As manhãs eram a pior parte do
dia. Eram solitárias e vazias. Mesmo quando aquela desconhecida que aparecia
frequentemente estava na casa, não havia nada que fosse digno de nota. Os muros
altos impediam o contato com qualquer outro que, por acaso, poderia estar por
perto – e garantir alguma emoção. Por isso, dormir e esperar eram as opções.
Dormir, esperar...
Só que isso estava mudando. Não
saberia precisar quando, mas era um fato recente: em uma noite, a sede o
despertou e, logo, levantou-se para saciá-la. No caminho, algo pareceu errado,
fora do lugar... Invadindo. Assim, caminhando de um lado para o outro,
procurando em todas as direções possíveis, não conseguia encontrar o que gerava
aquela sensação. Não demorou para que algo selvagem tomasse seu espírito. Uma
ameaça, mesmo que suposta, a tudo que ele prezava não podia ser ignorada.
Assim, passou todo o resto da noite em alerta... Contudo, nada ou ninguém se
mostrou.
Ainda.