Pages

Mostrando postagens com marcador Culpa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Culpa. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lírio

Por: R. Giraldi


 Em cima de um muro, num lugar escuro, foi onde eu a encontrei. Um único poste iluminava o lugar, eu mal conseguia ver seu rosto. Era pequena, braços e pernas miúdas. Estava sentada no alto do muro, balançando os pezinhos. A pouca luz me revelou cabelos castanhos, olhos gentis e um sorriso brincalhão. Olhei-a. Meus olhos miravam seu rosto, estava quase à minha altura, Senti um arrepio na espinha, não era normal uma menina daquele tamanho, sozinha num lugar como aquele.
    Abri a boca, mas palavra nenhuma me veio a mente para falar, eu realmente não consegui pensar em nada.
    "Boa noite" ela me disse fechando os olhos e sorrindo.
    “Quem é você?” tentei perguntar.
    Ela abriu seus olhos, ainda agitando os pés.
     "Alguém", respondeu-me.
     Desci meus olhos por seu corpo pequeno. Ela tinha a pele muito branca e manchas de sangue nas pernas.
    “Quer ajuda?” Perguntei. Ela sorriu mais uma vez.
    "Não. Quero um amigo. Brinca comigo?"
    Emudeci.
    Arrisquei um passo à frente, meus olhos já estavam se acostumando com a baixa luz. Seu rosto ganhou um pouco mais de forma diante de meus olhos; era redondo e branco, sendo os lábios, igualmente, mas o que me chamou atenção foram marcas escuras em suas bochechas, como se fossem hematomas. Não só no rosto. Nos braços e pernas também. Alguém a feriu, definitivamente.

sábado, 16 de março de 2013

Marcado.

Por: Roberta Spindler.

O homem despertou no meio da madrugada com um grito angustiado. A escuridão o envolvia como um cobertor. Com a respiração entrecortada e um suor frio escorrendo pelo peito nu, ele sentou na cama e puxou a cordinha do abajur que se localizava no criado-mudo à esquerda. A luz fez seus olhos arderem e revelou uma cena assustadora. Seus lençóis e braços estavam cobertos por sangue, pegadas de lama cobriam o chão do pequeno quarto e um odor ferroso tomava conta do ar.