Antes de ler o conto abaixo, talvez seja mais interessante, antes, ler Brenda, Victor , Campeão , o da tempestade e a coletividade. Embora as histórias sejam fechadas, todas fazem parte do mesmo processo... Assim como os próximo conto deste autor.
Já eram oito semanas sem tomar um banho. E não teria como,
tão cedo... Desde que deixara o sítio da avó, e veio viver com a mãe e “o novo
padrasto rico”, não podia mergulhar em um igarapé quando bem entendesse. Esse
lugar “maravilhoso” não possibilitava “maravilhas”. Contudo, para um
adolescente procurado pela polícia e sem recursos, estava se virando bem... Até
fez seu primeiro amigo – o único, nesses últimos seis anos.
Fez.
Enquanto tentava evitar a polícia e tudo mais, escondeu-se
entre os proscritos e doentes. Quando foi para lá, na verdade, avisaram-no
muitas vezes para não ir a certas partes da cidade e não se aproximar de
pessoas com certas características. Pessoas doentes, que precisavam de ajuda,
mas odiadas por, simplesmente, existirem – depois, como todos os outros, ele
descobriria que ela saberia usar isso. Entre esses, nos escombros e na sujeira,
conheceu o “moleque doi’de pedra”. Com ele, aprendeu o suficiente para se virar
nas ruas. Era incrível como uma criança que mancava permanentemente pudesse ser
tão autossuficiente, um sobrevivente... Assim, pouco antes do amiguinho ser
tocado por ela e quase matá-lo, ganhou um presente de uma criança que nunca
teve nada.
Ele ainda choraria por Matheus.