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sábado, 26 de janeiro de 2013

Da Cor do Ouro.

Por: Carolina Mancini

A poeira decrépita de dias calados e insanamente pontiagudos rodava turvando levemente a paisagem amarelada e quente. O sol vilão e magnânimo reluzia seus cruéis raios sem menor sinal de piedade pintando a terra seca, o céu, e tudo mais que se pudesse ver de dourado, o dourado velho da seca, que muito se desejaria afastar dos dias e dos tempos.
A pequena casa feita de barro refletia o brilho macabro da uma hora da tarde, ao se aproximar, o homem já passado dos seus cinquenta anos, por mais que houvesse se intimidado pelas carcaças dos animais, algumas ainda cobertas de moscas, e pelo cheiro, continuou seu caminho até a porta da casa. Do lado de dentro, a jovem vestida em seu vestido preto assistia a sua chegada e para si murmurou num sorriso:
- Já era tempo!
Ailã era uma bela jovem, dessas de beleza rara, mas que devido a complicações decorridas do momento em que viera ao mundo, com frequência mancava.
Ela abriu a porta sem pressa alguma e encarou, ardilosa, aquele que fazendo barulho com suas botas, adentrou ao escuro ambiente protegido do sol que era a casa da bruxa. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sorrir é o que me resta.

Será que um dia irão esquecer o que fiz? Creio que sim, pois a humanidade sempre terá outros casos mais malignos que o meu. E o passado, além disso, não dá lucro. Meu tempo aqui, presa, prova-me diariamente que nada melhor que um dia após o outro. Com o passar dos dias, meses e anos eu me tornarei uma pálida lembrança, algo a se esquecer, algo que não dá mais lucros para a imprensa ou aos advogados. Reclusa estou e é assim que provavelmente morrerei.
Mas nem tudo foi sempre assim. Houve uma época em que eu era bela, rica, cobiçada. Meus dias eram um conto de fadas, mesmo com todos os problemas que há em uma família. Eu era feliz e nunca valorizei de verdade essa felicidade. Aliás, praticamente todos nós jamais damos o devido valor ao que temos, até que o perdemos...