Pages

Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Atormentado.



Por: Franz Lima
Muitos estranharam aquele homem que corria desvairadamente. Poucos notaram que seus olhos estavam injetados de sangue, fruto do esforço e do pânico. Só ele sabia o que estava ocorrendo.
Suas pernas começaram a fraquejar mas seus instintos determinaram que continuasse a correr. Parar diante do que o perseguia do que o perseguia era, certamente, uma sentença de morte. Foi esse o destino de sua mulher, Maria, e de seu filho com apenas 8 meses, José. Eles foram assassinados brutalmente, com absoluta ausência de piedade. José foi o primeiro...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Rumo.

As luzes ofuscam minha visão, enquanto dirijo até meu lar. Sinto as pálpebras pesando, mas estou feliz. Feliz por ter acabado tudo, feliz por não ter começado com isso.
Sinto os olhos lacrimejarem, efeito do sono por não ter dormido há dois dias. Mas quem precisa dormir?
Sacudo a cabeça para espantar o torpor da sonolência. As placas à minha frente estão embaçadas. Com o antebraço, esfrego os olhos e continuo a dirigir.
Logo, muito logo, estarei em meu destino…

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Victor (Ou: “Não perca as crianças de vista”.)


“Mãe, eu preciso desligar agora. Tenho que ir. Tem algo acontecendo. Avisa a Rita.”, e Victor sentiu que a resposta de mãe a isso tinha sido dolorosa. Ela nunca tinha concordado com a carreira que ele escolheu e, agora, as coisas estavam ficando piores a cada dia, literalmente. “É como em O Espírito do Mal. Ela tem razão.”, refletiu enquanto corria em direção à viatura. O sargento Almeida fazia gestos muito violentos, indicando a urgência da situação.

“Parece que rolou uma desinteligência muito séria na Praça da Independência, cabo. ‘Bora logo.”, e já foi arrancando antes mesmo de Victor estar com todo o corpo dentro do veículo. Contudo, a praça ficava a menos de um quilômetro dali – era algo mais grave do que aparentava, pelo jeito. E isso era péssimo, com certeza.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sorrir é o que me resta.

Será que um dia irão esquecer o que fiz? Creio que sim, pois a humanidade sempre terá outros casos mais malignos que o meu. E o passado, além disso, não dá lucro. Meu tempo aqui, presa, prova-me diariamente que nada melhor que um dia após o outro. Com o passar dos dias, meses e anos eu me tornarei uma pálida lembrança, algo a se esquecer, algo que não dá mais lucros para a imprensa ou aos advogados. Reclusa estou e é assim que provavelmente morrerei.
Mas nem tudo foi sempre assim. Houve uma época em que eu era bela, rica, cobiçada. Meus dias eram um conto de fadas, mesmo com todos os problemas que há em uma família. Eu era feliz e nunca valorizei de verdade essa felicidade. Aliás, praticamente todos nós jamais damos o devido valor ao que temos, até que o perdemos...