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domingo, 19 de maio de 2013

O Caminho da Água


Desperto assustada com o inconveniente toque do telefone. O radio relógio me alerta de
quão tarde está e no fundo concordo com ele, mas minha consciência não me permite deixar de
atender. Tiro o fone do gancho e não ouço nada, ou quase nada, o som de água corrente é a
única voz ali. Espero mais alguns instantes e ninguém se pronuncia. Irritada pelo repentino
despertar não consigo mais pegar no sono, acendo então um cigarro e me sento à beira da janela
aberta. Sem nada especial em pensamento, apenas sinto a brisa morna me tocar o rosto enquanto
quase podia descrever o caminho daquela fumaça em direção aos pulmões, levando aos poucos
minha vida. Observo as poucas luzes acesas daquela imensa cidade que parece tão só na
madrugada. Depois de quase duas horas sem devaneios me deito e espero pacientemente pelo
sono que se recusa a vir.

sábado, 18 de maio de 2013

A casa sobre o prédio (Parte I de II).



Por: Rodolfo Pomini

Eles estavam pesquisando o lugar considerado mais hediondo do mundo. E é obvio que conseguiriam uma lista quase imensa dos locais com prováveis situações de tortura, paranormalidade, ambos os casos unidos para um único fim, ou locais utilizados para abastecer a fome de jogadores compulsivos por morte.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mudança de hábito.


Os olhos se abrem e, imediatamente, a luz atinge-os, provocando uma dor muito forte. O silêncio incomoda e atordoa. Onde, afinal, ele está?
Pequenos lampejos de lembranças chegam e somem com igual velocidade. Ele recorda de ter saído para comprar mais bebida. Também se lembra do sorriso da filha e do cheiro gostoso do churrasco. Mas o que trouxe até aquela sala cheia de plástico? O que estava acontecendo?

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lírio

Por: R. Giraldi


 Em cima de um muro, num lugar escuro, foi onde eu a encontrei. Um único poste iluminava o lugar, eu mal conseguia ver seu rosto. Era pequena, braços e pernas miúdas. Estava sentada no alto do muro, balançando os pezinhos. A pouca luz me revelou cabelos castanhos, olhos gentis e um sorriso brincalhão. Olhei-a. Meus olhos miravam seu rosto, estava quase à minha altura, Senti um arrepio na espinha, não era normal uma menina daquele tamanho, sozinha num lugar como aquele.
    Abri a boca, mas palavra nenhuma me veio a mente para falar, eu realmente não consegui pensar em nada.
    "Boa noite" ela me disse fechando os olhos e sorrindo.
    “Quem é você?” tentei perguntar.
    Ela abriu seus olhos, ainda agitando os pés.
     "Alguém", respondeu-me.
     Desci meus olhos por seu corpo pequeno. Ela tinha a pele muito branca e manchas de sangue nas pernas.
    “Quer ajuda?” Perguntei. Ela sorriu mais uma vez.
    "Não. Quero um amigo. Brinca comigo?"
    Emudeci.
    Arrisquei um passo à frente, meus olhos já estavam se acostumando com a baixa luz. Seu rosto ganhou um pouco mais de forma diante de meus olhos; era redondo e branco, sendo os lábios, igualmente, mas o que me chamou atenção foram marcas escuras em suas bochechas, como se fossem hematomas. Não só no rosto. Nos braços e pernas também. Alguém a feriu, definitivamente.

domingo, 12 de maio de 2013

Reformulação do Um Ano de Medo: bastidores das mudanças.

Boa-noite, amigos. Aqui quem vos fala é seu anfitrião, Franz Lima. Este post é destinado a clarear algumas dúvidas sobre os últimas semanas que quase colocaram o blog na rota da autodestruição.
Somos uma equipe coesa e constituída por amigos, porém não podemos evitar problemas pessoais ou planos pessoais que levem um ou  outro autor a desejar sair do grupo. Cada um sabe quais são suas limitações e não cabe a mim ou a qualquer outro integrante julgar. Todos podem falhar...
Mas, após a queda de três escritores (Rainier Morilla, Ednelson Jr. e Edilton Nunes), as coisas estavam se tornando cada vez mais complexas. A saída do Edilton foi, rapidamente, suprida pela já antiga colaboradora do projeto, Tatiana Ruiz. Tatiana é uma das mais prolíferas colaboradoras do blog e é uma grande honra tê-la conosco.
Sequencialmente, Rainier e Ednelson saíram e abriram-se vagas para que novos escritores ingressassem no sinistro universo do Um Ano. E é sobre eles que vou lhes falar.
Agora teremos mais dois novos colaboradores: R. Giraldi e Vinicius Maboni. Contamos com eles para que a constância do projeto se firme e que haja a recuperação do prestígio que vínhamos obtendo. 
Tenham só um pouco de paciência, pois o Um Ano de Medo ainda lhes trará muitas coisas boas... mas sempre com uma alta dose de pesadelos.

P.S.: a saga de Kali será encerrada em breve. Podem contar com isso...

Franz.      

M - E - D - O

sábado, 11 de maio de 2013

Por Entre as Rosas.


Por: Ramon Giraldi



O raio de sol atravessou as frestas da janela, atingindo os olhinhos de garota que dormia. Ela torceu o rosto, fazendo uma careta devido à luz. Em seguida veio um longo bocejo. Tentou abrir os olhos, mas precisou esfregá-los com as mãos, antes de conseguir abri-los totalmente.

    No segundo seguinte, pulou da cama, jogando o edredom para o lado; era como se sua preguiça matinal estivesse acabado em um segundo. Cambaleou até a janela e abriu com pressa. O sol brilhava suave no céu, parece ser um lindo dia, mas ela estava pouco interessada no quão bonito ou feio o clima poderia estar. Seus olhinhos correram pelo chão de grama e pela cerca de madeira branca. A cerca era formada de tabuas brancas enfileiradas. Rente à cerca, uma roseira de rosas vermelhas da sua mãe, e do outro lado, a casa de Jaqueline, sua vizinha.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Nas Cidades da Noite (II)

Para a Pati, de novo.


O ônibus ainda teria que atravessar uma cidade e meia inteira, mas já estava superlotado. A situação não parecia que mudaria tão logo... Para piorar, embora fosse fim de tarde, a temperatura, lá fora, beirava os 40  ºC. E isso foi bem antes da tragédia.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Meu presente amaldiçoado.

Por: Franz Lima.
Hoje completamos 22 anos de brigas. Na verdade, lutamos para tirar a vida um do outro quase que incansavelmente. Entretanto, não foi sempre assim. Houve um período em que éramos irmãos, com pequenas nuances de comportamento, mas gêmeos na essência do significado dessa palavra. 
Isso até o dia em que lhe dei meu presente...

domingo, 5 de maio de 2013

Minha fome de amor


Há dois anos, desde o início da faculdade, Ruan começou a cobiçar o corpo de Luana, sua colega de turma. Foi uma atração animal, obsessiva e desmedida ocultada em sorrisos e palavras singelas, acima de qualquer suspeita.