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segunda-feira, 15 de julho de 2013

A outra parte de mim (VI)

  

 Ainda sem entender muito bem, Fred seguiu Tatiana para fora. Ele achou que ela iria surtar, virar lobo e dilacerar tudo, mas houve controle nela dessa vez. Ela "escolheu" virar lobo, e não só isso, sabia o que estava fazendo e até mesmo falou com ele.
    Enquanto a seguia, lembrou-se de como foi com ele: também era um furioso dilacerador. Quando conseguiu escapar, estava sozinho e todos os dias a besta o dominava e o fazia urrar alto de ódio. Matava animais, Sirens, Frogs e outros que encontrava no mato... Até que um dia, ele a conheceu... Uma menina esfarrapada que fugia desesperada. Atrás dela uma maldita Siren berrando e 3 guardas armados... Não era bem uma menina... era uma águia de cabeça branca, mas estava ferida e cansada, atiravam nela. Iria morrer, foi quando, ele sentiu uma força dentro dele, tão forte quanto àquela que a besta lhe trazia, mas, sem a raiva. Ele queria salva-la e algo dentro dele, concordava. Pulou no meio dos guardas e gritou para que parassem, mas ao invés de um grito, saiu um rugido; havia se transformado sem perceber. Todo o poder do tigre, e todo o controle da sua mente humana...
   - Me joga!
    Acordou com um grito grave da voz áspera da menina-lobo. Estava perdido em pensamentos. Tatiana apontava para cima: Umas 4 ou 5 Sirens cercavam Thaís, e ela parecia bem machucada.
    - Rápido! Me joga nelas!
    Tati abaixou-se próximo a ele, dando-lhe as costas. Fred a segurou firmemente pelos pelos e pelo couro, mirou e a atirou com toda sua força.
     Voou para cima delas e agarrou duas delas. As Sirens tentaram chutar e socar, mas não eram tão fortes, sua principal função não era combate, por isso agiam em grupo. Tati por outro lado era muito boa em combate e não importava que estava a dez metros do chão. Agarrou cada uma delas com uma mão e as enfiou de cara numa árvore enquanto caiam. Conforme caiam, o rostos das duas era esfregado na superfície da árvore, esfolando suas faces já deformadas. Quando finalmente atingem o chão, Tatiana socou com muita força as meninas nas costas. Socou até sentir os ossos delas partindo em seus punhos e até os gritos sumirem.
    Fred escalou muito rapidamente uma das arvores e saltou para ajudar Thaís com as outras duas. Seu pulo nao foi muito alto, mas foi o bastante para agarrar uma delas pelo pé e traze-la para o chão. Livre daquelas que a seguravam, a mulher-águia cravou seu bico no olho da ultima das Sirens, matando-a. Seu corpo sem vida caiu sobre pedras lá em baixo, espatifando-a. 
    O tigre segurava a Siren, impedindo-a de se mexer.
    - Mata ela! - gritou Tati, que ainda queria sentir sangue nas mãos.
    - Controle-se! voce acabou de dominar sua besta, quer perder o controle de novo?
    - Mas essa vadia gritadora tava tentando matar a Thaís!
   Fred virou a Siren de frente para Tatiana. A Siren estava rouca, mal conseguia gemer. Seus olhos esbugalhados estavam vertendo lágrimas e seus dentes sem lábios batiam um no outro, tremendo.
     - O que você vê? - gritou ele - o que vê?
  
Tati olhou para aqueles olhos terríveis, depois olhou para seus punhos peludos e sujos de sangue. Thaís pousou perto deles e começou a se converter para forma humana, ela não conseguia falar em forma de águia. 
   - Medo...- disse tristemente. baixou os braços e pensou que seria a hora de deixar de ser lobo.
     Alguma coisa dentro dela a consumia, cada vez que assumia aquela forma, uma sede de sangue infinita, raiva de tudo e todos. cada segundo transformada era como uma bomba relógio, mas aquela cena deplorável, da pobre Siren machucada e chorando a encheu de tristeza mais uma vez e seu corpo foi aos poucos diminuindo.
   -  Não há nada mesmo que possamos fazer por ela?- Perguntou Thaís, já conhecendo a resposta.
   Tanto as Sirens quanto os Frogs não podem viver sem os artefato tecnológicos que eles vestem, são sustentados e controlados por eles, quase como se fossem zumbis tecnológicos.
   - Sabe que não... quantos já tentamos salvar? Eu sei que você se sente responsável por elas, mas...
   Tati já estava na forma humana, estava chorando tambem. Aproximou-se da Siren que anda estava presa nos braços do tigre e lhe tocou o rosto.
  - O que fizeram com você? porque fizeram isso tudo?
    A Siren tremia, sua boca abria e fechava.
  - Parece que ela quer dizer algo! - disse Thaís. - Correu e segurou as mãos dela.
  - LO....- a voz dela era esganiçada e estridente. - LOCALIZAR...
    Até esse dia, nunca nenhuma delas falou com eles, até mesmo Fred ficou surpreso. Mesmo aquelas que eles tentaram salvar, gritaram até a morte.
   - Localizar o que? - perguntou Tatiana, quase gritando.
   - LOCALIZAR. EXTERMINAR... THAÍS ROSSI...TATIANA SANCHES...
   - Provavelmente são as ordens dela - disse Fred - devem estar comandando ela de algum lugar. Elas não tem mente ou vontade propria.
    - Mas se for isso Fred - continuou Thaís-  por que ela não mencionou seu nome?
    - E eu vou saber? - rugiu ele com sua poderosa voz de tigre - alguém aqui tem alguma ideia do que ta acontecendo? nem eu, lembra?
     - Sério? pois eu suspeito a certo tempo que você tá escondendo alguma coisa! eles te querem vivo e você sabe disso! e acho que você também sabe o porque!
     - Como assim? - pergunta Tati, secando as lágrimas.
     - Todo ataque é a mesma coisa e hoje não foi diferente. Sempre focam mais a mim do que ele. - olhou Fred - acho que te querem vivo... ou isso ou me odeiam muito!
      O tigre argumentou, se defendendo do que Thaís dizia, mas Tatiana não parava de olhar nos olhos da Siren. Qual seria o nome dela? de onde ela veio e quantos anos tinha? Olhou para trás e viu as duas que elas mesma esmagou. Eram iguais a ela, controladas, não tinham escolha. Sentiu-se a pior pessoa do mundo.
    - E agora vai me dizer o que? que eu sou um traidor?
    - Eu não disse nada disso! só que é bem estranho! e você não percebe ou finge que não!
    A discussão foi cortada por um grito de Tatiana.
     - Calem a boca os dois! - depois ela apontou para a Siren, que tentava dizer algo a mais.
     - MATEM...ME MATEM...
     - O que? não! não vamos...
     - POR FAVOR...- os olhos dela não paravam de verter lágrimas.
     - Nos vamos ajudar você vamos...
     Os braços do tigre apertaram o pescoço da Siren com força e torceram. Um "creck" pôde ser claramente ouvido. Ela afrouxa os braços e ela cai mole no chão.
    - Não... você...
    Ela cai de joelho, chorando. A menina não se mexia ou gemia mais. Morreu.
    - Essa é a nossa realidade, Tatiana. Por mais que elas sejam inocentes, são nossas inimigas e nos querem mortos... contrario do que a Thaís tá inventando.
    - Não to inventando nada! só to dizendo que você tá cego pra uma possível verdade!
    - E se isso for verdade? - rosnou ele com raiva pra cima dela.
    Ela não se afastou, ficou firme e se aproximou dele.
    - Se for, fico feliz - tocou o rosto felino dele gentilmente - porque não vou ter que te ver morrendo.
   Aquele gesto desarmou totalmente o rapaz.
     - Não quero que você morra. É meu herói, alias, nosso herói. Você é bem rude, mas sei que é uma boa pessoa, você se arriscou por mim, pela Tatiana e por todas aquelas crianças. Se for verdade que não te querem morto, nossas chances de sobreviver. - suas mãos pequenas seguraram as enormes patas de tigre dele- aumentam.
    Se abraçaram e Fred voltou a forma humana.
    - Obrigado por estar aqui. - disse ele.
    - Alguém tem que cuidar do gatinho nervoso - riu ela.
   A noite já estava caindo, e eles precisavam encontrar outro esconderijo. aquele estava coberto de sangue e corpos de todos os tipos e marcado por muita tristeza.
    Algumas horas depois, os três amigos estavam sentados ao redor de uma fogueira, perto de uma construção natural de pedras, era a nova casa até os Frogs os encontrarem.
    Tatiana olhava para a fogueira, mas sua mente estava naqueles olhos. Ela estava horrorizada mas não podia deixar de concordar com Fred. " elas não tem salvação".
    - Tati, você conseguiu se transformar por vontade própria hoje, o Fred me contou. E se manteve sobre controle o tempo todo.
    - Não o tempo todo...- respondeu sem tirar os olhos da fogueira. - Eu sempre deixava a raiva me levar e a raiva me fazia virar "aquilo", mas hoje, quando eu vi que eles mataram as crianças eu... senti raiva sim, mas eu tava muito triste, me senti destruída então eu... sabia, que aquilo tinha que acabar. Eu implorei para a outra parte de mim vir, e me ajudar a acabar com aquilo, porque era errado. Foi isso.
    - Não foi diferente de mim, na verdade. Eu queria salvar a Thaís e quando vi, eu era eu e "ele" ao mesmo tempo.
    - Aquela Siren... foi horrível...
    - Eu sinto muito por aquilo, mas você precisa estar totalmente ciente da nossa situação aqui. Não há o que fazer, não temos como lutar para sempre, eles sempre continuam vindo em números infinitos. E se acharmos um barco e sairmos e depois? não somos mais pessoas normais.
    - Nossas vidas não são nada e não podemos ser salvos - continuou Thaís - mas podemos por um fim naquilo. Acabar com a dor daquelas crianças.
    - Você voa, nunca pensou em fugir? - perguntou Tati.
    - E ir pra onde? não sei onde estou nem pra onde ir... além do que... eu não posso abandonar o Fred e as crianças... e agora, temos você. Mais um motivo para eu ficar.
    - Você ta certa. - disse ele - temos poder, vencemos muitas batalhas. Nossas vidas já estão perdidas, vamos acabar com isso. Vamos dar a eles muitos motivos para se preocupar.
    - Eu não sei o que fizeram comigo nem o que sao essas cicatrizes. Mas eu vou me certificar de que eles vão se arrepender de ter me criado.
    Thaís e Fred estavam determinados, a alma deles queimava como a fogueira que aquecia suas mãos. Tati sabia que eles estavam certos. Ela tinha medo, mas aquilo o que vivenciou hoje... era enlouquecedor. Melhor morrer do que ter que viver assim...
     - E se for pra morrer. - disse a pequena - que seja lutando. Se for pra cair, que seja pra cair matando cada um dos desgraçados responsáveis por isso.
     Fred olhou pra ela com um sorriso confiante.
     - Comam todo o peixe e durmam bem - disse - Pois amanha isso acaba. para nós ou para eles.

CONTINUA

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A outra parte de mim III

           

           As crianças se apertam umas às outras, com medo. O Tigre encara a menina lobo com seriedade; logo outros guardas ou coisa pior apareceriam ali, mas ele tinha que fazer algo para proteger as crianças que ainda estavam vivas.

       A loba pula sobre o tigre, tentando rasga-lo com unhas e dentes, mas é habilidosamente imobilizado pelo oponente; o tigre branco segura as mãos da loba, impedindo o ataque. Depois, acerta uma joelhada no estomago dela. Ainda segurando-a pelos pulsos, ele a arremessou de cabeça contra o muro. Estava seguro da força dela, sabia que aqueles golpes não a matariam, mas quem sabe a dor a assustasse?

terça-feira, 28 de maio de 2013

Prisão.


Por: Franz Lima.

Meus pensamentos se perdem diante da imagem refletida. Não há mais o homem que outrora fui. O reflexo mostra apenas um pálido e frágil indivíduo. O reflexo indica uma verdade que há muito eu fingi não ver: eu estava morto.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

À prova de bala

    
  Eu tava voltando pra casa, era uma quarta-feira à noite, você sabe, eu saio as 9 da noite as quartas, não sabe? Como sempre, eu cortei caminho pela praça, só pra passar por perto da nossa árvore... Sempre quis gravar nossos nomes naquela árvore, mas nunca fiz isso, porque, sinceramente, é bem brega.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lírio

Por: R. Giraldi


 Em cima de um muro, num lugar escuro, foi onde eu a encontrei. Um único poste iluminava o lugar, eu mal conseguia ver seu rosto. Era pequena, braços e pernas miúdas. Estava sentada no alto do muro, balançando os pezinhos. A pouca luz me revelou cabelos castanhos, olhos gentis e um sorriso brincalhão. Olhei-a. Meus olhos miravam seu rosto, estava quase à minha altura, Senti um arrepio na espinha, não era normal uma menina daquele tamanho, sozinha num lugar como aquele.
    Abri a boca, mas palavra nenhuma me veio a mente para falar, eu realmente não consegui pensar em nada.
    "Boa noite" ela me disse fechando os olhos e sorrindo.
    “Quem é você?” tentei perguntar.
    Ela abriu seus olhos, ainda agitando os pés.
     "Alguém", respondeu-me.
     Desci meus olhos por seu corpo pequeno. Ela tinha a pele muito branca e manchas de sangue nas pernas.
    “Quer ajuda?” Perguntei. Ela sorriu mais uma vez.
    "Não. Quero um amigo. Brinca comigo?"
    Emudeci.
    Arrisquei um passo à frente, meus olhos já estavam se acostumando com a baixa luz. Seu rosto ganhou um pouco mais de forma diante de meus olhos; era redondo e branco, sendo os lábios, igualmente, mas o que me chamou atenção foram marcas escuras em suas bochechas, como se fossem hematomas. Não só no rosto. Nos braços e pernas também. Alguém a feriu, definitivamente.

sábado, 11 de maio de 2013

Por Entre as Rosas.


Por: Ramon Giraldi



O raio de sol atravessou as frestas da janela, atingindo os olhinhos de garota que dormia. Ela torceu o rosto, fazendo uma careta devido à luz. Em seguida veio um longo bocejo. Tentou abrir os olhos, mas precisou esfregá-los com as mãos, antes de conseguir abri-los totalmente.

    No segundo seguinte, pulou da cama, jogando o edredom para o lado; era como se sua preguiça matinal estivesse acabado em um segundo. Cambaleou até a janela e abriu com pressa. O sol brilhava suave no céu, parece ser um lindo dia, mas ela estava pouco interessada no quão bonito ou feio o clima poderia estar. Seus olhinhos correram pelo chão de grama e pela cerca de madeira branca. A cerca era formada de tabuas brancas enfileiradas. Rente à cerca, uma roseira de rosas vermelhas da sua mãe, e do outro lado, a casa de Jaqueline, sua vizinha.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ouço.


Por: Franz Lima.
Qual o som do silêncio? Esta pergunta sempre ronda os que amam Alan, nascido como surdo-mudo. Ninguém jamais ouviu um som sequer vindo dele. Ele também jamais ouviu um único ruído. Mas havia algo que o fazia se tornar uma pessoa diferente: sua beleza.
Desde pequeno o menino destacou-se por uma face quase angelical. Olhos de um azul muito claro, rosto perfeito e um sorriso que cativaria até o mais nefasto dos seres humanos. Não havia como não amar aquela criança e foi assim que o menino cresceu e transformou-se em um homem.
Mas não há como narrar essa história sem destacar que o homem foi moldado à base de muita malícia. E o que poderiam esperar as pessoas de um indivíduo que teve tudo por ser 'especial'? Usando sua limitação física, Alan cresceu como um manipulador. Ele obtinha tudo que desejasse, bastando apelar para sua condição de surdo-mudo. Diante das pessoas, não ouvir ou falar eram condições torturantes, algo próximo do sofrimento absoluto e, por isso, todos faziam o máximo para agradar a criança. 
O pai do jovem foi o principal responsável por essa involução. Joaquim cobriu-o de presentes, fez todas as suas vontades e jamais lhe disse um único não. Negar algo para Alan era inconcebível para seu pai.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Limites


Qualquer um, independente de como as use, sabe que há algo de maligno e corrosivo nas estradas (e no mundo). Principalmente, naquelas que seguem em linha reta, cruzando várias vidas e lugares diferentes e, assim, permitindo que homens e mulheres em seus veículos esqueçam-se daquele conceito antiquado e pueril chamado de “limite de velocidade”.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Atormentado.



Por: Franz Lima
Muitos estranharam aquele homem que corria desvairadamente. Poucos notaram que seus olhos estavam injetados de sangue, fruto do esforço e do pânico. Só ele sabia o que estava ocorrendo.
Suas pernas começaram a fraquejar mas seus instintos determinaram que continuasse a correr. Parar diante do que o perseguia do que o perseguia era, certamente, uma sentença de morte. Foi esse o destino de sua mulher, Maria, e de seu filho com apenas 8 meses, José. Eles foram assassinados brutalmente, com absoluta ausência de piedade. José foi o primeiro...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Ao teu leve toque, despeço-me.

Sinto-a aproximar-se de mim com a brisa. Teu perfume vem sutilmente com o ar.
Nervoso, procuro-a com olhos assustados. Não a vejo. Quanto tempo se passou, desde a última vez em que nos vimos? Ainda guardo boas lembranças do nosso último encontro. Você estava bela e feliz em seu vestido negro. Uma verdadeira dama das sombras.
Sei que queria levar-me junto a ti, mas fomos bruscamente impedidos. Será que realmente eles fizeram o que era certo?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A benção da morte.



Eu sei que ela existe. Não do modo como as pessoas pensam. Não a mitológica figura com a foice e sua capa negra, ceifando vidas e conduzindo os mortos ao limbo. Definitivamente, ela existe. E para ser mais sincero, acho que a palavra “ela”, não se aplica. Não há sexo entre os anjos. Com certeza não há.
Desde pequeno eu persigo a oportunidade de vê-la. Minha avó sempre dizia que aqueles que viam a morte frente a frente estavam destinados a receber seu abraço e, com isso, findar sua existência. Porém, o que mais me chamava a atenção era que, segundo as lendas, o homem que a visse ceifando uma vida, no exato momento do toque fatal, receberia o dom da imortalidade. Seria como se a morte se tornasse o seu anjo da guarda, impedindo o mal de se aproximar de você. Interessante, não?
Assim, movido por esse desejo, tornei-me repórter fotográfico de um grande jornal do Rio de Janeiro. Dizer que já presenciei inúmeras mortes, como profissional, torna-se irrelevante, já que sou repórter policial. Retratar a desgraça e a morte é meu passatempo. Não é um obrigação... é um prazer.
Anos se passaram desde meu início como fotógrafo. Sempre busquei estar nos lugares onde o caos reinava. Neles, eu teria a oportunidade buscada desde menino. A oportunidade de encarar a morte nos olhos. A chance de encarar o anjo da morte no instante em que cumpre sua missão. Não havia outro meio de me tornar imortal... e meu tempo estava passando. A cada novo dia, o abraço se aproxima. O beijo da morte se torna mais tangível.
Eu não quero morrer...