causando arrepios igualmente de medo e nojo.
Wanderson tentou mais uma vez mover-se. Um único impulso, um chute bem dado no rosto de seu captor poderia ser o suficiente, mas assim como ocorrera quando ele prendera suas mãos, as pernas não o obedeceram.
Fechou os olhos enquanto o cheiro pungente invadiu suas narinas e o som de líquido sendo derramado se espalhou em seus ouvidos. E orou. Orou com toda a força que possuía. Pediu perdão por todos os seus erros, por todo o dinheiro que tomara de seus fiéis, das mulheres cuja fragilidade ele se aproveitou, de todas as mentiras que contou ao longo dos anos.
Um barulho ríspido o fez abrir os olhos quando o fósforo na mão do seu algoz se acendeu iluminando o rosto da criatura. Sim, criatura, porque não era possível que aquilo fosse humano. Mesmo os chifres sendo na verdade orelhas pontudas e salientes, a pele macilenta como de um cadáver e os olhos de um amarelo pustulento não deixavam dúvidas quanto a isso.
Diante desta visão infernal, Wanderson voltou a orar, mas suas preces transformaram-se em gritos conforme as chamas o devoravam lentamente.

* * *

Wanderson levantou gritando com tanta força que empurrou sua esposa quase derrubando-a da cama.
- Santo Deus, Homem! Que demônio te atacou essa noite?
Ele sentou-se arfando. Por um momento olhou para a mulher ao seu lado sem reconhecê-la. Sentou-se na cama e aos poucos o mundo foi voltando para o seu lugar mas a lembrança do sonho ainda era forte, como se suas mãos ainda ardessem em chamas.
- Você está tremendo. - disse sua esposa as suas costas.
- Foi só um sonho ruim. Nada demais. Deixa isso pra lá.
- Mas você anda tremendo a beça. Tem uns dias que eu estou reparando nisso. Já te disse que você tem que ver um médico, mas você é teimoso a beça.
- Eu já disse pra deixar pra lá! - Wanderson gritou se levantando.
O quarto ficou em absoluto silêncio por alguns minutos. De costas para ela, coçava o bigode branco tentando a todo custo ignorar o quanto a sua mão tremia enquanto fazia isso. Quando finalmente se virou, estava sozinho no quarto. Respirou fundo e entrou no banheiro para começar a se arrumar.
Minutos depois, já de banho tomado e vestido com seu terno marrom entrou na cozinha e encontrou a esposa lavando a louça. Ela serviu um café em sua caneca enquanto ele sentava para o café da manhã. Comeu calado, só falando ao tomar o último gole de café.
- O Souza vai passar aqui mais tarde pra deixar uma encomenda. Uma mochila daquelas. Conta pra ver se tá tudo direitinho e deposita na conta da igreja que como se fosse doação.
Ela concordou com um movimento da cabeça, ele levantou-se, deu um beijo na bochecha dela e saiu. Ambos sabiam que não havia necessidade de desculpas, mesmo ela tendo esquecido que a mulher devia ser submissa ao homem, ele a perdoava.

* * *

Boa parte do dia do pastor Wanderson consistia em visitar as casas dos fiéis para levar-lhes palavras de alento e conforto, além de coletar doações destes para a ampliação de sua sagrada igreja.
Ele se demorava mais em alguns do que em outros, pois cada um tinha suas próprias questões. Dava uma atenção especial as mulheres separadas ou viúvas, além de algumas cujos maridos não provinham com carinho e apoio suficientes para elas. Wanderson tinha muito prazer em atender as necessidades dessas irmãs em cristo.
Após passar o dia nesta árdua atividade, chegou no final da tarde a sua igreja onde Maycom o esperava lendo um jornal popular.
- Boa tarde, pastor.
- Boa tarde, Maycom. Como foi seu dia? - cumprimentou enquanto abria as portas da igreja que não era maior do que uma pequena loja.
Por um momento, Wanderson ficou ali parado observando seu diminuto templo enquanto um arrepio lhe corria pela espinha. Ele mal escutava enquanto Maycom falava sobre dependentes de drogas que ele visitara ao longo do dia e que tinha certeza de que conseguiria salvar em honra e glória do Senhor.
Seu pensamento estava longe, imaginava a igreja maior que pretendia alugar para comportar os fiéis que já não cabiam naquelas três míseras fileiras de cadeiras de plástico, sonhava com o dia em que estaria ao lado de pastores que tinham verdadeiras fortunas, talvez até entrasse para a vida pública. Quem sabe, um dia não estaria ele proferindo o nome de Deus no próprio Congresso Nacional?
O toque de Maycom em seu braço, buscando sua atenção o arrancou de seus devaneios.
- O senhor viu que coisa horrível, pastor?
Wanderson piscou uma ou duas vezes para se situar enquanto pegava o jornal que o outro lhe estendia com uma foto de um homem tão ensanguentado que poderia escorrer pela página.
- O que foi, irmão?
- Esse rapaz que foi retalhado no centro da cidade ontem de noite. - comentou compadecido. - não encontraram nenhuma identificação, e o rosto dele está tão desfigurado. Estão achando que é algum mendigo. Aonde este mundo vai parar?
- A causa disso é a perda dos valores da família, Maycom.
- O senhor acha?
- Tenho certeza! Deve ter se metido com uma daquelas prostitutas ou até os travecos que perambulam o centro. Teve o castigo merecido, certamente.
Quando devolveu o jornal, Maycom tomou sua mão.
- O senhor está tremendo de novo.
- Não é nada! - disse rispidamente enquanto puxava sua mão.
- O senhor deveria ir a um médico ver isso. É tão preocupado em cuidar dos outros mas não se cuida.
- Não é nada, já disse! E mesmo se fosse alguma coisa, tenho fé de que Deus cuidaria de mim melhor do que a medicina dos homens.
- Então permita que eu ao menos faça uma oração sobre o senhor, para lhe trazer alento.
Sentou-se enquanto o jovem colocou a mão em sua cabeça pedindo a Deus por sua saúde e proteção. As palavras foram tão sinceras que até trouxeram lágrimas aos seus olhos e aliviaram os seus temores de que estes tremores poderiam significar que estava perdendo o controle sobre o próprio corpo devido a idade já avançada. Este era o seu maior medo.
- Obrigado, Maycom.
- Não por isso, pastor. O senhor me salvou e ainda poderá salvar muitos outros como eu.
Wanderson ficou observando enquanto o outro se afastava para arrumar as cadeiras para o culto dali algumas horas. Ele fora uma das primeiras ovelhas de sua congregação, quando tinha recém-deixado a cadeia. O jovem era um drogado que vivia nas ruas e olhe para ele agora.
Se um dia teria que prestar contas diante do Criador, sabia que pelo menos uma coisa boa havia feito nesta vida.

* * *

O culto daquela noite foi inspirado. Wanderson falou sobre o fogo do inferno sobre os pecadores que não abraçavam o caminho de Cristo causando um furor entre os seus fiéis. Até citou a reportagem que Maycom lhe mostrara antes para ilustrar a perda dos valores familiares na sociedade decadente.
Ao final, muitos foram cumprimentá-lo e abraçá-lo, concordando com suas palavras e elogiando o fato de ao menos ele ser um homem com coragem para dizer o que ninguém tem coragem de dizer.
Maycom se aproximou dele acompanhado de uma velha senhora, dizendo ser sua avó que ansiava muito em conhecê-lo. Ela abraçou o pastor muito emocionada agradecendo por ter curado seu netinho querido.
Depois Maycom se desculpou por não poder ficar para ajudá-lo a fechar a igreja porque tinha de acompanhar a avó até em casa. Mesmo contrariado, Wanderson sorriu amarelo e permitiu que ele assim o fizesse e garantindo que não haveria problema algum para ele fechar arrumar tudo quando todos saíssem.
Os últimos fiéis ajudaram o pastor a fazer as arrumações, mas ele se despediu alegando que precisava fazer algumas orações sozinho com Deus. Quando se encontrou sozinho pegou a caixa de dízimos e foi conferir a arrecadação da noite. Percebeu que alguns deixaram de contribuir e fez uma nota mental para incluir um alerta quanto a isso na próxima pregação. Como queriam que Deus realizasse os milagres pedidos se eles não contribuíam para a glória de sua igreja?
Enquanto estava entretido em suas contas, pensando em quanto ainda precisaria para conseguir seu sonhado templo, a luz começou a piscar e por fim se apagou. Ele amaldiçoou, imaginando se tratar apenas de uma lâmpada queimada. Usando a luz do celular para se guiar, guardou a caixa e se dirigiu para a saída, quando a porta da igreja se escancarou de repente, mesmo tendo trancado-a quando o último fiel saiu.
Wanderson foi jogado ao chão pela mesma força que arrobara as portas e viu uma figura de pé a sua frente, iluminada apenas pela luz da lua, deixando apenas enxergar sua silhueta, na qual podia se ver o que pareciam dois pequenos chifres saindo das laterais da cabeça.
O pastor estava apavorado diante da figura que o assombrara em seu pesadelo. Sabia que não eram chifres, mas as pontas de suas orelhas salientes. Também sabia que ele o olhava com olhos amarelos da cor do pus de uma ferida a muito infeccionada. E podia sentir o seu sorriso macabro como se ele escorregasse por sua pele.
- Faça suas preces! - O estranho disse em uma voz rasgada.
E sem poder mover seu corpo, foi o que Wanderson fez...


quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Homem dos Sonhos (I) - Corra!



O centro de todas as grandes cidades é sempre apinhado de gente andando em blocos por todos os lados, todos preocupados com seus trabalhos que consideram tão importantes, seja pela soberba onde as pessoas se colocam uns acima dos outros, seja pela importância de pagar contas no final do mês que os faz aturar trabalhos degradantes e humilhantes.
Naquele momento, entretanto, tarde da noite, o centro da cidade se encontrava deserto. Não havia sequer uma viva alma para ser vista ao longo das ruas estreitas dos prédios antigos, datados da época do Império. Nem mesmo as prostitutas, mendigos e outros marginalizados pela sociedade, tão facilmente encontrados neste cenário noturno podiam ser vistos, como se fosse um momento fora da realidade, um sonho.
Mas o que Frederico vivia naquele momento estava mais para um pesadelo!

sábado, 18 de maio de 2013

A casa sobre o prédio (Parte I de II).



Por: Rodolfo Pomini

Eles estavam pesquisando o lugar considerado mais hediondo do mundo. E é obvio que conseguiriam uma lista quase imensa dos locais com prováveis situações de tortura, paranormalidade, ambos os casos unidos para um único fim, ou locais utilizados para abastecer a fome de jogadores compulsivos por morte.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mudança de hábito.


Os olhos se abrem e, imediatamente, a luz atinge-os, provocando uma dor muito forte. O silêncio incomoda e atordoa. Onde, afinal, ele está?
Pequenos lampejos de lembranças chegam e somem com igual velocidade. Ele recorda de ter saído para comprar mais bebida. Também se lembra do sorriso da filha e do cheiro gostoso do churrasco. Mas o que trouxe até aquela sala cheia de plástico? O que estava acontecendo?

domingo, 12 de maio de 2013

Reformulação do Um Ano de Medo: bastidores das mudanças.

Boa-noite, amigos. Aqui quem vos fala é seu anfitrião, Franz Lima. Este post é destinado a clarear algumas dúvidas sobre os últimas semanas que quase colocaram o blog na rota da autodestruição.
Somos uma equipe coesa e constituída por amigos, porém não podemos evitar problemas pessoais ou planos pessoais que levem um ou  outro autor a desejar sair do grupo. Cada um sabe quais são suas limitações e não cabe a mim ou a qualquer outro integrante julgar. Todos podem falhar...
Mas, após a queda de três escritores (Rainier Morilla, Ednelson Jr. e Edilton Nunes), as coisas estavam se tornando cada vez mais complexas. A saída do Edilton foi, rapidamente, suprida pela já antiga colaboradora do projeto, Tatiana Ruiz. Tatiana é uma das mais prolíferas colaboradoras do blog e é uma grande honra tê-la conosco.
Sequencialmente, Rainier e Ednelson saíram e abriram-se vagas para que novos escritores ingressassem no sinistro universo do Um Ano. E é sobre eles que vou lhes falar.
Agora teremos mais dois novos colaboradores: R. Giraldi e Vinicius Maboni. Contamos com eles para que a constância do projeto se firme e que haja a recuperação do prestígio que vínhamos obtendo. 
Tenham só um pouco de paciência, pois o Um Ano de Medo ainda lhes trará muitas coisas boas... mas sempre com uma alta dose de pesadelos.

P.S.: a saga de Kali será encerrada em breve. Podem contar com isso...

Franz.      

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Nas Cidades da Noite (I)

A coisa se contorceu e grunhiu quando despertou. Naquela viela escura e imunda, dormira pelos últimos quatro dias. Uma verdadeira proeza. Contudo, dormir afastava o frio, a dor e a fome...

Até agora.

Por isso, ergueu-se da sombra e, como sombra, moveu-se. Precisava saciar seu desejo antes que não tivesse forças para nem mesmo andar. Deveria encontrar algo ou alguém... E logo. Não aguentava o rugido constante em suas entranhas. Cambaleando, saiu da escuridão total para a noite, e foi logo ofuscado. Odiava o contraste luminoso que dominava a hora. 

Com a visão embaçada, avistou um alvo e, deixando um rastro de muco e sujeira em seu caminho, começou a perseguição. Já estava se deleitando com a expectativa.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

terça-feira, 2 de abril de 2013

Livro vermelho.

Bloqueio. 
Não consigo pensar em outra palavra. Parece que minha mente está infectada por um vírus que nubla meus pensamentos, minha criatividade. São meses sem produzir nada. Passos horas em frente ao computador, apenas tateando o teclado, mas, invariavelmente, o cansaço me vence.
Como reverter um apagão mental? Como recuperar minha escrita? As contas começam a acumular e eu não sei - literalmente - o que fazer. Escrever é minha profissão. Logo, estou desempregado.
Viajei, isolei-me e li outros autores para buscar uma ideia, por menor que fosse. Tudo em vão.
Entretanto, não foi apenas a inspiração que sumiu da minha vida. Meu marido não suportou tantos meses de stress e reclamações. Eu virei uma bruxa para ele e isso me custou o casamento. Agora, sem muito a perder, vou recorrer a tudo que me resta para recuperar as letras e a dignidade. Custe o que custar.
Eu voltarei a escrever...

quarta-feira, 27 de março de 2013

A Vingança de Kali. Terceira parte.

Por: Tatiana Ruiz.

-Vamos meu bebê… Está na hora de se alimentar – disse a voz rouca e trêmula, seguida de um riso esganiçado, para a criatura que se retorcia dentro da jaula. O cheiro do pequeno lenço branco invadia suas narinas ardidas, trazendo uma sensação boa... A mesma que sempre antecedia uma refeição.
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terça-feira, 26 de março de 2013

Ao lado de meu pai.

Por: Franz Lima.

Maurício é uma criança como muitas outras. Alegre, brincalhão e extremamente inteligente. Seus amigos o cercam como se fosse um planeta com seus satélites. Podem chamar do que quiser: carisma, aura ou, simplesmente, bondade. A verdade é que o moleque é muito, muito legal.
Entretanto, um problema assola a existência do menino. Ele não consegue se comunicar com o pai. Na verdade, ele tenta. E muito. Mas seu pai é o tipo de cara fechado, silencioso. Maurício ainda não se lembra do dia em que seu pai parou e brincou com ele. Talvez porque isso jamais aconteceu...

sábado, 23 de março de 2013

Deixandos as profundezas.



Por: Sandro Quintana.

A primeira coisa que Camila percebeu ao despertar foi a escuridão, tão intensa que ela não conseguia ter certeza se estava de olhos abertos ou fechados.

A segunda coisa que ela percebeu foi a dor lacerante em seu peito, como se algo o tivesse atravessado. Ao passar a mão, por cima da roupa, sentiu duas cicatrizes no peito. Uma grande, passando entre seus seios, e outra menor, do lado esquerdo.

terça-feira, 19 de março de 2013

A Vingança de Kali: segunda parte.


Mortes eram algo comum na rotina de Ed e seus amigos. Mesmo aposentado, não era possível ficar distante dos noticiários policiais e da violência. Nada do que ocorresse poderia ser classificado como 'surpreendente'... até agora.
Ed desligou o telefone e ficou ruminando as últimas notícias. Morte em família. A sensação era exatamente essa. Rainier, Laís e Franz brutalmente assassinados. Sem motivos. Sem piedade.
Vocês serão vingados, meus amigos - pensou Hedomon. Quem lhes tirou a possibilidade de um futuro terá o mesmo tratamento. Sem piedade.

sábado, 16 de março de 2013

Marcado.

Por: Roberta Spindler.

O homem despertou no meio da madrugada com um grito angustiado. A escuridão o envolvia como um cobertor. Com a respiração entrecortada e um suor frio escorrendo pelo peito nu, ele sentou na cama e puxou a cordinha do abajur que se localizava no criado-mudo à esquerda. A luz fez seus olhos arderem e revelou uma cena assustadora. Seus lençóis e braços estavam cobertos por sangue, pegadas de lama cobriam o chão do pequeno quarto e um odor ferroso tomava conta do ar.

sábado, 9 de março de 2013

O que a terra levou. Parte final.

Por: Rodrigo C. Cittadino.
Dr. Ilusão estava recostado contra a barricada improvisada na frente de seu laboratório. Pálido e fedendo a éter e a pestilência, estampava no rosto as pestanas cerradas e um esgar de asco que semelhava curiosamente um sorriso. O rapaz lhe sorriu de volta: com ele morto não teria de lidar com barganhas inconvenientes. Mas achava – ou uma parte ainda escrupulosa de si achava – que não devia ignorá-lo ali, jogado, à mercê das aves carniceiras. Carregou-o para dentro do laboratório. Pegou o que necessitava: seringas e frascos com a Substância, bisturi, estilete, colher e uma lâmpada-acendedora, que produzia fogo. Depois empilhou mais barris e caixas junto à porta do local de trabalho do doutor. Assentiu satisfeito: o túmulo estava fechado. E rumou para o cemitério, para escancarar outro túmulo.

Atravessou ruas familiares, as mesmas que tinha atravessado meses antes, quando teimava em depositar flores sobre a cova de Helena. As flores estavam mortas, ressequidas como a flora daninha das redondezas, mas, afinal, o que contava era a intenção – e a intenção devia bastar. Com o tempo tinha parado de visitar sua amada, por causa da angústia, do medo, do cansaço, da preguiça. E porque a mulher inerte e de pele desbotada sob a terra nada mais era do que uma imitação fajuta de Helena, que sempre tinha esbanjado vivacidade. Agora Oto caminhava para uma última visita, a que traria sua arduamente planejada reconciliação.

Cuspiu para expurgar os maus agouros. As Criaturas na estrada lhe eram familiares também, e ele, a elas. Nenhuma o incomodou, nenhuma se desgarrou dos montículos em que disputavam a carne dos últimos tombados. Oto raciocinou que, se aquela gente tinha desfalecido justo no extremo oeste da cidade – recanto desolado, sem casas à vista, sem abrigo contra os predadores senão um ou dois troncos retorcidos, inatingíveis para mãos e pés debilitados –, então deviam estar no curso de uma procissão desiludida para o cemitério quando o sopro fatal tinha irrompido de suas traqueias ranhosas e por entre seus lábios rachados. Havia algo de remotamente digno em morrer no cemitério. Soava civilizado resgatar antigos valores e ritos que tinham caído em desuso quando, um dia, as entranhas do solo tinham superlotado em função do número exorbitante de cadáveres. Não obstante, muitos enfermos ainda buscavam consolo em seus antepassados e, às portas do sono eterno, se arriscavam para conquistar uma vaga no leito deles; embora fosse péssimo o cheiro, parecia correto agir assim. O rapaz, todavia, não estava indo render-se à peste.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Atormentado.



Por: Franz Lima
Muitos estranharam aquele homem que corria desvairadamente. Poucos notaram que seus olhos estavam injetados de sangue, fruto do esforço e do pânico. Só ele sabia o que estava ocorrendo.
Suas pernas começaram a fraquejar mas seus instintos determinaram que continuasse a correr. Parar diante do que o perseguia do que o perseguia era, certamente, uma sentença de morte. Foi esse o destino de sua mulher, Maria, e de seu filho com apenas 8 meses, José. Eles foram assassinados brutalmente, com absoluta ausência de piedade. José foi o primeiro...

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Demônio.




Por: Bruno Vox
Ele corria como não houvesse outra coisa no mundo, apenas corria, corria para se salvar.
Olhou para trás e viu o vulto. Ainda estava o perseguindo.
Desceu umas escadas de ferro pulando alguns degraus, quase caiu, mas se equilibrou segurando nas barras de apoio e conseguiu se manter de pé.
Era jovem, não mais que vinte e cinco anos, praticava exercícios e tinha boa saúde, mas seu coração disparava como se fosse explodir, seu peito doía, os pulmões estavam exaustos, não aguentava mais correr. Suava bicas, ofegava como se estivesse correndo a mais tempo do que suportaria, o que era verdade. Aquele... bem, ele não sabia o que era, um homem? Talvez. Quando foi abordado por esse ser, podemos dizer assim, na saída da boate, conseguiu ver de relance seus olhos que brilhavam um vermelho amarelado intenso como brasa acesa. 

Acabou de descer as escadas e por um instante parou para ver para onde seguiria em sua fuga. Ali era o galpão inferior da antiga fábrica, estava deserto, o maquinário havia sido vendido quando fora a falência. O rapaz sabia disso, conhecia aquele lugar, já havia estado ali, por isso correu para aquela direção nas ruas desertas da cidade, na madrugada fria e assustadora. O lugar lhe parecia ótimo para esconder, parecia acolhedor em sua memória.