Por: Hermínio Neto
O cheiro inebriante de sangue é um tormento nos momentos
finais do duelo. Enquanto os ferros se incendeiam a cada encontro violento e a
multidão de plebeus furiosos urra desejando ardentemente mais e mais mortes
desde a manhã em que o primeiro torso foi atravessado por um gládio, eu me
contorço de fome e desejo.
Aperto meus rosto contra a grade grossa e enferrujada do
corredor que leva até a arena, tentando prever o resultado da batalha pelos
espaços losangulares. Todos os cadáveres de gladiadores mortos durante o dia já
foram recolhidos, e o sangue deles, sugado pela areia, está perdido para mim,
mas agora, no ocaso arroxeado, sei que conseguirei capturar minha presa.



