Doce Annie, vinho que me aliviou as mazelas
desse mundo de tantas desgraças no qual já chegamos com pranto copioso, o que
farei de minha vida agora? Não sei o que responder neste momento de dor
incalculável. Em minha cólera, posso apenas destruir o meu aposento, único meio
que consigo enxergar para obter um alívio da dor de minh’alma.
domingo, 28 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
A Vingança de Kali - Parte Seis
Não Fique Perdido.Leia antes Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV e Parte V
Conto por: Tatiana E Karen
Emanuel ouviu
aquelas palavras e sentiu o sangue gelar.
– O que ta
acontecendo aí, Karen? – um som estranho, de algo caindo, se fez ouvir – Alô!
Karen? Caralho, Karen, responde!!! Porra! – virou para o colega mais próximo e
ordenou que continuasse tentando acionar Hedomon e Edilton. – Eu vou atrás
daquela maluca.
Confirmou que a
arma estava carregada, por via das duvidas levou mais um ou dois pentes cheios.
“Só pro caso de precisar” dizia a si mesmo, na vã tentativa de se convencer que
tudo ficaria bem sem precisar recorrer a isso.
***
– Merda, merda,
merda, merda...
Karen não parava
de repetir enquanto olhava para os lados, tentando descobrir o que fazer. A
chamada tinha sido finalizada, o barulho ainda estava longe o suficiente pra
saber que tinha vantagem se tentasse fugir, embora não soubesse exatamente
quanta. Foi até Tatiana, analisar os danos. Ela tinha pulso, embora não muito
forte, e respirava. Já era algo bom, pelo menos estava viva. Estavam em pleno
escuro, o que não facilitava muito para enxergar, mas pôde notar que – apesar
do tanto de sangue – o ferimento não era tão grave. Pelo menos aparentemente.
– Acorda...
Tatiana, acorda... – falava baixo, perto do ouvido dela, enquanto chacoalhava
seu braço – Por tudo de sagrado, acorda!
Começava a se desesperar.
O que quer que fosse aquilo, já devia estar sentindo o cheiro ferroso e viria
por elas. A jovem se mexeu levemente e Karen deu graças aos céus. Começou a
chacoalha-la um pouco mais forte até ver seus olhos se abrindo. O que
aconteceria com ela depois era um mistério, não sabia se tinha algum ferimento
interno ou algo perigoso, mas naquele momento não importava. Tinham de sair
dali, não poderia deixa-la para trás.
– Vem, tem
alguma coisa atrás da gente, temos que ir depressa. – começou a puxa-la enquanto,
desorientada, Tatiana tentava se erguer.
– O que...
houve? Eu... – levou a mão até a nuca, que doía como o inferno, e sentiu algo
molhado. Ao levar a mão até bem perto dos olhos deu um grito. Karen se apressou
em tapar sua boca.
– Você tá louca?
Quer nos foder de vez? – Karen disse baixo, mas fora de si, num misto de pavor
e raiva – Eu te digo que tem algo atrás de nós e você grita? Como se o nosso
sangue já não fosse suficiente pra isso nos achar. Cala essa boca e vem logo,
antes que não tenhamos mais nenhuma chance! Vem, eu te ajudo.
Começaram a
caminhar no passo que conseguiam. Karen apoiando Tatiana – a bem da verdade,
praticamente a arrastando –, sempre tentando se certificar de que não havia
nada por ali. O barulho tinha sumido e aquele silencio a preocupava. Alcançou o
celular e andou apenas mais o suficiente para um pino de sinal, então novamente
chamou Emanuel.
– Emanuel, cadê
você? Eu te falei que a moça ta machucada, eu to precisando de ajuda! – Karen
havia deixado Tatiana sentada na raiz de uma arvore e começou a caminhar
enquanto falava. Estava tão tensa que não conseguia ficar parada. Ficou em um
vai e vem quase hipnótico, a cada ida e volta se afastava um pouco mais do
ponto de partida.
– Eu já te falei
que aqui tá complicado! Tu é surda ou o que? Não dá pra eu largar toda essa
merda nas mãos de estagiários imbecis e novatos. Alguém tem que cuidar dessa
zona. – o delegado respondeu, com raiva.
– Ah tá. E pra
eles não ficarem sozinhos nós é que ficamos, né? – “Boa, chefe! Continue
assim... Seu Filho duma...” seus olhos se arregalaram e em seu pensamento mal
pôde terminar de formular aquele e todos os outros xingamentos destinados ao
patrão. Sentiu uma mão invisível apertando sua garganta: eram as lagrimas, que
a sufocavam, buscando um caminho até a saída. O celular escapou de suas mãos e
foi ao chão, quicando até próximo ao corpo que estava estirado – motivo de sua
agonia.
– Edilton...
Não... – balbuciou. A voz de Emanuel ainda ecoava no celular, mas Karen já não
o ouvia. Abaixou-se e checou os sinais vitais e, como já esperava, os encontrou
a zero. Foi até Tatiana. Precisavam sair dali. Ao chegar encontrou a moça
chorando.
– É tudo culpa
minha... Se eu não tivesse ido lá falar com ele... Com ela... Com aquela coisa!
Eu nunca devia ter ido la... – parecia em choque, falando sozinha diversas
coisas que a investigadora não conseguia entender. Seu olhar permanecia vidrado
à frente – Mas você também teve culpa! Se não tivesse decidido fugir assim sem
avisar isso jamais teria acontecido! E agora? Como vou explicar isso pra mãe e
pro pai? Porra Lais, por que você me forçou a fazer isso?
– Fazer o que? –
algo naquela frase gritou na mente de Karen – Fazer o que, Tatiana? O que você
fez? – ela apenas repetia “Por quê? Por que me forçou a fazer isso?” e a mulher
a chacoalhou desesperada, exigindo uma resposta.
Mas Tatiana se
calou. Ela observava algo atrás de Karen e seus olhos se arregalaram em
profundo pavor. Karen se virou lentamente – o cheiro e o barulho estavam mais
fortes, o que significava que o monstro estava
ali. Elas perderam tempo. E agora pagariam por isso.
Havia um bicho
enorme observando as duas, urrando para o céu escuro como o lamento de um
animal ferido. Ele possuía pelos vermelhos, longas garras e – agora sim aquilo fazia um terrível sentido –
pés virados ao contrário. Porém, o mais impressionante era mesmo uma
bocarra gigantesca bem no estômago da criatura, que se abria e fechava,
mostrando dentes afiadíssimos.
- CORRE! – Karen
gritou, esquecendo toda a prudência. Ela puxou as mãos de uma catatônica
Tatiana, que a acompanhou primeiramente aos tropeços, mas depois o próprio medo
a recompôs e as duas corriam lado a lado, desesperadas. Era uma corrida inútil,
porém, já que o monstro tinha pernas muito mais longas que as duas e elas sentiam
o cheiro horrível que emanava dele, como o de um gambá. Aquele cheiro atordoava
seus sentidos, e Karen já estava sentindo a mente obscurecida, como se
estivesse envolta em sombras quando viram um menininho no meio da mata.
- Venham aqui! –
ele disse. – Por aqui!
Sem alternativa
melhor, as duas seguiram o garoto. Ele estava montado em um porco do mato e
seguia rapidamente pela floresta, como se a conhecesse muito bem. À primeira
vista, parecia um menino normal, exceto que usava tangas como se fosse o Tarzan
ou algo do tipo.
- Essa
porra não faz mais sentido nenhum. -
Karen disse mais para si mesma do que para qualquer outro, porém
surpreendentemente Tatiana respondeu.
- Não. Agora sim
está fazendo sentido. E a culpa é minha.
Ainda sentiam o
cheiro do monstro atrás delas, derrubando árvores, deixando um rastro de
destruição na mata. O garotinho continuava correndo pela mata até que
encontraram um rio enorme. O menino parou e apontou para ele.
- Vão! Nadem.
Não deixem a margem do rio. Nadem!
- O quê?! –
Karen exclamou. – Nadar? Por quê?!
- Aquele monstro
não poderá nos perseguir na água. – disse Tatiana e agora era ela quem puxava a
mão de Karen. – Vamos, quem sabe a gente ainda consiga sobreviver. – ela se
virou para o menino. – Obrigada... Caipora.
O menino sorriu
largamente. Karen foi logo à procura dos pés do garoto, porém eles não eram
virados para trás. Pelo menos o Caipora ela conhecia, mas aquele menino parecia
normal, apesar de excêntrico. De qualquer maneira, aquilo tinha que ficar para
outra hora. Karen também acenou com a cabeça, agradecendo, e as duas pularam
nas águas frias do rio. Enquanto a correnteza as conduzia, as duas observaram o
monstro alcançar a margem do rio. O garoto já tinha sumido. O monstro urrava e
gritava, mas não estava sozinho: havia alguém próximo a ele, como uma sombra.
- É ela... –
Tatiana murmurou. – Ela está aqui.
[Continua...]
PS.: Me sinto muito feliz de poder fazer parte desse projeto, e agradeço à Karen Alvares por ser minha parceira nesse momento tão decisivo da historia. Aproveito e deixo meu agradecimento especial aos leitores, que tem sido compreensivos com nossos pequenos percalços e continuam nos acompanhando sempre.
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Tatiana Ruiz
terça-feira, 23 de abril de 2013
Inspiração.
Por: Franz Lima.
Eu escrevo. A caneta flui em minha mão com uma velocidade incomum. As ideias também fluem, deixando-me desnorteado. Mas não há a menor possibilidade de interromper essa atividade. Nada poderá interromper esta missão. Nada.
Eu escrevo. A caneta flui em minha mão com uma velocidade incomum. As ideias também fluem, deixando-me desnorteado. Mas não há a menor possibilidade de interromper essa atividade. Nada poderá interromper esta missão. Nada.
Meses atrás eu vagava por entre viadutos, inconformado com a vida. Meu estômago vibrava - literalmente - com a fome. Minha pele suja era uma clara indicação de que meus dias se passavam nas ruas. Essa era a sina de um catador de lixo, um mendigo. Como cheguei a esse ponto? Acredite, isso é irrelevante. Porém garanto que irá querer descobrir como saí. Sim, você irá...
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Promoção: concorra ao filme 'O Pacto dos Lobos' + HQ Batman - Cavaleiro das Trevas 2
PROMOÇÃO E NOVIDADES
Olá, amigos do Um Ano de Medo. Estamos atualmente passando por um breve reformulação. A autora Tatiana Ruiz é a nova escritora das quartas-feiras em substituição ao Edilton que, por motivos particulares, encontra-se impossibilitado de colaborar conosco.
Mas continuamos nos esforçando para atender sua sede de sangue e medo.
A boa nova de hoje fica por conta da primeira promoção do blog. Os prêmios? Bem, que tal um DVD com o clássico filme de terror e ação 'O Pacto dos Lobos' e também as 3 HQ que integram Batman - O Cavaleiro das Trevas 2, de Frank Miller?
Para concorrer é muito simples. Siga o blog através do twitter @umanodemedo e faça seu comentário nest post contando-nos o que mais gosta e o que menos gosta no Um Ano. Fácil, não?
O resultado sairá no dia 15 de maio. Mas lembre-se que é obrigatório tecer seu comentário (com conteúdo) para efetivamente concorrer, além de ser um seguidor do Um Ano.
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domingo, 21 de abril de 2013
Acenda-me
Não poderia mais negar o fulgor de minha paixão por
ti. Desde tenra idade, em nosso primeiro encontro, meu coração é vosso devoto.
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quinta-feira, 18 de abril de 2013
Nas Cidades da Noite (I)
A coisa se contorceu e grunhiu quando despertou. Naquela viela escura e imunda, dormira pelos últimos quatro dias. Uma verdadeira proeza. Contudo, dormir afastava o frio, a dor e a fome...
Até agora.
Por isso, ergueu-se da sombra e, como sombra, moveu-se. Precisava saciar seu desejo antes que não tivesse forças para nem mesmo andar. Deveria encontrar algo ou alguém... E logo. Não aguentava o rugido constante em suas entranhas. Cambaleando, saiu da escuridão total para a noite, e foi logo ofuscado. Odiava o contraste luminoso que dominava a hora.
Com a visão embaçada, avistou um alvo e, deixando um rastro de muco e sujeira em seu caminho, começou a perseguição. Já estava se deleitando com a expectativa.
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terça-feira, 16 de abril de 2013
Ouço.
Por: Franz Lima.
Qual o som do silêncio? Esta pergunta sempre ronda os que amam Alan, nascido como surdo-mudo. Ninguém jamais ouviu um som sequer vindo dele. Ele também jamais ouviu um único ruído. Mas havia algo que o fazia se tornar uma pessoa diferente: sua beleza.
Desde pequeno o menino destacou-se por uma face quase angelical. Olhos de um azul muito claro, rosto perfeito e um sorriso que cativaria até o mais nefasto dos seres humanos. Não havia como não amar aquela criança e foi assim que o menino cresceu e transformou-se em um homem.
Mas não há como narrar essa história sem destacar que o homem foi moldado à base de muita malícia. E o que poderiam esperar as pessoas de um indivíduo que teve tudo por ser 'especial'? Usando sua limitação física, Alan cresceu como um manipulador. Ele obtinha tudo que desejasse, bastando apelar para sua condição de surdo-mudo. Diante das pessoas, não ouvir ou falar eram condições torturantes, algo próximo do sofrimento absoluto e, por isso, todos faziam o máximo para agradar a criança.
O pai do jovem foi o principal responsável por essa involução. Joaquim cobriu-o de presentes, fez todas as suas vontades e jamais lhe disse um único não. Negar algo para Alan era inconcebível para seu pai.
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segunda-feira, 15 de abril de 2013
Sheol Tehilim 23
A morte é meu destino, nada me salvará
Deitar-me faz em trem nefasto,
guia-me em turbulência a dura armadilha.
Dilacera a minha alma;
Guia-me por caminhos de carniça,
Por calor sede e fome.
Ainda que andasse pela vila da vida e da sorte.
Temeria a todo mal,
Porque tu estás comigo.
A tua foice e teu hálito me provocam.
Preparas uma cova perante mim na presença dos meus inimigos.
Enches a minha cabeça de ódio
Contra épica horda.
Certamente que a fúria e seu furor me seguirão todos os dias da minha vida
E morrerei nas mãos do ceifador
E habitarei no inferno por longos dias.
domingo, 14 de abril de 2013
Quebrado
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sábado, 13 de abril de 2013
A Juíza.
Por: Franz Lima.
Lábios
frios, qual o motivo que tens para tocardes os meus?
Sois
vós os caminhos por onde passam palavras duras, tão cortantes quanto o fio de
uma espada, que me atingem sem levar em conta os resultados.
É
justamente de vós que tirei os mais intensos momentos de prazer e, em oposição,
o mais puro pesar.
Falastes
em amor como nunca fora antes dito. Havia verdade em tais sons... o que fiz
para que mudasses tanto?
Distante
é o tempo em que duas almas se conheceram. Quis o destino que assim fosse, sem
considerar as prováveis conseqüências.
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