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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sem saída


    A  sala era pequena, com paredes brancas. Uma mesa de madeira no meio e duas cadeiras. Uma terceira parede, era na verdade um grande vidro espelhado. Ele sabia que havia uma câmera ligada do outro lado do vidro, filmando e gravando tudo naquela sala.
     Estava com os braços abaixados. Olhar triste, acabado. Nada mais importava pra ele; responderia todas as perguntas que lhe fizessem.
     O detetive Carter entrou na sala e fechou a porta atrás de si. Olhou para o vidro e fez um sinal coma  mão, depois voltou-se para ele, puxou a cadeira e sentou-se.
    - Ok senhor Levin, pode me dizer o que aconteceu ontem a noite na sua fazenda?
    Ele olhou com olhos muito tristes para o detetive e soltou um longo suspiro.
    - O mesmo que eu ja disse antes, detetive. Mas ninguém acredita. Não tem mais nada que eu possa fazer.
    - Apenas responda as perguntas no melhor que puder, tudo bem? O que fazia ontem, a essa hora da noite?
      Mai um longo suspiro. Olhou para o detetive respondeu:
     - Estava na minha casa, na fazenda. Ouvia o jogo no rádio, em minha sala.
     -  Pistons contra Atlanta?
     - Sim.
     - E sua família, o que faziam?
     - A Cassidy tava pondo a mesa do jantar. Ela tinha em chamado pra ir comer, mas eu queria ouvir o fim do jogo.
     - E sua filha?
     - A Sara... - pausa.
     -  Sim senhor Levin, a Sara. O que a Sara estava fazendo?
     - No quarto dela, eu acho... conversando com alguma amiga pelo telefone.
     - A ultima ligação do celular dela era para uma garota chamada Ellen Tallarasse.É alguma amiga que o senhor conheça?
     - Ellen, sim, eu a conheço. Eram amigas.
     - Ela foi interrogada hoje mais cedo. Disse que estavam ao telefone quando ouviu Sara gritar e em seguida a ligação caiu.
     O homem baixa a cabeça e não diz mais nada.
     Depois de um breve silencio, o detetive continuou.
     - Por que a Sara gritou, senhor Levin?
     - Porque o homem comprido estava na janela dela...
     - O Homem comprido.... - repetiu o detetive, num tom de desdém. - Já ouvi a lenda: um homem bem alto, com braços e pernas bem longas não é?
     - Sim. Ele mesmo. Desde que eu era criança eu o via rodando a fazenda, mas todos me diziam que era só coisa da minha cabeça.
     - Não! - respondeu num tom de raiva. - ele é real.
     - Então foi o homem comprido que matou Cassidy e Sara?
     - Não foi....
     - Então quem matou elas?
     - Eu... - disse com voz tremula, cheia de dor e pesar.
     - Então o senhor admite ter atirado nas duas?
     - Sim.
     - E por que as matou?
     - Porque elas pediram...- respondeu baixo.
     - Por que?
     - Porque elas me pediram! - levantou a voz.
     - Como assim, elas pediram para o senhor pegar seu rifle e as matar?
     - Sim. Eu estava na sala quando ouvi o grito de Sara. Foi só um grito. Minha mulher foi ver o que era, e ai, eu ouvi o grito dela também. Peguei meu rifle de caça e sai correndo e gritando o nome delas e entao...
     - Então o que...?
     - Eu vi ele. Ele era enorme, parecia estar em toda parte. A luz do quarto oscilava com a presença dele. Desde criança, quando a luz falhava, eu sabia que era ele por perto.
     - Pode descrever ele?

   - A janela tava aberta, ele tava com o corpo pra dentro, esticado, magro e comprido. Ele tinha braços muito longos, mas tinha uns tentáculos ou algo assim, que saiam das costas dele... eles se agitavam e preenchiam todo o quarto.
     - E sua familia?
     - Cassidy e Sara estavam nos braços dele. Elas me olhavam com um olhar vazio e perdido. Ouvi a Sara me chamando, mas parecia que ela tava sonhando e não acordada. A Cassidy pedia socorro, mas também não se mexia, tava no braço dele.
    - E depois?
    - Ele virou o rosto pra mim. Não tinha nada na cara dele. era como um saco de pano branco. Não tinha nariz, nem boca nem olhos. Nada. E ai ele puxou o corpo pra fora e levou elas. Eu corri pra fora também, pulei a janela. Ele tinha uns 3 metros ao todo e as carregava para a floresta.
   - Foi aí que você atirou nelas?
   - Sim... Eu tentei acertar ele, mas não consegui. As balas pareciam passar direto. Como se ele nem fosse real. mas então, a Cassidy pediu, chorando, para eu a matar. Eu nunca a vi tão desesperada. Ela gritava, dizendo que não queria ser levada. Ela me implorava para mata-la, para permitir que ele a levasse para a floresta escura. Eu fecho os olhos e escuto o grito dela.
   - E então, voce atirou nas duas.
   - Eu não quis! Mas era isso ou deixar ele as levar. Não tinha mais nada que eu pudesse fazer, entende? Ele iria sumir com elas pra sempre! eu queria pelo menos ter um cadáver pra poder enterrar!
     O detetive ficou pensativo por uns segundos. Definitivamente não acreditava em nada daquilo, mas não podia negar que aquele homem estava muito alterado. Ele viu algo assustador noite passada, isso era certeza.
    A luz oscilou.
    O senhor Levin deu um pulo da cadeira.
    - É ele! ele veio me buscar!
    - Senhor Levin fique calmo! não existe homem comprido! isso foi só um problema com a energia, acontece sempre!
     Em seguida, a luz apagou completamente: o senhor Levin começou a gritar e chamar o nome de Deus. O detetive gritou para ele se acalmar, mas então sentiu uma força empurrando-o...
    Gritos dos dois e barulhos de tiros. O grito do senhor Levin foi silenciado de repente, como se tivesse sido subitamente interrompido. A luz voltou. Os outros policiais na outra sala, apertaram os olhos contra o vidro para ter certeza do que estavam vendo: A mesa da sala estava quebrada, as cadeiras caídas. O detetive Cartes caído num canto, mole como uma marionete sem cordas... e nem sinal do Senhor Levin.
    Quando investigaram a sala, os policiais não viram nada que pudesse justificar o desaparecimento dele. Nenhuma marca na parece e a janela estava intacta... e o que quer te tenha matado o detetive, tinha muita força, foi muitos dos ossos dele estavam quebrados.
    O caso foi encerrado. O fazendeiro levou a culpa pelo assassinato da sua família e também do detetive. Foi dado como foragido e perigoso, mas nunca mais foi encontrado.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Casper


 -  911 emergência, você precisa de ajuda?
 -  Sim! sim. Tem alguém na minha casa.
 - Ok senhor fique calmo - respondeu a operadora - Eu já notifiquei a policia, eles estarão aí em alguns minutos. Eu preciso que confirme seu endereço.
  - Oh Deus Oh Deus... - o homem respirava fundo, tentando manter a sanidade.
  - Senhor? por favor, o senhor está falando da Rua Elm numero 1413, apartamento 2?
  - Sim! - respondeu ele impaciente, levantando o tom de voz. - Rua Elm apartamento 2! manda logo alguém pra cá!
   - A policia já foi notificada e estarão aí em alguns minutos, mas agora eu preciso que o senhor fique calmo, está bem? o Senhor viu se é um homem ou uma mulher?
    - Eu não sei! eu só vi de costas. Só deu pra ver que era alguém sem cabelo. Quando se virou na minha direção eu corri pro quarto.
    - Sem cabelo?
    - Sem cabelo! nada na cabeça, nenhum cabelo, só pele. - estava notavelmente alterado.
    Barulho de vidro quebrando ao longe, acompanhado de uma breve interferência na ligação, que cortou a descrição que o homem fazia.
     - O que foi isso?
     O homem continuou como se não tivesse percebido nada:
     - ... tudo. Começou a tremer tudo a minha volta.
     - O que começou a tremer e que barulho foi esse, senhor.
     - Você não tá me ouvindo?  Tudo começou a tremer! não sei explicar!
     - Você consegue chegar à alguma saída?
     - Não, eu to no armário. Ah meu Deus...
     - Tá certo. Eu preciso que fique calmo. Você algo que possa usar para se defender?
     - Hun... tem uns cabides aqui...
     - Ok, pegue um dos cabides...
     - Eles são de plástico!
     - Ok, tem algo mais...
     Barulho de coisas quebrando, dessa vez bem mais perto.
     - Vai embora! - gritou ele.
     - O que está acontecendo?
     - Vai embora! - gritou de novo, dessa vez coma  voz quase sumindo.
     - Senhor?
     Barulho alto, depois silencio.
     - Senhor? 
     - Ele ta na porta. - respondeu, bem baixinho. - ele ta no quarto.
     Sons estranhos de metal batendo ecoam pelo telefone. A operadora tenta não demonstrar medo, e continua com voz firme.
    - A policia está a alguns minutos daí, eu só preciso que o senhor aguente um pouco mais.
    - Por favor... por favor eu to com tanto medo, eu...
    Rangido de porta abrindo.

    " Oi! eu sou Casper!"
    - AH MEU DEUS! - gritou ele. Foi o grito mais assustador que ela já ouviu desde que começou com esse trabalho.
     Sons de metal batendo, coisas quebrando: obviamente uma luta. A voz do homem ainda podia ser ouvida, mas ao longe, gemendo e gritando.
    - VAI EMBORA!
    - Senhor?
    A voz dele foi ficando mais distante, como se tivesse sendo levado pra longe, apesar de ainda estar gritando, a voz dele foi sumindo. Risadas de crianças ecoaram do outro lado da linha. A operadora deu um pulo de susto com o coração na mão. Os gritos pararam. Silencio.
  - Alô? quem está ai? - perguntou ela.
  Ouviu mais uma vez uma risadinha abafada ao longe. 
  - Quem está ai!? - quase gritando.
  - Olá! - uma voz fina e feliz respondeu do outro lado. Uma voz que lhe causou frio na coluna e que vai tirar o sono dela por muitos dias.
  - A policia está chegando, não tem pra onde correr. 
  - Eu sou Casper!
  A linha fica muda antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.

***

    Alguns minutos depois, a policia chegou ao local. A porta do apartamento estava aberta, mas nenhum vizinho acordado. A casa estava revirada, mas ao que parecia o intruso não buscava por algo, mas sim, destruir coisas.
    No quarto, encontraram a porta derrubada e mais uma vez, tudo revirado. Houve luta ali. A porta do armário estava aberta e um rastro se sangue seguia direto para o espelho de parede, terminando nele. O lençol da cama tinha sido arrancado como se alguém tivesse se agarrado a ele. O lençol estava esticado no chão, a alguns centímetros do espelho.
    Ele aponta sua lanterna para o espelho. Uma marca de mão pôde ser vista nele. Uma marca de mão do tamanho da mão de um adulto. Analisou a marca com cuidado... quase não reparou no sorriso largo e cheio de dentes que apareceu no reflexo do espelho.
   "Oi!"



   

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A outra parte de mim (VIII)

  
    Thais e Tatiana estavam boquiabertas; aquele rapaz do sonho, o tal príncipe, era ele ali na frente delas.
  - O que...o que significa isso? - gaguejou Thais, recuando.
    O rapaz bonito desceu um lance de degraus, aproximando-se um pouco mais.
  - Eu sinto muito que tenhamos que nos rever numa situação dessas, depois de tanto tempo.
   As meninas fizeram cara de confusas. O que ele queria dizer com "tanto tempo"? 
   Dentro dos tubos de vidro, as ainda incompletas Sirens se remexiam, de olhos fechados, como se tivessem tendo pesadelos. Os olhos da pequena giravam pelo local; era muita coisa pra uma só mente, ela se sentia totalmente perdida.
   - O que quer dizer com "tanto tempo"? - perguntou a mais velha, arriscando um passo à frente.
   O suposto príncipe franziu a testa e fez cara de desapontado. Soltou um longo suspiro e falou:
   - Ah Garuda... justo você, minha sentinela favorita. Me quebra o coração te ver dessa forma...
   - Vai se foder cara! que historia é essa?
   Ela quis avançar, mas foi segurada por Fred. Protestou e tentou se soltar, mas ele não a deixou.
   - Me solta! a doido? o que ta acontecendo aqui? quem é esse cara e porque ele diz que em conhece?
   Fred não respondeu. Continuou a segura-la por trás, em silencio.
   - Obrigado Krey. - disse ele. - Caminhou até o cientista e sem olha pra ele, disse: - Eu te disse Dr. Barnes, Krey é leal a mim. Era só uma questão de tempo até o garoto digerir a ideia e aceitar seu lugar.
   - Porque ele tá te chamando de Krey?  Fred! fala comigo! o que tá acontecendo?
   Mais uma vez o rapaz bonito suspira tristemente.
   - Eu não aguento isso. Vê-la dessa forma me magoa muito. Depois de todos esses anos, todos esses experimentos... - olhou a sua volta, para as Sirens - recriando esse monte de copias inuteis para finalmente chegar a você... e ainda assim, um fracasso.
  - Eu sinto muito senhor Abssalis. - disse o velho cientista.
  - Não é sua culpa Dr. Barnes. Meu projeto ainda é grande demais para esse mundo e para a atual tecnologia. Mas fico satisfeito em saber que ao menos Krey está comigo mais uma vez, certo Krey?
  Olhou diretamente para Fred.
   - Sim, príncipe Abssalis. Eu estou com o senhor, pela velha glória de Atlantis. Deixe as garotas irem embora. O despertar falhou com elas mas não precisa mata-las. Ainda podemos tentar desperta-las daqui alguns anos.
    - Não Krey. Eu não suporto viver sabendo que meus amigos mais queridos estão vivendo em corpos humanos, apagados da existência. Mate-as Krey, por favor, quanto mais cedo elas morrerem, mais cedo...
     - Não vou mata-las. Chega de mortes, já morreu gente demais. Deixe-as ir.
     Thais estava perplexa; Fred estava conversando com aquele homem, e estava aceitando ser chamado por outro nome. Então ele sabia mesmo o que estava acontecendo, ele sempre soube, aquele tempo todo.
    - Você está desobedecendo uma ordem direta minha Krey?
    - Você ja tem o que queria, não precisa...
    - O QUE EU QUERIA? - grita ele, cortando Fred - O que eu queria era meus amigos comigo mais uma vez! mas só você voltou! Olhe pra essas duas! não são nem a sombra do que costumavam ser! Garuda era leal a mim, você lembra? o que ela tem de parecido com essa menina estranbelhada aí? NADA! Falhei Krey, eu falhei com vocês todos, mais uma vez! Mais uma vez depois de tantos anos!
   O príncipe tomou ar, se recompôs e continuou, mais calmo:
    - Mas está tudo bem. O reconstituidor mental está quase perfeito. Funcionou em você, trouxe você de volta. Wukari já foi morto pelos Frogs, e essas duas também já estariam, se você não estivesse ajudando-as. Estou disposto a perdoar seus erros se as matar agora. Não me force a te matar, velho amigo.
   Fred sentiu Thais amolecendo em seus braços. Iria morrer assim? como se fosse um rato de laboratório que perdeu a utilidade?
    Tatiana continuava quieta, de cabeça baixa.
    - Então vai ter que me matar, meu príncipe. - soltou Thais - Chega de mortes, essas pessoas desse mundo não precisam pagar pelo nosso passado. Acabou! Se não tivesse sido um covarde com deveria ter sido bravo, nada disso teria acontecido. Pode me matar, eu não quero mais servir o covarde sem princípios que você se tornou. 
    Triste, o principe tirou do bolso um tipo de pistola e apontou para ele.
    - Você... como se atreve a me culpar por isso tudo? Atlantis foi destruída. Todos morreram Krey, Todos. Eu consegui preservar as almas de vocês para que um dia pudéssemos ficar juntos mais uma vez... e é assim que me agradece? me chamando de covarde e sem princípios?
    - Olhe a sua volta, Abssalis. Quantas crianças você matou nessa sua brincadeira? Crianças. Pequenas e frágeis crianças. O homem bom e gentil que você era, morreu com nosso mundo. Tudo que sobrou do meu amigo, é uma alma retorcida pelo medo e pela raiva. Meu juramento não foi com tal homem. Não devo por que obedecer.
   - Entendo. Não em deixa outra opção. Adeus Krey.
    Uma bandeja médica voou até o príncipe, arrancando a arma de sua mão. Todos olharam para trás e viram Tatiana, de cabeça erguida, olhando para Abssalis, com firmeza.
   - Tati...? - perguntou Fred.
   - Meu nome é Wendigo... e eu me lembro de tudo.
   Abssalis arregalou os olhos. Então, Wendigo havia despertado no corpo da menina.
   - Tati? - perguntou Thais indo ate ela. - o que você ta falando?
   Tatiana gentilmente a afasta, sem tirar os olhos do príncipe. A voz dela estava firme e forte e seu olhar era igualmente firme.
   - Majestade, eu concordo com Krey - disse a pequena - passou dos limites. As pessoas desse mundo não podem ser massacradas a seu bel prazer só porque tem medo de ficar sozinho.
    - Wendigo! você também está nessa de poupar os humanos? o que há com vocês dois? E quanto à glória de Atlantis?
    - Acabou Atlantis! - gritou ela - Se precisa mesmo continuar com seu massacre à essa raça, pelo menos nos deixe fora disso! Você não sabe o que se passa pelos corações deles, porque você nunca esteve na pele de um! Mas o medo... a dor... tudo neles, é bem real pra nós! Não importa quantas vezes você nos reviva e nem por quantos corpos passaremos, nós não vamos nos unir a você e defender suas ideias doentias.
   - Eu concordo com Wendigo - disse Fred - Se Wukari e Garuda estivessem aqui, pensariam igual. Nós fomos seus guardiões. Amávamos nosso mundo e nosso povo, mas agora acabou. Você mesmo disse, todos morreram. Pare de sujar de sangue o nome de Atlantis. Aceite que acabou. Faço das palavras de Wendigo, as minhas: não importa quantas vezes tente me despertar, eu não vou servi-lo. Pode me matar se quiser.
   Thais estava perdida: agora até Tati estava entendendo tudo, menos ela? ela deveria ser alguém chamada Garuda? e Fred se chama Krey. Tatiana se chama Wendigo?
   - Mas o que que ta acontecendo aqui... alguém me explica, por favor... - chorou ela, mais pra si mesma do que para mais alguém.
    - Não! isso não pode estar acontecendo! eu fiquei séculos nesse mundo, aguentando esse humanos e pra que? pra isso? esse tempo todo, a alma de vocês foi de corpo em corpo, reencarnando, enquanto minha magia sumia! eu tive que esperar esse mundinho evoluir o bastante para poderem recriar algo semelhante à nossa tecnologia, e agora, que o recuperador mental está pronto... vocês se rebelam contra mim!
    Abssalis correu até a pistola caída e a pegou. Apontou-a para Tati e Fred, em desespero. Ele continuava a repetir " não não não!" o tempo todo.
    - Ele ficou louco. - disse Fred. - Fique atenta...digo, atento...
    - Ainda sou eu Fred. Sou Tatiana e Wendigo.
    - É bom não ser mais o único a se lembrar.
    - O que faremos com ele?
   O príncipe apontou a arma para a própria cabeça.
    - Abaixe isso Abssalis. - falou Fred.
   - Eu não tenho mais motivo para viver. Eu fugi e sobrevivi esses anos todos por vocês. Se não querem aproveitar o presente que lhes dou e dispensam minha companhia, então, eu não preciso mais viver. Vou encarar meu destino, com você mesmo disse Krey. Eu só lamento não ter instalado um dispositivo de autodestruição nesse lugar. Seria um ótimo final, como nos filmes, não acham?
   - Abaixe essa arma seu idiota! não vai mudar nada se matando! - gritou Tati.
   - Não vou. Mas não ligo mais.
   Atirou.
   A parede branca atrás dele foi manchada de sangue. O príncipe Abssalis de Atlantis, jazia morto no chão, com a têmpora estourada.
***

   - Difícil acreditar... - disse Thais, ainda em choque. -Então eu fui alguém chamado Garuda, um dos quatro guardiões de um mundo chamado Atlantis que não existe a séculos... e minha forma de águia é na verdade a verdadeira face de Garuda? meu outro eu?
   - Sim - concordou Fred - e por você não se lembrar de quem tinha sido, ele queria te matar, assim sua alma renasceria em outro corpo e ele poderia mais uma vez tentar te despertar com o recuperador mental.
    Estavam num tipo de sala de espera, naquele mesmo andar. Thais estava largada num sofá, ainda em choque, tentando engolir aquilo tudo. o Dr. Barnes estava ali num canto em total silencio. 
    Tatiana, em sua forma de lobo, entra na sala, carregando duas mochilas cheias de coisas. Ela solta as mochilas no chão junto com outras três
     - Acho que eu pai falou a verdade, não tem mais ninguém aqui. Isso é tudo que pude encontrar de útil. - apontou para as 5 mochilas no chão.
     - O que fazemos agora? - perguntou Thais, chorando.
     - O dr. Barnes...  meu pai disse que há um barco nas docas ainda. O ultimo que sobrou desde que todos fugiram. Vamos embora.
     - Pra onde? não temos casa, não temos nada! e porque vamos levar seu pai cientista maluco junto?
     - Precisamos dele para o barco. Escuta, vamos ficar bem. Recolhemos suprimentos e coisas de valor desse lugar. Vamos voltar para a civilização e vamos fazer nossa vida nova, só eu, você e a Tati.
     - Eu e Fred? ou eu e Krey?
     - Nada em mim mudou. Desde que me conhece, sou assim, ainda sou o mesmo de antes. A Tati ainda é a mesma... ou quase.
     - Ainda sou uma menininha chorona de 14 anos... que as vezes vira um lobo cinzento, antigo guardião de Atlantis. Só isso.
       A menina mais velha olhou para todos ali presentes. Só ela ainda não tava aceitando aquilo tudo?
     - E as sirens? o que elas são? e o que vai ser delas?
     - Elas foram uma tentativa de te clonar... tentar recriar Garuda, artificialmente, dentro do corpo de outra pessoa. não aconteceu bem como o esperado, mas Abssalis soube aproveitar o resultado. Meu pai desligou os aparelhos que as mantinha vivas. Elas vão simplesmente dormir e nunca mais acordar.
     Ela se encolheu no sofá, abraçou os joelhos e chorou. Fred a abraçou, tentando acalma-la.
     - Me promete uma coisa? - perguntou ela, depois de chorar um pouco.
     - O que?
     - Que vamos ficar bem.
     - Prometo.

  Naquela mesma tarde, os quatro estavam embarcando para sumir daquela ilha. O sol se punha enquanto a ilha ficava cada vez menor. estavam todos nervosos. conseguiriam se adaptar a viver entre pessoas novamente? só com o tempo saberiam. Thaís estava pensando nisso tudo, observando a maldita ilha sumir no horizonte. Tatiana se aproximou dela.
   - Tá tudo bem?
   - Eu tava pensando... eu esperava algo bem diferente...
   - Do que?
   - De como tudo acabaria. Todos esses dias eu pensava em como seria a verdade... seriamos, robôs? aliens? vitimas de experiências? mutantes? mas não. Nós somos reencarnações de guardiões antigos.
   - Eu também pensava nessas coisas, mas... a mente de Wendigo despertou na minha, e quando eu e ele viramos um só, tudo ficou claro. Não fique chateada por não se lembrar. Eu preferia não lembrar dos nossos amigos morrendo e nosso mundo sendo destruído.
   - Obrigada...

    O destino não era certo para aqueles três jovens. Pra onde quer que vão, levaram consigo, memorias de dor, terror e sofrimento. Suas vidas eram um mistério, mas seja o que for, eles estão certo que vão superar, pois já viveram coisa muito pior. 
   Tati olha pela ultima vez para a ilha. Será que seus pais ainda pensam nela? qual seria a reação delas ao voltar a vê-la? seria sensato tentar voltar pra eles ou seria melhor simplesmente fazer como disse Fred; seguir em frente criar uma vida nova. Seja como for, Wendigo estará com ela, e não há nada mais para temer.


FIM.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A outra parte de mim (VII)


  Dormir do lado de fora não era fácil. Barulho estranhos, insetos, pedras... Não que ela tivesse muito luxo em sua antiga cela... Os restos da fogueira ardiam em brasa ao seu lado, usando um tronco como travesseiro, ela esticou o corpo no chão e o deixou relaxar. Olhou para o céu; estava limpo e cheio de estrelas. Em algum lugar, seus pais também olhavam as mesmas estrelas. Será que ainda pensavam nela?
    Já tinha mais de dois anos desde o incidente na escola. Lembra-se melhor agora que conseguiu controlar melhor a besta em si. Dois anos é tempo demais; cresceu muito desde aqueles dias, não só na altura; sentia-se toda crescida. Sentiu raiva.
    Por dois anos, esses caras, sejam lá o que são eles, a sequestraram e a fizeram coisas horrendas com ela... mas, e se ela sempre tivera sido um monstro? e se o motivo de estar nesse pedaço de terra esquecida fosse exatamente ser um monstro? Caiu no sono, imaginando os horrores que veria no dia seguinte.
    
    Viu uma cidade. Era linda, quase toda feita de prata, com cachoeiras cristalinas por toda parte. As pessoas vestiam roupas de varias cores e pareciam felizes. Um casal de jovens caminhava por entre um jardim cheio de rosas vermelhas, ambos eram muito bonitos e pareciam apaixonados. Quando estavam prestes a se beijarem, um clarão os cegou, seguido de uma explosão. As rosas, o jardim e todos ali presentes ardiam e queimavam. A moça gritava conforme seu rosto derretia como geleia. olhou para as próprias mãos e viu sua carne escorrer por seus ossos.
     " O príncipe! protejam o príncipe!"

   Acordou num pulo. Estava no refugiu improvisado entre as pedras. Fred estava a alguns metros dela, em sua forme de tigre. Em suas patas alguns peixes.
   Esfregou os olhos, tentando esconder o susto, mas ele era mais esperto que isso.
  - Sonhos ruins? - perguntou com sua voz grave de tigre.
  - Não sei... meio estranho... uma cidade...
  - Toda prateada com cachoeiras, jardins e um casal bonito? - completou ele, sem deixar ela falar. - Eu sei.
  - Como assim? você... 
  - A Thaís também. Íamos te falar, mas preferimos deixar você conhecer sozinha. Agora com você, somos três que tem o mesmo sonho, isso deve significar algo.
   Largou os peixes em cima de uma pedra e sentou-se no chão. Converteu-se para a forma humana, sob os olhares da pequena.
  - O que é aquela explosão e quem é o príncipe?
  - Sei tanto quanto você. Olhe, vamos esperar a Thais voltar dai comemos e vamos perguntar pessoalmente, o que acha?
   Concordou em silencio. Alguns minutos depois, o peixe no fogo começou a cheirar bem, o que fez o estomago dela roncar.
   - Transforme-se. - pediu Fred, do nada.
   - Que!?
   - Transforme-se! agora, sem estimulo algum, por si só. Sem raiva ou angustia. Traga o lobo por sua vontade.
   - Eu não consigo, já tentei!
   - Tente de novo. dessa vez, não pense em nada a não ser no que há dentro de você, no seu outro eu. O que está ai não é um monstro. É você e pode ser controlado. Feche os olhos e consente-se.
    Contrariada, ela obedeceu. Fechou os olhos e tentou pensar apenas no que sentia quando era o lobo. A força, a agilidade, as garras, a liberdade que aquilo tudo lhe fazia sentir. Quando era o lobo, ela sentia como se nada pudesse impedi-la.
     Imersa na própria mente como num transe, permaneceu sentada de pernas cruzadas, tentando se entender melhor. Viu-se numa clareira no meio de uma mata vasta. Ao longe, um lobo uivava para a linda lua que brilhava no céu. Aproximou-se do lobo e os dois trocaram olhares. Olhou intensamente nos olhos da besta. Era grande, linda e poderosa. Num instante seguinte, a besta não estava mais diante de si. Fora substituída por uma garota magrela, feiosinha e de cabelo embaraçado. Viu-se então, no corpo do lobo, olhando para si mesma, em forma humana.
    Voltou a si.
    Por impulso, levou a mão ao cabelo e o sentiu embaraçado e sujo, ele estava horrível mesmo.
    Thais ja estava ali, ela e Fred estavam comendo. Ambos olharam pra ela.
   - Tá tudo bem? - perguntou Thais.
   - Sim. - disse ela, levantando-se e catando um peixe, estava faminta.
   - Consegue se transformar? - perguntou o rapaz.
   - Consigo. - respondeu com a boca cheia de peixe. - Confiem em mim.
   - É o que temos pra hoje. - disse ele  um tom de desdém.

    Depois que comeram, apagaram o fogo e se reuniram para uma ultima conversa antes da investida.
    - Vamos em forma humana até a única entrada que conhecemos, de lá, viramos bicho e forçamos a entrada. Vamos matar  que nos jogarem, um por um, até que os responsáveis mostrem a cara e comecem a se explicar! - disse Fred.
  - É uma merda de plano mas é o que vai ser, não vou viver fugindo pra sempre! - completou Thais.
    Correram mata a dentro.
    O sangue pulsava forte em suas veias, não tinha ideia do que iria acontecer nas próximas horas. Muito provavelmente estaria morta, mas não sentia um pingo de medo; dadas as recentes circunstâncias, morrer não parecia ser uma má ideia.
    Ao chegarem, uma brisa trouxe um cheiro pútrido terrível, que quase a fez vomitar; a entrada do laboratório ainda estava coberta de cadáveres e tripas. Guardas e crianças mortas. Fred da um soco numa árvore com raiva.
  - Elas morreram porque eu as libertei. os guardas atiraram nelas sem nem pensar, e os poucos que consegui salvar, morreram para os frogs!
   - Mas eu ainda to viva - respondeu Tati. Ela também era parte do grupo de fugitivos.
   - Desculpe eu... só... queria ter feito mais.
   - Você fez o que pôde. Agora vamos terminar isso logo - disse Thais - não tão achando isso muito abandonado?
    Tudo era silencio. nenhuma alma viva. O trio saiu do mato e adentrou os portões abertos.
   - Será que matamos o ultimo lote?
   - Mais provável que estejam nos esperando.
   A porta de metal por onde tivera saído ainda estava do mesmo jeito que ela deixou ontem. Ninguém MESMO andou por ali desde então.
   - Isso ta muito estranho, to com um pressentimento ruim. - disse Thais.
   - E se for uma armadilha? - perguntou a pequena.
   - Então, nós caímos nela.
   Mal terminou a frase e já meteu o pé na porta, escancarando-a.
   À frente, o corredor de cadáveres de cientistas e guardas. Fred alegou ser o autor daquela chacina.
    O térreo era onde ficavam as celas, todas estavam abertas. As que não estavam vazias, habitavam pessoas mortas por marcas de bala. Era um ambiente de morte horrível, o clima do lugar era muito pesado e caia sobre o trio de forma poderosa, lentamente drenando a moral deles.
   - Vamos logo para o andar dos experimentos! onde me fizeram as cicatrizes! tenho certeza que lá nós vamos encontrar algumas respostas.
    Quando chegaram à porta do elevador, uma voz pode ser ouvida por todo o lugar.
    - Esperávamos vocês, preciosos intrusos. Por favor, venham nos visitar no segundo andar, o laboratório de genética 1. Bem vindo ao lar Freddy.
    As duas o olharam, esperando uma resposta.
     - Você não entenderiam!
     - Eu sabia que você tava escondendo alguma coisa! - gritou Thais. - como quer que confiemos em você?
     - Não é o que pensam! Aquele era meu pai, o principal motivo de eu querer acabar com tudo isso!
     -  Seu... seu pai!? - Thais parecia confusa e irritada.
    - Ele é o cientista chefe, e não o responsável, tá? olha não temos tempo pra isso, vamos logo e tudo vai se encaixar nos eixos.
    - Vai é? como posso confiar em você agora?
    - Porque eu te amo, sua imbecil! - gritou.
    Silencio.
    Tati estava muito desconfortável no meio deles. Thais olhava Fred incrédula, e ele, bufava nervoso.
    - Por isso... eu não vou deixar ninguém te machucar.
    Em silencio, os três entram no elevador. A própria Thais aperta o botão do segundo andar.
    O clima do elevador estava estranho.
    Quando a porta abre, eles se veem em uma sala com várias maquinas estranhas. Por todo canto, tubos de vidro com pessoas dentro. Os tres sairam do elevador, horrorizados, eram crianças eram...
    - Sirens! - chorou Tatiana.
    Eram meninas, cobertas de cortes pelo corpo todo. As costas, farrapos que um dia vão ser asas. Era  como se estivessem em úteros artificiais, nascendo aos poucos.
    Aquela sala era familiar para Thais. Foi dalí que ela fugira. A maldita sala onde a fizeram aqueles cortes. A imagem das Sirens gemendo e se contorcendo ao redor deles, eram repulsiva, nem repararam no velho senhor de Jaleco branco logo à frente dele.
    - Sejam bem vindos. Olá Freddy.
    O sangue de Thais ferveu no mesmo instante. Ela correu e agarrou o velho pelo colarinho.
   - O QUE FEZ COMIGO? O QUE FEZ COMIGO?
    Ela o sacudia com raiva, mas o senhor não dizia nada.
    - Solta ele Thais!
    Fred tentava acalma-la, mas nao dava muito resultado.
    - EU VOU TE MATAR SE NÃO ABRIR A BOCA!
    Então, uma porta abriu ao fundo da sala.
    Uma presença congelante, fez com que todos parassem de falar, até mesmo a irritada Thais.
    Ele era jovem, estava vestido elegantemente. Seu cabelos eram longos e castanhos. Seus olhos pareciam diamantes e seus sorriso era confiante e calmo.
     Thais soltou o velho em suas mãos e todos olharam boquiabertos para o jovem de beleza ímpar.
     - Sejam bem vindos - disse ele, com uma voz macia. - Meus amigos. estou feliz em finalmente tê-los aqui.
     Aquele rosto... nenhum deles tinham qualquer duvida...
     - O príncipe...- sussurrou Tatiana.

CONTINUA
    

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A outra parte de mim (VI)

  

 Ainda sem entender muito bem, Fred seguiu Tatiana para fora. Ele achou que ela iria surtar, virar lobo e dilacerar tudo, mas houve controle nela dessa vez. Ela "escolheu" virar lobo, e não só isso, sabia o que estava fazendo e até mesmo falou com ele.
    Enquanto a seguia, lembrou-se de como foi com ele: também era um furioso dilacerador. Quando conseguiu escapar, estava sozinho e todos os dias a besta o dominava e o fazia urrar alto de ódio. Matava animais, Sirens, Frogs e outros que encontrava no mato... Até que um dia, ele a conheceu... Uma menina esfarrapada que fugia desesperada. Atrás dela uma maldita Siren berrando e 3 guardas armados... Não era bem uma menina... era uma águia de cabeça branca, mas estava ferida e cansada, atiravam nela. Iria morrer, foi quando, ele sentiu uma força dentro dele, tão forte quanto àquela que a besta lhe trazia, mas, sem a raiva. Ele queria salva-la e algo dentro dele, concordava. Pulou no meio dos guardas e gritou para que parassem, mas ao invés de um grito, saiu um rugido; havia se transformado sem perceber. Todo o poder do tigre, e todo o controle da sua mente humana...
   - Me joga!
    Acordou com um grito grave da voz áspera da menina-lobo. Estava perdido em pensamentos. Tatiana apontava para cima: Umas 4 ou 5 Sirens cercavam Thaís, e ela parecia bem machucada.
    - Rápido! Me joga nelas!
    Tati abaixou-se próximo a ele, dando-lhe as costas. Fred a segurou firmemente pelos pelos e pelo couro, mirou e a atirou com toda sua força.
     Voou para cima delas e agarrou duas delas. As Sirens tentaram chutar e socar, mas não eram tão fortes, sua principal função não era combate, por isso agiam em grupo. Tati por outro lado era muito boa em combate e não importava que estava a dez metros do chão. Agarrou cada uma delas com uma mão e as enfiou de cara numa árvore enquanto caiam. Conforme caiam, o rostos das duas era esfregado na superfície da árvore, esfolando suas faces já deformadas. Quando finalmente atingem o chão, Tatiana socou com muita força as meninas nas costas. Socou até sentir os ossos delas partindo em seus punhos e até os gritos sumirem.
    Fred escalou muito rapidamente uma das arvores e saltou para ajudar Thaís com as outras duas. Seu pulo nao foi muito alto, mas foi o bastante para agarrar uma delas pelo pé e traze-la para o chão. Livre daquelas que a seguravam, a mulher-águia cravou seu bico no olho da ultima das Sirens, matando-a. Seu corpo sem vida caiu sobre pedras lá em baixo, espatifando-a. 
    O tigre segurava a Siren, impedindo-a de se mexer.
    - Mata ela! - gritou Tati, que ainda queria sentir sangue nas mãos.
    - Controle-se! voce acabou de dominar sua besta, quer perder o controle de novo?
    - Mas essa vadia gritadora tava tentando matar a Thaís!
   Fred virou a Siren de frente para Tatiana. A Siren estava rouca, mal conseguia gemer. Seus olhos esbugalhados estavam vertendo lágrimas e seus dentes sem lábios batiam um no outro, tremendo.
     - O que você vê? - gritou ele - o que vê?
  
Tati olhou para aqueles olhos terríveis, depois olhou para seus punhos peludos e sujos de sangue. Thaís pousou perto deles e começou a se converter para forma humana, ela não conseguia falar em forma de águia. 
   - Medo...- disse tristemente. baixou os braços e pensou que seria a hora de deixar de ser lobo.
     Alguma coisa dentro dela a consumia, cada vez que assumia aquela forma, uma sede de sangue infinita, raiva de tudo e todos. cada segundo transformada era como uma bomba relógio, mas aquela cena deplorável, da pobre Siren machucada e chorando a encheu de tristeza mais uma vez e seu corpo foi aos poucos diminuindo.
   -  Não há nada mesmo que possamos fazer por ela?- Perguntou Thaís, já conhecendo a resposta.
   Tanto as Sirens quanto os Frogs não podem viver sem os artefato tecnológicos que eles vestem, são sustentados e controlados por eles, quase como se fossem zumbis tecnológicos.
   - Sabe que não... quantos já tentamos salvar? Eu sei que você se sente responsável por elas, mas...
   Tati já estava na forma humana, estava chorando tambem. Aproximou-se da Siren que anda estava presa nos braços do tigre e lhe tocou o rosto.
  - O que fizeram com você? porque fizeram isso tudo?
    A Siren tremia, sua boca abria e fechava.
  - Parece que ela quer dizer algo! - disse Thaís. - Correu e segurou as mãos dela.
  - LO....- a voz dela era esganiçada e estridente. - LOCALIZAR...
    Até esse dia, nunca nenhuma delas falou com eles, até mesmo Fred ficou surpreso. Mesmo aquelas que eles tentaram salvar, gritaram até a morte.
   - Localizar o que? - perguntou Tatiana, quase gritando.
   - LOCALIZAR. EXTERMINAR... THAÍS ROSSI...TATIANA SANCHES...
   - Provavelmente são as ordens dela - disse Fred - devem estar comandando ela de algum lugar. Elas não tem mente ou vontade propria.
    - Mas se for isso Fred - continuou Thaís-  por que ela não mencionou seu nome?
    - E eu vou saber? - rugiu ele com sua poderosa voz de tigre - alguém aqui tem alguma ideia do que ta acontecendo? nem eu, lembra?
     - Sério? pois eu suspeito a certo tempo que você tá escondendo alguma coisa! eles te querem vivo e você sabe disso! e acho que você também sabe o porque!
     - Como assim? - pergunta Tati, secando as lágrimas.
     - Todo ataque é a mesma coisa e hoje não foi diferente. Sempre focam mais a mim do que ele. - olhou Fred - acho que te querem vivo... ou isso ou me odeiam muito!
      O tigre argumentou, se defendendo do que Thaís dizia, mas Tatiana não parava de olhar nos olhos da Siren. Qual seria o nome dela? de onde ela veio e quantos anos tinha? Olhou para trás e viu as duas que elas mesma esmagou. Eram iguais a ela, controladas, não tinham escolha. Sentiu-se a pior pessoa do mundo.
    - E agora vai me dizer o que? que eu sou um traidor?
    - Eu não disse nada disso! só que é bem estranho! e você não percebe ou finge que não!
    A discussão foi cortada por um grito de Tatiana.
     - Calem a boca os dois! - depois ela apontou para a Siren, que tentava dizer algo a mais.
     - MATEM...ME MATEM...
     - O que? não! não vamos...
     - POR FAVOR...- os olhos dela não paravam de verter lágrimas.
     - Nos vamos ajudar você vamos...
     Os braços do tigre apertaram o pescoço da Siren com força e torceram. Um "creck" pôde ser claramente ouvido. Ela afrouxa os braços e ela cai mole no chão.
    - Não... você...
    Ela cai de joelho, chorando. A menina não se mexia ou gemia mais. Morreu.
    - Essa é a nossa realidade, Tatiana. Por mais que elas sejam inocentes, são nossas inimigas e nos querem mortos... contrario do que a Thaís tá inventando.
    - Não to inventando nada! só to dizendo que você tá cego pra uma possível verdade!
    - E se isso for verdade? - rosnou ele com raiva pra cima dela.
    Ela não se afastou, ficou firme e se aproximou dele.
    - Se for, fico feliz - tocou o rosto felino dele gentilmente - porque não vou ter que te ver morrendo.
   Aquele gesto desarmou totalmente o rapaz.
     - Não quero que você morra. É meu herói, alias, nosso herói. Você é bem rude, mas sei que é uma boa pessoa, você se arriscou por mim, pela Tatiana e por todas aquelas crianças. Se for verdade que não te querem morto, nossas chances de sobreviver. - suas mãos pequenas seguraram as enormes patas de tigre dele- aumentam.
    Se abraçaram e Fred voltou a forma humana.
    - Obrigado por estar aqui. - disse ele.
    - Alguém tem que cuidar do gatinho nervoso - riu ela.
   A noite já estava caindo, e eles precisavam encontrar outro esconderijo. aquele estava coberto de sangue e corpos de todos os tipos e marcado por muita tristeza.
    Algumas horas depois, os três amigos estavam sentados ao redor de uma fogueira, perto de uma construção natural de pedras, era a nova casa até os Frogs os encontrarem.
    Tatiana olhava para a fogueira, mas sua mente estava naqueles olhos. Ela estava horrorizada mas não podia deixar de concordar com Fred. " elas não tem salvação".
    - Tati, você conseguiu se transformar por vontade própria hoje, o Fred me contou. E se manteve sobre controle o tempo todo.
    - Não o tempo todo...- respondeu sem tirar os olhos da fogueira. - Eu sempre deixava a raiva me levar e a raiva me fazia virar "aquilo", mas hoje, quando eu vi que eles mataram as crianças eu... senti raiva sim, mas eu tava muito triste, me senti destruída então eu... sabia, que aquilo tinha que acabar. Eu implorei para a outra parte de mim vir, e me ajudar a acabar com aquilo, porque era errado. Foi isso.
    - Não foi diferente de mim, na verdade. Eu queria salvar a Thaís e quando vi, eu era eu e "ele" ao mesmo tempo.
    - Aquela Siren... foi horrível...
    - Eu sinto muito por aquilo, mas você precisa estar totalmente ciente da nossa situação aqui. Não há o que fazer, não temos como lutar para sempre, eles sempre continuam vindo em números infinitos. E se acharmos um barco e sairmos e depois? não somos mais pessoas normais.
    - Nossas vidas não são nada e não podemos ser salvos - continuou Thaís - mas podemos por um fim naquilo. Acabar com a dor daquelas crianças.
    - Você voa, nunca pensou em fugir? - perguntou Tati.
    - E ir pra onde? não sei onde estou nem pra onde ir... além do que... eu não posso abandonar o Fred e as crianças... e agora, temos você. Mais um motivo para eu ficar.
    - Você ta certa. - disse ele - temos poder, vencemos muitas batalhas. Nossas vidas já estão perdidas, vamos acabar com isso. Vamos dar a eles muitos motivos para se preocupar.
    - Eu não sei o que fizeram comigo nem o que sao essas cicatrizes. Mas eu vou me certificar de que eles vão se arrepender de ter me criado.
    Thaís e Fred estavam determinados, a alma deles queimava como a fogueira que aquecia suas mãos. Tati sabia que eles estavam certos. Ela tinha medo, mas aquilo o que vivenciou hoje... era enlouquecedor. Melhor morrer do que ter que viver assim...
     - E se for pra morrer. - disse a pequena - que seja lutando. Se for pra cair, que seja pra cair matando cada um dos desgraçados responsáveis por isso.
     Fred olhou pra ela com um sorriso confiante.
     - Comam todo o peixe e durmam bem - disse - Pois amanha isso acaba. para nós ou para eles.

CONTINUA

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Sonic. EXE


    Olá. O que passo a relatar aqui será visto como insano, ou sonho. É o que todos dizem para mim, por mais que eu tente provar, mas eu vi, eu sei que vi. Cabe a você, quem quer que seja, acreditar ou não.
   Como toda criança na minha época, eu era fã do Sonic. Sonic e Mario eram os jogos favoritos de quase todo mundo, mas, alguns ficavam mais com o Sonic e outros com o Mario. Eu era mai da turma do azulzinho veloz; meus pais não em deixavam brincar na rua e me davam videogames para passar o tempo, acho que esse foi um dos principais motivos de eu sempre gostar mais do Sonic, ele é livre, pode correr para qualquer lugar e é super rápido; tem muitos amigos e salva os animais. No entanto conforme o tempo passava, a franquia começou a crescer e ganhar plataformas em 3d, o que mudou muito a jogabilidade original e eu aos poucos fui deixando de gostar da saga.
   A vida passa, a infância acaba e a vida adulta chega; hora de deixar o velhos herois de lado e encarar a realidade. Adultos não jogam, adultos estudam e trabalham e foi o que eu fiz entrei pra faculdade;mal tinha tempo para as coisas que eu gostava, quem dirá, jogar vídeo game, que era coisa de criança a toa.
   Um dia porém, mexendo numa caixas de coisas velhas, encontrei meu empoeirado e antigo mega drive. Ao toca-lo, foi como se todas as boas memórias e infância tivessem voltado á mim, lembrei das tardes que passava sentado no chão da sala, tomando coca e jogando ele, e das madrugadas, que jogava escondido da minha mãe. Rejuvenesci na mesma hora: as musicas, os sons, as sequencias de botões, tudo veio à mente, junto com uma enorme vontade de jogar mais uma vez.
    Tirei o pó de cima dele e o liguei na tv do meu quarto e para meu espanto, funcionou! Meu cartucho do Sonic não funcionava mais, infelizmente, entao, coloquei Streets of rage para jogar um pouco, mas logo cansei, não era bem o que eu queria. Então, calcei o tenis, vesti um boné e saí para o centro da cidade, procurar uma dessas lojinha de eletrônicos, onde se encontra coisas velhas quem ninguém mais quer.
     Depois de algum tempo procurando, eu encontrei uma dessas lojas, fui ao vendendo e perguntei: Você teria ai o cartucho do Sonic? aquele antigão mesmo.
        Mal terminei a pergunta o o cara respondeu:
     -   Tenho um aqui sim.
     Ele buscou atra´s do balcão e me entregou um cartucho totalmente preto, sem rotulo, apenas um uma fita branca colocada na frente com o dizeres "Sonic". Torci o nariz, com razão, e o homem continuou:
     - Esse cartucho ta sempre voltando pra cá e considerando as péssimas condições dele, eu te faço por 10 reais, o que acha?
     Considerando que aquilo fosse mesmo Sonic, estava o preço muito bom, afinal, o valor sentimental que eu tinha por aquele jogo era muito maior do que isso. Como eu tinha exatamente 10 reais no bolso comprei-o, atirando a nota sobre o balcão quase automaticamente.
      Corri pra casa para pode jogar logo; em todos aqueles anos que eu deixei de lado os vídeo games, que me forcei a crescer, eu esqueci como é legal e divertido gastar um tempo relaxando com games eletrônicos, e eu estava prestes a reviver isso tudo. Mas antes não tivesse.
       Liguei o jogo e fiquei feliz em ver que era mesmo Sonic. A tela de entrada, com sorrindo sorrindo confiante e agitando o dedo como sempre, porém.... quando apertei start, algo muito bizarro aconteceu que me fez pular do sofá: o céu ficou totalmente escuro, o mar, vermelho como sangue. O sorrio confiante de Sonic era agora um sorriso maligno e seus olhos totalmente negros com um ponto vermelho no meio, era como se a tela de inicio tivesse ido para inferno!
     O jogo nao começou como antes. A invés de ir para Green Hill zone, fui levado a uma tela vermelha com save files, porém, sem a opção de escolhe-los, a não ser uma delas. As outras duas estavam trancadas com um ícone de cadeado, e a musica do fundo era assustadora! era uma versão distorcia e demoníaca da musica da "data select" de sonic, mas num tom melancólico e macabro, como nunca ouvi antes. O Slot disponível tinha apenas a figura de Tails selecionada, tentei apertar tudo, mas parece que apenas poderia jogar com Tails sozinho. Eu odiava ele, queria o Sonic, mas nao parecia ter opção, era como se o jogo quisesse que eu fosse o Tails. Apertei start para seleciona-lo... a luz do meu abajur oscilou quase que na mesma hora. gelei.
      Uma tela preta apareceu na sequencia, onde normalmente estaria escrita o nome da fase( Greenhill zone) apareceu uma mensagem em inglês "Bem vindo de volta". Como assim? o jogo estava falando comigo? em seguida sou jogado na Greenhill zone, mas tudo é apenas uma reta. Começo a correr com Tails e a musica do fundo para estar tocando de trás pra frente. Aquele som estava entrando na minha mente como uma agulha. passos por varias árvores e pedras normais do cenários mas eis que então começam a aparecer rastros de sangue e destroços de animais por toda parte. Continuo a correr para frente, pois a tela trava e não me deixava recuar. Continuei a correr por aquele cenário horrível até que encontrei Sonic. Tails pára de correr, e sem que eu pudesse controla-lo ele caminhou até Sonic. Sonic que estava de braços cruzado e olhos fechados, abriu-os e seus olhos estavam vermelhos como na tela de abertura. A tela escureceu e eu ouvi uma risada que parecia vir de todos os cantos do meu quarto e uma mensagem apareceu na tela, " VOCÊ QUER BRINCAR COMIGO?"
     Em seguida, surgiu a mensagem de título de fase, como aparece em todas a fases que você acaba de entrar, mas ao invés de aparecer o nome de uma fase, apareceu ": esconde esconde".
      A tela seguinte era pavorosa: estava tudo em chamas, Tails estava parado com uma expressão de medo e ele apontava para mim! isso mesmo, para mim, ou para algo atrás de mim. Naquela hora senti um arrepio subindo pelas costas, mas resisti a tentação de olhar para trás. Peguei o controle, suando e comandei Tails a correr por entre aquela terra abrasada. Tão logo ele começou a correr, aquela risada assustadora mais uma vez pode ser ouvida por todo meu quarto, e a imagem do Sonic demoníaco surgiu, correndo atrás de Tails. Eu apertava com força o controlador para que ele fugisse, mas Sonic estava cada vez mais perto, e o que era pior, aquela musica desesperadora de quando se está morrendo afogado no jogo, começou a tocar. Conforme a musica acelerava, Sonic chegava mais e mais perto de Tails.
     Eu estava muito apavorado, eu sabia que algo bom não iria sair daquilo. Quando Sonic finalmente tocou Tails, ele sumiu... e então eu vi Tails, me encarando e chorando. Eu nunca vi tal animação antes, Tails estava olhando para mim e chorando desesperadamente como se implorasse minha ajuda....
     Então Sonic apareceu do nada, na frente dele, com as mãos em sua direção agarrou-o... em toda minha vida, eu nunca tinha ouvido um grito tão aterrador, tão assustador... a tela escureceu, mas o grito de Tails continuou por uns segundos, ecoando meu quarto todo...e meu abajur oscilou mais uma vez.
      Silêncio.
      Mais uma vez ouvi aquela risada e então outra mensagem na minha tela: "VOCÊ FOI MUITO LENTO. QUER BRINCAR DE NOVO?"
      Mais uma vez a tela de "data select" apareceu, mas desta vez, Tails estava cinzento e com lágrimas de sangue escorrendo pelo rosto. Meu deus! Tails estava morto? Sonic o matou enquanto eu jogava? isso não pode ser real, é só um jogo! e jogos são coisas de crianças! coisas divertidas!
      A tela de data select agora indicava que era a vez de Knuckles, o outro amigo, que eu também não achava legal... Sonic queria que eu o visse morrrer? Estava apavorado, mas muito curioso. Apaguei meu abajur e apertei start, selecionado-o. 
      O nome da próxima fazer era "VOCÊ NÃO PODE CORRER" . Era a chemical Plant, mas estava tudo destruído. Knuckles corria para direita e como tails, nao podia voltar, Corri. A certo ponto, o chão começou a ficar coberto por sangue. Continuei a correr sem me importar,quando, a maldita risada de Sonic, que sempre que causava a arrepios soou de novo. Ele aparecia e sumia em flashes, cercando Knuckles, a cada aparição, eu tinha menos espaço para me movimentar, quando então Knuckles cai ao chão exausto e Sonic aparece por trás dele com aquela cara demoníaca....
      A tela apagou e mais uma vez ouvi um grito, dessa vez, de Knuckles. O grito era tão terrível e assustador quanto o de Tails... Meu coração estava acelerado, quem seria agora?
       De volta à tela de data select, assim como Tails, Knuckles estava cinzento e sem vida, chorando sangue, e, para minha surpresa, o próximo slot pertencia ao Dr. Robotinik. Mesmo sabendo o que aconteceria a seguir, eu apertei start.
     A fase seguinte se chamava " ..."
      Robotinik estava seu laboratório, ma haviam marcas de sangue por toda parte. Comecei a correr com ele, mas era um pouco diferente, ele parecia chorar enquanto corria, era como se ele soubesse do que estava por vir; todos morreram, só sobrava ele. Seu laboratorio em ruinas passava por ele, enquanto eu o fazia correr desesperadamente.
      A maldita risada de Sonic ecoava por toda parte e muitas vezes eu sentia como se ele estivesse bem atrás de mim! como se aquilo fosse um castigo por tê-lo esquecido por tanto anos!
      Robotinik correu até a saída do laboratório, onde Sonic o esperava, com um largo sorriso e olhos vermelhos. O Doutor chorava desesperado, quando então a tela escureceu e num flash, surgiu uma imagem que nunca mais consegui esquecer, que sempre que fecho os olhos, eu vejo na minha mente. O rosto de Sonic, deformado, enorme na minha televisão, dizendo "EU SOU DEUS."

  Essa imagem permaneceu estática ai, não importava o que eu fizesse. Apertei o start mais uma vez e a tela mudou para uma cena com Tails, Knuckles e Ronotinik com as cabeças decepadas, e entre eles, Sonic, olhando para mim, com aquele par de olhos frios, como se me dissesse " você é o próximo".
      Pra mim chega! corri até o console para tirar aquele cartucho dali, nunca mais queria vê-lo de novo! minha infância fora totalmente destruída e eu jamais poderia fechar os olhos novamente sem lembrar daquele olhar que me julgava, mas para terminar meu desespero, logo que pus a mão sobre o cartucho para puxa-lo, a cena dos amigos estripados mudou e ai sim, eu percebi... que Sonic estava mandando uma mensagem para mim.... Deus, eu queria nunca... Deus...
 
( esta carta foi encontrada dias depois, no corpo de um homem de 23 anos, trancado no banheiro. Seu cadáver estava em posição fetal e era difícil identificar a causa da morte. Nas paredes, uma frase escrita em sangue: você não pode correr.)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A outra parte de mim (V)

     Fred e Tati se viram para trás. Thaís apontava para a mata de onde eles vieram. Os arbustos estavam se mexendo, as copas das árvores também, como se muitas pessoa estivessem andando por eles.

- são as Sirens? - perguntou a pequena, secando as lágrimas.
- Não... são os Frogs... 



segunda-feira, 24 de junho de 2013

A outra Parte de mim (IV)



Tatiana segurou a mão de Thaís para ficar de pé, ainda assustada com aquilo tudo: a prisão, a floresta, sua transformação em monstro, a garota voadora que grita e agora... Thaís...a mulher-águia, que depois de bicar até a morte a gritadora, transforma-se em humana e lhe estende a mão, oferecendo sorriso e segurança.
    • Vamos, temos que ir a um lugar seguro, se ficarmos aqui muito tempo...