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terça-feira, 7 de maio de 2013

Meu presente amaldiçoado.

Por: Franz Lima.
Hoje completamos 22 anos de brigas. Na verdade, lutamos para tirar a vida um do outro quase que incansavelmente. Entretanto, não foi sempre assim. Houve um período em que éramos irmãos, com pequenas nuances de comportamento, mas gêmeos na essência do significado dessa palavra. 
Isso até o dia em que lhe dei meu presente...

terça-feira, 26 de março de 2013

Ao lado de meu pai.

Por: Franz Lima.

Maurício é uma criança como muitas outras. Alegre, brincalhão e extremamente inteligente. Seus amigos o cercam como se fosse um planeta com seus satélites. Podem chamar do que quiser: carisma, aura ou, simplesmente, bondade. A verdade é que o moleque é muito, muito legal.
Entretanto, um problema assola a existência do menino. Ele não consegue se comunicar com o pai. Na verdade, ele tenta. E muito. Mas seu pai é o tipo de cara fechado, silencioso. Maurício ainda não se lembra do dia em que seu pai parou e brincou com ele. Talvez porque isso jamais aconteceu...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Morrendo pelo renascimento. O diário de um suicída.

Quantas faces, pensamentos e ideais.
Homens, mulheres, todos com uma única meta: sobreviver.
São diferentes. Odeiam-se a ponto de um matar o outro e, ainda assim, oram pelo amor universal. Pura demagogia.
Alguns me observam com desprezo, apesar de não me conhecerem. Coisa típica de metrópoles, cidades-selva.
Olho para o alto e vejo os arranha-céus. Verdadeiras “Torres de Babel”, onde decisões são tomadas, destinos traçados, sem o conhecimento dos habitantes.
Neste lugar, o trabalhador é algo raro. Quase tudo funciona por botões, painéis computadorizados e senhas de acesso. Os poucos homens que existem dependem também da tecnologia.
Há muita diferença de trinta, quarenta anos atrás, quando o cérebro era o líder, ao invés de um “chip”.
Esse maldito ritmo nos faz esquecer o amor, a atenção à família e como é bom viver.
Por isso, eu perdi os que amava. A cada andar que subo, fica mais longínquo o ruído inumano dos poderosos.
Ao atingir o pico da montanha de concreto, chego a imaginar como Ícaro sentiu-se livre, afastado dos olhos incompreensivos e críticos de seres que não sabiam o quanto é difícil romper barreiras, tomar atitudes extremas.
Olho para as pessoas que estão muito abaixo e gostaria de saber o que elas imaginam agora.
Aqui venta forte, atingindo-me tão frio que seria capaz de apagar as chamas infernais.
Eu tenho medo de altura.
Imagens misturam-se à minha frente mostrando episódios passados de minha vida.
Meu corpo projeta-se ao ar. Os ventos atingem-me provocando dor e alívio. Nunca tive tanta liberdade em toda minha existência. Existência esta que chega ao grande final. Claro, nem tudo que aparenta estar finalizando, realmente está...
Quando meu corpo mescla-se ao solo rígido, tenho a nítida impressão de que serei algo além de um monte de vísceras humanas. Serei mais um a recusar-se em ser torturado, pondo um fim definitivo em tudo que me desagradava, inclusive eu mesmo.
O medo se foi...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A Cor da Morte.



Quando vi a face dela, pálida e seca como a bruma, me dei conta de que a morte não se veste de preto, ela é branca, silenciosa e sutil. Não há nada de escuro na morte, obscura é a vida negra e obscura, já a morte é claramente o fim de tudo. 

A visão que temos do céu é um lugar de brilho intenso onde a estrela da manhã invade cada canto que enxerga os olhos, se é que olhos e todo o resto de nossos corpos carnais existem nos céus. Não nos céus tudo é estridente de tão pálido. Tudo reluz, tudo reflete, tudo é tão claro. Nossas almas, brancas, saem de nossos corpos em direção ao brilhante céu. E se há céu, há o inferno onde tudo também brilha, mas na cor da lava laranja. 

É isso, tudo o que brilha demais é morte. Veja só, como os insetos seguem cegamente à luz que os mata! Basta acender uma fogueira em um acampamento que milhares de seres tolos se jogam na fornalha. Preste atenção em como mosquitos se jogam em suas cadeiras elétricas bastando apenas uma luz azul intensa para chamar sua atenção! 

Entrei em meu carro, liguei o motor e tomei o caminho para casa pensando no que aquela face pálida me ensinou que a luz é morte! E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz, já diz o livro sagrado. Alias, sempre tive medo de anjos e suas espadas de fogo; Sempre tive medo da religião que nos ilumina, mas causa as maiores guerras do mundo. Sempre tive medo de uma explosão atômica e da energia brilhante que irradia dela e mesmo tendo medo de uma explosão solar, que nos aniquilará, amanhã ou daqui há dez milhões de anos, sempre achei belo o poder destrutivo de uma supernova. 

E o que é a vida, senão escuridão? Não sabemos de um segundo de nossas vidas; não sabemos o que acontecerá na próxima curva; não sabemos qual será nosso próximo passo, onde estamos e para onde vamos. Sei que nada sei, não é isso? Sabemos que somos cegos e nunca notamos isto. Escuridão é vida! É na escuridão da noite que nossos corpos se aquecem em outras carnes, é na escuridão da noite que nossa mente descansa e que nos encontramos em paz em nossos sonhos. Durante a escuridão recuperamos as forças para enfrentar a luz, a morte em doses diárias e rotineiras. É na escuridão que conseguimos esconder todos os nosso medos e anseios do mundo e somos enfim quem realmente somos. 

Entro em um túnel e tenho minha ultima visão sobre o assunto. O final da vida não é o túnel negro no qual andamos infinitamente, mas sim a luz intensa que brilha ao seu final. Nós andamos na escuridão e encontramos lá no final a iluminação que nos faltava. É isso! 

Proponho isto: Façamos o branco a cor oficial da morte! Afinal, tudo o que resta de nossos corpos quando morremos são nossos ossos, que são, espante, brancos! Vestiremos em nossos velórios a mesma cor que usamos para celebrar a morte de um ano! Branco! Temamos o branco e celebremos o preto! O preto é sobretudo a marca da vida! 

Sim, tudo ficou claro agora! Não só pelas idéias que enfim iluminaram meus pensamentos, mas também pela luz branca do caminhão que perdeu o controle no fim do túnel, invadiu a contramão e chegou tão perto que senti entrar nela.