Qualquer um, independente de como as use, sabe que há algo
de maligno e corrosivo nas estradas (e no mundo). Principalmente, naquelas que
seguem em linha reta, cruzando várias vidas e lugares diferentes e, assim,
permitindo que homens e mulheres em seus veículos esqueçam-se daquele conceito
antiquado e pueril chamado de “limite de velocidade”.
quinta-feira, 14 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Nimbus. Parte Final.
(Continuação)
Discretamente, lhe dirigi a
palavra e pedi para me ausentar por breves segundos. Eu já estava agindo
diferente com ela, sendo muito gentil e, sinceramente, isto me incomodava.
Com um leve aceno, ela
permitiu minha saída.
Ao chegar ao banheiro,
averiguei se havia mais alguém comigo. Sem pessoas por perto, abri uma pequena
ampola de sonífero. Pequena, porém bem potente. Em 15 minutos ela estaria
dopada, à minha mercê.
Escondi a ampola aberta
entre os dedos. Este ritual já estava sendo repetido pela terceira vez... todas
caíam.
Conforme planejado, me
aproximei da mesa, estiquei o assunto por mais alguns minutos e, aproveitando
uma distração dela, despejei o conteúdo em seu capuccino. A
própria canela que ela havia pedido seria o ingrediente perfeito para disfarçar
o sabor do sonífero. Enfim, uma empreitada perfeita, pensei.
Marcadores:
Apogeu do Abismo,
Assassinato,
Blu-ray,
Caçador,
Contos,
Franz Lima,
Loucura,
Morte,
Nimbus,
Sedução,
Serial Killer,
Terror,
Violência
segunda-feira, 11 de março de 2013
A Vingança de Kali
"Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte." - Sigmund Freud
Quanto o telefone tocou quis ignorar, sem sucesso. Uma voz sussurrou na alma, o coração apertou, acelerando num compasso sem ritmo, pulsações de dor que cruzaram por todo o corpo. Minha mão guiada por Kali, deusa da morte, tomou o aparelho deixando que seu dedo azul apertasse o botão verde. Mesmo lendo o nome Emanuel Nespusse na tela do celular, eu atendi, disse alô e aguardei uma resposta.
– Bom dia, delegado Hedomon. - Realmente deveria estar maluco ou realmente possuído. Receber uma ligação do delegado que me substituiu numa manhã de domingo era certeza de problema, Emanuel era meu aprendiz, ainda um moleque, e essa formalidade que ele nunca teve me irritou. – Tudo bem com você?
– Porra, Emanuel, não precisa falar comigo assim, nem quando trabalhávamos juntos você rasgava essa seda. O que você manda?
Marcadores:
A Vingança de Kali,
Colab,
Conto,
Daniel MM,
Edilton Nunes,
Ednelson Jr.,
Ednelson Júnior,
Emanuel Cantanhêde,
Franz Lima,
Karen Alvares,
Rainier Morilla,
Tatiana Ruiz
domingo, 10 de março de 2013
Moeda de três lados
Gonzáles estava preso por cordas, sentado, a um
grosso carvalho. Foi posto ali pelos seus dois irmãos mais velhos.
Marcadores:
Conto,
Demônios,
Ednelson Júnior,
Leitor Cabuloso,
Mente,
Terror
sábado, 9 de março de 2013
O que a terra levou. Parte final.
Por: Rodrigo C. Cittadino.
Dr. Ilusão estava
recostado contra a barricada improvisada na frente de seu
laboratório. Pálido e fedendo a éter e a pestilência, estampava
no rosto as pestanas cerradas e um esgar de asco que semelhava
curiosamente um sorriso. O rapaz lhe sorriu de volta: com ele morto
não teria de lidar com barganhas inconvenientes. Mas achava – ou
uma parte ainda escrupulosa de si achava – que não devia ignorá-lo
ali, jogado, à mercê das aves carniceiras. Carregou-o para dentro
do laboratório. Pegou o que necessitava: seringas e frascos com a
Substância, bisturi, estilete, colher e uma lâmpada-acendedora, que
produzia fogo. Depois empilhou mais barris e caixas junto à porta do
local de trabalho do doutor. Assentiu satisfeito: o túmulo estava
fechado. E rumou para o cemitério, para escancarar outro túmulo.
Atravessou ruas
familiares, as mesmas que tinha atravessado meses antes, quando
teimava em depositar flores sobre a cova de Helena. As flores estavam
mortas, ressequidas como a flora daninha das redondezas, mas, afinal,
o que contava era a intenção – e a intenção devia bastar. Com o
tempo tinha parado de visitar sua amada, por causa da angústia, do
medo, do cansaço, da preguiça. E porque a mulher inerte e de pele
desbotada sob a terra nada mais era do que uma imitação fajuta de
Helena, que sempre tinha esbanjado vivacidade. Agora Oto caminhava
para uma última visita, a que traria sua arduamente planejada
reconciliação.
Cuspiu para expurgar
os maus agouros. As Criaturas na estrada lhe eram familiares também,
e ele, a elas. Nenhuma o incomodou, nenhuma se desgarrou dos
montículos em que disputavam a carne dos últimos tombados. Oto
raciocinou que, se aquela gente tinha desfalecido justo no extremo
oeste da cidade – recanto desolado, sem casas à vista, sem abrigo
contra os predadores senão um ou dois troncos retorcidos,
inatingíveis para mãos e pés debilitados –, então deviam estar
no curso de uma procissão desiludida para o cemitério quando o
sopro fatal tinha irrompido de suas traqueias ranhosas e por entre
seus lábios rachados. Havia algo de remotamente digno em morrer no
cemitério. Soava civilizado resgatar antigos valores e ritos que
tinham caído em desuso quando, um dia, as entranhas do solo tinham
superlotado em função do número exorbitante de cadáveres. Não
obstante, muitos enfermos ainda buscavam consolo em seus antepassados
e, às portas do sono eterno, se arriscavam para conquistar uma vaga
no leito deles; embora fosse péssimo o cheiro, parecia correto agir
assim. O rapaz, todavia, não estava indo render-se à peste.
Marcadores:
Abandono,
Conto,
Convidados,
Decomposição,
Doença,
Igreja,
Luto,
Medo,
Morte,
Peste,
Podridão,
Putrefato,
Rodrigo C. Cittadino
quinta-feira, 7 de março de 2013
Mestre do Universo
Existem muitas pessoas ricas no mundo. Entretanto, você só
ouve falar das “mais pobres” delas, na verdade; existem homens e mulheres tão
poderosos e importantes que pagam para não serem citados por listas de
milionários, revistas de fofocas ou, tanto melhor, por qualquer pessoa viva.
Não precisam ser vistos em baladas com modelos seminuas de seios enormes ou em
conversas com jogadores de futebol proeminentes.
Homens e mulheres que possuem mais do poderiam gastar em dez
vidas. Homens e mulheres que olham para a vida de cima. Homens e mulheres que
não precisam de sonhos; eles já possuem tudo.
E Romulus Medicci era o maior deles.
terça-feira, 5 de março de 2013
Nimbus - Parte I de II.
A TV anuncia mais uma
vítima. Ela está ligada a mais de dois dias, mas sua luz não cessa, parece ter
vida própria. Nela, um homem diz que a contagem de corpos já atingiu o número
de cinco pessoas. Sem vínculos, sem pistas, apenas um nome: nimbus.
Quantos mais morrerão até que se chegue ao autor desta carnificina? - questiona o âncora do noticiário.
Quantos mais morrerão até que se chegue ao autor desta carnificina? - questiona o âncora do noticiário.
- Quantos? Não sei dizer. O
que interessa não é o número, mas a mensagem que deixo. Vou morrer logo, mas
meu legado continuará por gerações.
O homem caminha pelo
apartamento e olha para a TV. Seu trabalho está sendo bem divulgado, pensa.
Com a voz sussurrada, ele
diz:
- Eu sou Nimbus. Eu sou a
nuvem que traz a sombra e a brisa, o acalento e a serenidade. Porém também
trago a tempestade, o frio e o desalento. Eu carrego a paz e a calamidade em mim. Venho sem avisar e
parto ainda mais sorrateiramente.
Então, sorrindo, ele aponta
o controle-remoto para a televisão e, com um toque, a silencia. O apartamento é
tomado pela escuridão.
Marcadores:
Apogeu do Abismo,
Assassinato,
Blu-ray,
Caçador,
Contos,
Franz Lima,
Loucura,
Morte,
Nimbus,
Sedução,
Serial Killer,
Terror,
Violência
segunda-feira, 4 de março de 2013
Indomável - VI - Liberdade
Session Finale: INDOMAVEL
– Regra dez: Você nunca sairá vivo daqui.
Com essas palavras o
homem me deu uma pancada na nuca e desfaleci. Depois de ter confessado o meu crime e meus motivos que percebi que o
torturador, complexado com tudo o que eu disse, permaneceu imóvel, escutando cada
centímetro da minha história.
Talvez o mais cruel
dos homens também ache que um estuprador é um monstro, mas neste mundo ainda há
quem ache que eles merecem uma segunda chance. Eu confesso que todo pai, se
tivesse a oportunidade que eu tive faria o mesmo, sem hipocrisia. Ser hipócrita
é não concordar que a morte é a única punição para um monstro desses, e ainda
assim é pouco.
domingo, 3 de março de 2013
Não decifra-me? Então devoro-te!
Dedico este conto a Clive Barker, aquele que me apresentou o terror de forma tão visceral, mesclando sexo e morte, a dança da criação e destruição.
Marcadores:
Asfixiofilia,
Conto,
Ednelson Júnior,
Erotismo,
Inferno,
Leitor Cabuloso,
Masoquismo,
Sexo,
Subspace,
Terror
sábado, 2 de março de 2013
O que a terra levou. Parte I de II
Por: Rodrigo C. Cittadino
Oto trincava os dentes enquanto as ratazanas
pretas roíam-lhe as unhas dos pés. Faziam-lhe cócegas. “Malditas Criaturas.”
Por um instante se arrependeu de ter desovado suas botas num lixão, mas elas já
pouco lhe serviam, esburacadas que estavam e com as solas pela metade, e afinal
não teriam durado por muito mais tempo. Os animais infames as tinham mordiscado
a cada vez em que ele tinha se atrevido a deixar a casa. Provavelmente mal
restava couro na vizinhança ou mesmo no raio de uma vintena de quilômetros. Nem
sequer calçados. As Criaturas consumiam tudo com sua voracidade desvairada.
Marcadores:
Abandono,
Decomposição,
Doença,
Fantasmas,
Igreja,
Luto,
Morte,
Peste,
Podridão,
Putrefato,
Rodrigo C. Cittadino
Assinar:
Postagens (Atom)








