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sábado, 26 de janeiro de 2013

Da Cor do Ouro.

Por: Carolina Mancini

A poeira decrépita de dias calados e insanamente pontiagudos rodava turvando levemente a paisagem amarelada e quente. O sol vilão e magnânimo reluzia seus cruéis raios sem menor sinal de piedade pintando a terra seca, o céu, e tudo mais que se pudesse ver de dourado, o dourado velho da seca, que muito se desejaria afastar dos dias e dos tempos.
A pequena casa feita de barro refletia o brilho macabro da uma hora da tarde, ao se aproximar, o homem já passado dos seus cinquenta anos, por mais que houvesse se intimidado pelas carcaças dos animais, algumas ainda cobertas de moscas, e pelo cheiro, continuou seu caminho até a porta da casa. Do lado de dentro, a jovem vestida em seu vestido preto assistia a sua chegada e para si murmurou num sorriso:
- Já era tempo!
Ailã era uma bela jovem, dessas de beleza rara, mas que devido a complicações decorridas do momento em que viera ao mundo, com frequência mancava.
Ela abriu a porta sem pressa alguma e encarou, ardilosa, aquele que fazendo barulho com suas botas, adentrou ao escuro ambiente protegido do sol que era a casa da bruxa.