A poeira decrépita de dias
calados e insanamente pontiagudos rodava turvando levemente a paisagem
amarelada e quente. O sol vilão e magnânimo reluzia seus cruéis raios sem menor
sinal de piedade pintando a terra seca, o céu, e tudo mais que se pudesse ver
de dourado, o dourado velho da seca, que muito se desejaria afastar dos dias e
dos tempos.
A pequena casa feita de barro
refletia o brilho macabro da uma hora da tarde, ao se aproximar, o homem já
passado dos seus cinquenta anos, por mais que houvesse se intimidado pelas
carcaças dos animais, algumas ainda cobertas de moscas, e pelo cheiro, continuou
seu caminho até a porta da casa. Do lado de dentro, a jovem vestida em seu
vestido preto assistia a sua chegada e para si murmurou num sorriso:
- Já era tempo!
Ailã era uma bela jovem, dessas
de beleza rara, mas que devido a complicações decorridas do momento em que
viera ao mundo, com frequência mancava.
Ela abriu a porta sem pressa
alguma e encarou, ardilosa, aquele que fazendo barulho com suas botas, adentrou
ao escuro ambiente protegido do sol que era a casa da bruxa.

