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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Será que chove?"


Antes de ler o conto abaixo, talvez seja mais interessante, antes, ler Brenda, Victor e Campeão. Embora as histórias sejam fechadas, todas fazem parte do mesmo processo... Assim como os próximos três contos deste autor. 





Os telejornais, as revistas semanais, os sites de notícias... Até mesmo os programas de “variedades”... Todos falavam e queriam mostrar um pouco mais sobre a “terrível tragédia” que assolou aquelas pobres almas. alguns, quando a pauta estava fraca demais para chamar muita atenção, desenterravam acontecimentos similares com mais de cinquenta anos... Ou traziam suas “celebridades” com uma afinidade remota com o lugar para falar sobre aquela infelicidade ímpar – sem mencionar, claro, que a afinidade era algo como um primo distante que morava na cidade vizinha. Contudo, nenhum deles mostrou o que se seguiu.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Hora Morta


- Isso é impossível! – Retrucou o homem do outro lado da mesa. Era alto e tinha os ombros largos. Apesar disso, seu corpo não era, em hipótese alguma, uma massa definida de musculatura. Muito pelo contrario. Era extremamente magro, com um rosto cansado, repleto de rugas e um ar misterioso e maduro. Tinha 37 anos e pensava que já tinha ouvido de tudo em sua carreira como psiquiatra Forense. Estava enganado.
- Receio que não seja. – Disse o outro homem, sentado na cadeira a sua frente, do outro lado da mesa. Este era baixo e tinha os braços curtos. Seu rosto excessivamente magro fazia com que seu queixo pontudo se projetasse rudemente para baixo, feito uma estalactite no topo de uma caverna. Seus olhos extremamente azuis estavam rodeados por duas grandes  e profundas orbitas avermelhadas, denunciando as noites que passara em claro. Bocejou antes de dar a ultima palavra. Não queria que o amigo tirasse conclusões precipitadas sobre seu bem estar mental, mas sabia que não poderia mais guardar para si os segredos que envolviam os estranhos acontecimentos ocorridos nas três ultimas semanas.
- Olha... – Continuou ele, hesitante. – Sei que pode parecer loucura...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Morrendo pelo renascimento. O diário de um suicída.

Quantas faces, pensamentos e ideais.
Homens, mulheres, todos com uma única meta: sobreviver.
São diferentes. Odeiam-se a ponto de um matar o outro e, ainda assim, oram pelo amor universal. Pura demagogia.
Alguns me observam com desprezo, apesar de não me conhecerem. Coisa típica de metrópoles, cidades-selva.
Olho para o alto e vejo os arranha-céus. Verdadeiras “Torres de Babel”, onde decisões são tomadas, destinos traçados, sem o conhecimento dos habitantes.
Neste lugar, o trabalhador é algo raro. Quase tudo funciona por botões, painéis computadorizados e senhas de acesso. Os poucos homens que existem dependem também da tecnologia.
Há muita diferença de trinta, quarenta anos atrás, quando o cérebro era o líder, ao invés de um “chip”.
Esse maldito ritmo nos faz esquecer o amor, a atenção à família e como é bom viver.
Por isso, eu perdi os que amava. A cada andar que subo, fica mais longínquo o ruído inumano dos poderosos.
Ao atingir o pico da montanha de concreto, chego a imaginar como Ícaro sentiu-se livre, afastado dos olhos incompreensivos e críticos de seres que não sabiam o quanto é difícil romper barreiras, tomar atitudes extremas.
Olho para as pessoas que estão muito abaixo e gostaria de saber o que elas imaginam agora.
Aqui venta forte, atingindo-me tão frio que seria capaz de apagar as chamas infernais.
Eu tenho medo de altura.
Imagens misturam-se à minha frente mostrando episódios passados de minha vida.
Meu corpo projeta-se ao ar. Os ventos atingem-me provocando dor e alívio. Nunca tive tanta liberdade em toda minha existência. Existência esta que chega ao grande final. Claro, nem tudo que aparenta estar finalizando, realmente está...
Quando meu corpo mescla-se ao solo rígido, tenho a nítida impressão de que serei algo além de um monte de vísceras humanas. Serei mais um a recusar-se em ser torturado, pondo um fim definitivo em tudo que me desagradava, inclusive eu mesmo.
O medo se foi...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Indomável - I - Lar doce lar


Na mesma velocidade em que um raio corta o céu, a dor daquele cassetete encontrando meu cotovelo explode em milhares de fragmentos através de meu corpo. Ouço o eco repetido do meu grito ecoando pela prisão e desmonto completamente, perdendo todo o controle das pernas, bexiga e anus. Aqui estou como uma criança de cinco anos, cagada e mijada rolando de dor no chão.

A agonia de não saber se é dia, noite ou eternidade; a luz ofuscante perfurando os olhos eternamente; o ranger incessante das botas no piso congelante e mesmo os urros dos prisioneiros se tornaram a paz e calma que sempre sonhei quando, de encontro ao chão, senti e entendi o que acontecera.

domingo, 27 de janeiro de 2013

sábado, 26 de janeiro de 2013

Da Cor do Ouro.

Por: Carolina Mancini

A poeira decrépita de dias calados e insanamente pontiagudos rodava turvando levemente a paisagem amarelada e quente. O sol vilão e magnânimo reluzia seus cruéis raios sem menor sinal de piedade pintando a terra seca, o céu, e tudo mais que se pudesse ver de dourado, o dourado velho da seca, que muito se desejaria afastar dos dias e dos tempos.
A pequena casa feita de barro refletia o brilho macabro da uma hora da tarde, ao se aproximar, o homem já passado dos seus cinquenta anos, por mais que houvesse se intimidado pelas carcaças dos animais, algumas ainda cobertas de moscas, e pelo cheiro, continuou seu caminho até a porta da casa. Do lado de dentro, a jovem vestida em seu vestido preto assistia a sua chegada e para si murmurou num sorriso:
- Já era tempo!
Ailã era uma bela jovem, dessas de beleza rara, mas que devido a complicações decorridas do momento em que viera ao mundo, com frequência mancava.
Ela abriu a porta sem pressa alguma e encarou, ardilosa, aquele que fazendo barulho com suas botas, adentrou ao escuro ambiente protegido do sol que era a casa da bruxa. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Campeão



As manhãs eram a pior parte do dia. Eram solitárias e vazias. Mesmo quando aquela desconhecida que aparecia frequentemente estava na casa, não havia nada que fosse digno de nota. Os muros altos impediam o contato com qualquer outro que, por acaso, poderia estar por perto – e garantir alguma emoção. Por isso, dormir e esperar eram as opções. Dormir, esperar...

Só que isso estava mudando. Não saberia precisar quando, mas era um fato recente: em uma noite, a sede o despertou e, logo, levantou-se para saciá-la. No caminho, algo pareceu errado, fora do lugar... Invadindo. Assim, caminhando de um lado para o outro, procurando em todas as direções possíveis, não conseguia encontrar o que gerava aquela sensação. Não demorou para que algo selvagem tomasse seu espírito. Uma ameaça, mesmo que suposta, a tudo que ele prezava não podia ser ignorada. Assim, passou todo o resto da noite em alerta... Contudo, nada ou ninguém se mostrou.

Ainda.

Conheça todos os escritores convidados até 09/03. Você é um deles?

Amigos, continuamos contando com a ajuda de todos. Escreve sobre terror, sobrenatural ou suspense? Mande seu conto para que possamos incluí-lo na lista de autores convidados que só aumenta.

A programação atualizada é a seguinte:

Dia 26/01/13 - Carolina Mancini
Dia 02/02/13 - Maurício C. Dovanci
Dia 09/02/13 - Géssica da Rosa
Dia 16/02/13 - Tatiana Ruiz
Dia 23/02/13 - Bruno Vox
Dia 02/03/13 - Roberta Spindler
Dia 09/03/13 - Rodolfo Pomini
 

Todos os contos passarão por uma avaliação prévia, mas nada no padrão Academia Brasileira de Letras. Aguardamos o envio de seus textos...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Mortos


Goiânia,
25 de Janeiro de 2012.

Meu nome é Francisco Edilton Reinaldo Nunes. Tenho vinte e seis anos e a maioria das pessoas que um dia conheci durante esse período estão mortas. Não fui o responsável por isso. Falando sinceramente, acho que ninguém sabe ao certo quem foi realmente o principal responsável por espalhar toda a coisa. Nem mesmo se houve um responsável. Talvez a coisa tivesse simplesmente desandado, fugido para fora dos padrões pré-estabelecidos pela natureza. Talvez tivesse evoluído, dado um passo enorme, milhares de anos a frente, geneticamente falando. Ou ao contrario. Talvez tivesse se esgueirado para fora, como um rato de laboratório fugindo das mãos predadoras do homem. De qualquer forma, isso não redime ou altera minha parcela de culpa, ainda que ínfima, nisso tudo. Portanto tentarei tratar sobre o assunto da maneira mais respeitável e sincera possível. Talvez minhas palavras soem um tanto quanto arrogante as vezes, mas admito que trata-se apenas de um mecanismo de alto-defesa, criado com o intuito de preservar o pouco de sanidade que ainda me resta. Diante dos recentes acontecimentos, creio que seja perfeitamente normal agir dessa forma. É sinal de que ainda sou humano, passível de erros. Mas por hoje é só. Há tempos não sei o que é buscar refugio nas entrelinhas das folhas abarrotadas de um caderno. Por isso caminho devagar por esse velho, conhecido e praticamente inexplorado terreno. As próximas palavras ficam para amanhã...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Cobrança



Eu vivi por alguns anos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com uma família muito boa. Sou de São Paulo e vim para o RJ em função da morte de meus pais. Destino...
         Nesta família todos eram unidos, independente dos problemas (que não eram poucos) e levávamos uma vida bem comum.
Eu, como membro mais novo da família, dividia o quarto com o filho mais velho deles, sem tumultos, por mais difícil que possa parecer.
Nesta casa havia uma senhora bastante idosa, talvez com mais de 80 anos, se não me engano. Era uma mulher doce e extremamente protetora. Também gostava demais de seu pequeno quarto onde guardava todos os seus poucos pertences, na maioria lembranças de épocas passadas.
Contudo, o tempo não poupa bons ou ruins. Todos cedem ao seu peso. E com ela não foi diferente.
Numa manhã chuvosa, encontramos seu corpo já frio. Ela havia falecido durante o sono.