Por: R. Giraldi
Em
cima de um muro, num lugar escuro, foi onde eu a encontrei. Um único
poste iluminava o lugar, eu mal conseguia ver seu rosto. Era pequena,
braços e pernas miúdas. Estava sentada no alto do muro, balançando os
pezinhos. A pouca luz me revelou cabelos castanhos, olhos gentis e um
sorriso brincalhão. Olhei-a. Meus olhos miravam seu rosto, estava quase à
minha altura, Senti um arrepio na espinha, não era normal uma menina
daquele tamanho, sozinha num lugar como aquele.
Abri a boca, mas palavra nenhuma me veio a mente para falar, eu realmente não consegui pensar em nada.
"Boa noite" ela me disse fechando os olhos e sorrindo.
“Quem é você?” tentei perguntar.
Ela abriu seus olhos, ainda agitando os pés.
"Alguém", respondeu-me.
Desci meus olhos por seu corpo pequeno. Ela tinha a pele muito branca e manchas de sangue nas pernas.
“Quer ajuda?” Perguntei. Ela sorriu mais uma vez.
"Não. Quero um amigo. Brinca comigo?"
Emudeci.
Arrisquei um passo à frente, meus olhos já estavam se acostumando com a
baixa luz. Seu rosto ganhou um pouco mais de forma diante de meus
olhos; era redondo e branco, sendo os lábios, igualmente, mas o que me
chamou atenção foram marcas escuras em suas bochechas, como se fossem
hematomas. Não só no rosto. Nos braços e pernas também.
Alguém a feriu, definitivamente.


