Por: Bruno Vox
Ele corria como não houvesse
outra coisa no mundo, apenas corria, corria para se salvar.
Olhou para trás e viu o vulto. Ainda estava o perseguindo.
Desceu umas escadas de ferro pulando alguns degraus, quase caiu, mas se
equilibrou segurando nas barras de apoio e conseguiu se manter de pé.
Era jovem, não mais que vinte e cinco anos, praticava exercícios e tinha boa
saúde, mas seu coração disparava como se fosse explodir, seu peito doía, os
pulmões estavam exaustos, não aguentava mais correr. Suava bicas, ofegava como
se estivesse correndo a mais tempo do que suportaria, o que era verdade.
Aquele... bem, ele não sabia o que era, um homem? Talvez. Quando foi abordado
por esse ser, podemos dizer assim, na saída da boate, conseguiu ver de relance
seus olhos que brilhavam um vermelho amarelado intenso como brasa acesa.
Acabou de descer as escadas e por um instante parou para ver para onde seguiria
em sua fuga. Ali era o galpão inferior da antiga fábrica, estava deserto, o
maquinário havia sido vendido quando fora a falência. O rapaz sabia disso,
conhecia aquele lugar, já havia estado ali, por isso correu para aquela direção
nas ruas desertas da cidade, na madrugada fria e assustadora. O lugar lhe
parecia ótimo para esconder, parecia acolhedor em sua memória.