Correndo
descalça pelo corredor frio, ela apertou forte nas mãos, os trapos
que restam de suas vestes. Não conseguia deixar de pensar naquela
"pessoa" que a tivera salvo: um tigre, um monstro, uma
pessoa... Ela sabia que algo acontecia dentro dela, e que ela mudava
a aparência, mas seria ela também um tigre branco? Seus pensamentos
foram interrompidos ao pisar em uma poça de sangue quente.
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segunda-feira, 10 de junho de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Lírio
Por: R. Giraldi
Em
cima de um muro, num lugar escuro, foi onde eu a encontrei. Um único
poste iluminava o lugar, eu mal conseguia ver seu rosto. Era pequena,
braços e pernas miúdas. Estava sentada no alto do muro, balançando os
pezinhos. A pouca luz me revelou cabelos castanhos, olhos gentis e um
sorriso brincalhão. Olhei-a. Meus olhos miravam seu rosto, estava quase à
minha altura, Senti um arrepio na espinha, não era normal uma menina
daquele tamanho, sozinha num lugar como aquele.
Abri a boca, mas palavra nenhuma me veio a mente para falar, eu realmente não consegui pensar em nada.
"Boa noite" ela me disse fechando os olhos e sorrindo.
“Quem é você?” tentei perguntar.
Ela abriu seus olhos, ainda agitando os pés.
"Alguém", respondeu-me.
Desci meus olhos por seu corpo pequeno. Ela tinha a pele muito branca e manchas de sangue nas pernas.
“Quer ajuda?” Perguntei. Ela sorriu mais uma vez.
"Não. Quero um amigo. Brinca comigo?"
Emudeci.
Arrisquei um passo à frente, meus olhos já estavam se acostumando com a
baixa luz. Seu rosto ganhou um pouco mais de forma diante de meus
olhos; era redondo e branco, sendo os lábios, igualmente, mas o que me
chamou atenção foram marcas escuras em suas bochechas, como se fossem
hematomas. Não só no rosto. Nos braços e pernas também.
Alguém a feriu, definitivamente.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Crianças do Sapato
Para a Pati
Era uma vez uma velhinha,
Que morava em um sapato.
Ela tinha muitos filhos...
E cuidar deles não era barato!
Ela lhes dava sopa,
Mas não lhes dava pão.
Ela espancava as crianças
E punha-as no chão!
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segunda-feira, 4 de março de 2013
Indomável - VI - Liberdade
Session Finale: INDOMAVEL
– Regra dez: Você nunca sairá vivo daqui.
Com essas palavras o
homem me deu uma pancada na nuca e desfaleci. Depois de ter confessado o meu crime e meus motivos que percebi que o
torturador, complexado com tudo o que eu disse, permaneceu imóvel, escutando cada
centímetro da minha história.
Talvez o mais cruel
dos homens também ache que um estuprador é um monstro, mas neste mundo ainda há
quem ache que eles merecem uma segunda chance. Eu confesso que todo pai, se
tivesse a oportunidade que eu tive faria o mesmo, sem hipocrisia. Ser hipócrita
é não concordar que a morte é a única punição para um monstro desses, e ainda
assim é pouco.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Indomável - V - De Vingança
Leia antes: Indomável - IV - Menina dos meus olhos
Vim da cozinha com
um pote de sal nas mãos, abri a porta e encontrei o demônio se remexendo para
tentar escapar. Ri, com uma risada cínica. A vingança correu em meu sangue, respirei ódio
e bufei mais ódio ainda. Ao me ver ele sentiu-se acuado e tentou murmurar algo,
sem sucesso, pois sua boca estava com uma fita ao redor.
Com cinco ou seis
movimentos na boca ele arrancou a fita e começou a gritar - "Socorro, pelo
amor de Deus, socorro" - Utilizei o sal que jogaria em suas feridas para
calar sua boca jogando todo o conteúdo do pote em sua boca, fui para trás da cadeira
abracei seu pescoço com um braço e com o outro apertei a nuca, entretanto, ao
invés de apertar seu pescoço, pressionei sua boca para se manter fechada. O sal
secou toda a boca e garganta. Ao tossir ele jorrava sal pelas narinas e sentia
tudo dentro de si queimando. Eu apenas comecei a aprender os caminhos da
tortura.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Indomável - IV - Menina dos meus olhos
Seus cachos dourados costumavam brincavam com o vento, seus olhos verdes ainda enxergavam o mundo com a doce inocência e ingenuidade que uma criança de dez anos tem. Era linda a minha filha querida, meu maior amor e paixão.
Lembro-me de sua jovialidade, do seu sorriso sempre aberto pronto para receber o mundo com aventura e alegria. Lembro de suas brincadeiras no parque ao lado de casa onde ela sujava o seu vestido rosado favorito. Presente da mãe já ausente. Lembro como ela sentada no balanço, mexendo as pernas para frente e para trás conseguia encher minha vida da alegria que a falta de sua mãe deixou.
Chamamos de vida é o que planejamos enquanto a vida acontece, na verdade não há escolhas, nunca houve, nem nunca haverá. Assim que o destino decidir ele te joga em qualquer latrina e lá nós enfim conhecemos a realidade.
Foi na semana
passada que me atrasei, cheguei em casa uma hora mais tarde que o de costume. Ao
entrar, chamei minha filha, como sempre fiz - "Julia, o papai chegou." - E ela viria
correndo me dar um abraço, contaria-me sobre o seu dia, sobre a escola, os amigos, a sua vidinha sem problemas ou dificuldades aparentes. A Josefa, que
cuidava dela me daria boa noite e iria embora, enquanto eu permaneceria com
aquela bela garota em meus cuidados.
Ela era um anjo, um
anjo vindo dos céus para me dar alegria, mas naquele dia não. Naquele dia elas não responderam meu chamado. Encontrei uma mancha vermelha na geladeira escorrendo ao chão até encontrar a pobre mulher com uma ferida
mortal na cabeça. Junto ao corpo e pedaços rosados de seu cérebro havia um martelo
encravado em sua fronte. Seus dentes estavam quebrados, havia marcas rocheadas nos braços e mãos, assim como em toda a sua face desfigurada e quebrada.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Indomável - III - Dez mandamentos.
Leia antes: Indomável - II - Fome e sede
Fui arrastado para
uma sala escura. Pela primeira vez em dias, semanas, meses ou anos abri o
olho sem medo. Não há uma luz sequer, senão a que vêm da cabeça de um
homem todo vestido de escuro. Dos pés à cabeça, não enxergava nada senão aquela luz que emana de sua cabeça.
Ouço sons
de metais sendo manejados e sinto a espinha congelar a cada vez que
tilintavam. Tento levantar minha cabeça para enxergar algo mais, mesmo sem
conseguir movimentar a cabeça que estava presa com uma tira de couro. Um grito explode da minha boca - "Puta que o pariu" - assim que identifico um bisturi enorme refletindo a luz em direção aos meus olhos. Junto com a luz veio a voz do homem que estava de costas pra mim, manipulando
as ferramentas.
- Vejo que você é novato. Em
breve você conhecerá todas as regras. Perdoarei seu primeiro erro pois sou
piedoso.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Indomável - II - Fome e sede
Leia antes: Indomável - I - Lar doce lar
Acordo sentindo meus
dentes colados no lábio cortado. A ferida enorme está coberta de sangue que coagula e une lábios, dentes e língua numa só carne e transformando o sabor produzido pelo
vomito, sangue e bola de catarro que permaneceu ali, numa mistura salgada e
tenra. Engulo a seco parte do conteúdo que há em minha boca e sinto meu
estomago jubilar de alegria pela podridão que desce pelo esôfago. Devo estar
deitado neste chão há séculos. Não consigo nem imaginar quanto tempo estou aqui
e sinto que há um enorme vazio dentro de mim.
Primeiro porque me
separaram daquela garota maravilhosa. Seu sorriso doce enquanto balançava nos
brinquedos que haviam na praça próxima de casa me encantavam. Seu vestido
rosado que ela tanto amava e fazia questão de sempre vestir era belíssimo e
mostravam o quão bela aquela adorável garota seria ao completar os seus dezoito
anos. Daria um trabalho e tanto e seria cobiçada por muitos. Mesmo em seus dez
anos de idade já era cobiçada, imagina nos dezoito!
Segundo porque
estou com fome.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Indomável - I - Lar doce lar
Na mesma velocidade
em que um raio corta o céu, a dor daquele cassetete encontrando meu cotovelo
explode em milhares de fragmentos através de meu corpo. Ouço o eco repetido do
meu grito ecoando pela prisão e desmonto completamente, perdendo todo o controle
das pernas, bexiga e anus. Aqui estou como uma criança de cinco anos, cagada e
mijada rolando de dor no chão.
A agonia de não
saber se é dia, noite ou eternidade; a luz ofuscante perfurando os olhos
eternamente; o ranger incessante das botas no piso congelante e mesmo os urros
dos prisioneiros se tornaram a paz e calma que sempre sonhei quando, de
encontro ao chão, senti e entendi o que acontecera.
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