A TV anuncia mais uma
vítima. Ela está ligada a mais de dois dias, mas sua luz não cessa, parece ter
vida própria. Nela, um homem diz que a contagem de corpos já atingiu o número
de cinco pessoas. Sem vínculos, sem pistas, apenas um nome: nimbus.
Quantos mais morrerão até que se chegue ao autor desta carnificina? - questiona
o âncora do noticiário.
- Quantos? Não sei dizer. O
que interessa não é o número, mas a mensagem que deixo. Vou morrer logo, mas
meu legado continuará por gerações.
O homem caminha pelo
apartamento e olha para a TV. Seu trabalho está sendo bem divulgado, pensa.
Com a voz sussurrada, ele
diz:
- Eu sou Nimbus. Eu sou a
nuvem que traz a sombra e a brisa, o acalento e a serenidade. Porém também
trago a tempestade, o frio e o desalento. Eu carrego a paz e a calamidade em mim. Venho sem avisar e
parto ainda mais sorrateiramente.
Então, sorrindo, ele aponta
o controle-remoto para a televisão e, com um toque, a silencia. O apartamento é
tomado pela escuridão.