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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Nas Cidades da Noite (III)

Aquela manhã estava sendo uma tortura. Tortura. Raquel repetia isso a si mesma a cada dois minutos. O problema tinha começado muito, muito cedo. No metrô, extremamente lotado, um homem "alojou-se" logo atrás dela e, assim, qualquer solavanco ou movimentação de outros passageiros era motivo para... Pressioná-la. 

Quando saiu, antes dela, ainda disse: "Bunda perfeita, hein, cavala? Perfeita, carnuda". Falava isso salivando, como um (homem) animal. Raquel nunca se sentiu tão aviltada. O pior é que esse tipo de situação se repetia com frequência. Raquel, tinha, de verdade, uma "bunda perfeita". Seu corpo era "delicioso, carnudo". Se não tivesse algum pouco de bom senso ou convicções próprias, poderia ganhar a vida rebolando em algum (homem) programa de auditório. Porém, sabia que, provavelmente, teria que se vender muito mais que isso... Portanto, trabalhava e estudava como uma pessoa comum.

Na medida do possível.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Prisão.


Por: Franz Lima.

Meus pensamentos se perdem diante da imagem refletida. Não há mais o homem que outrora fui. O reflexo mostra apenas um pálido e frágil indivíduo. O reflexo indica uma verdade que há muito eu fingi não ver: eu estava morto.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

À prova de bala

    
  Eu tava voltando pra casa, era uma quarta-feira à noite, você sabe, eu saio as 9 da noite as quartas, não sabe? Como sempre, eu cortei caminho pela praça, só pra passar por perto da nossa árvore... Sempre quis gravar nossos nomes naquela árvore, mas nunca fiz isso, porque, sinceramente, é bem brega.

sábado, 25 de maio de 2013

Olhar de Prata - Primeira parte


Não fora do comum, bêbados fanfarrões já se agrupavam no Saloon do Monstrengo. Era o sol que fugia no horizonte e dava lugar a mais uma perigosa noite, e como já de costume, aqueles que têm motivos pra não dormir em casa, ou que não são mais aceitos ali por suas esposas (os que ainda têm) reuniam-se ali, para beber, jogar e ter as mulheres da casa, poucos com intenções de pagar.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Homem dos Sonhos (I) - Corra!



O centro de todas as grandes cidades é sempre apinhado de gente andando em blocos por todos os lados, todos preocupados com seus trabalhos que consideram tão importantes, seja pela soberba onde as pessoas se colocam uns acima dos outros, seja pela importância de pagar contas no final do mês que os faz aturar trabalhos degradantes e humilhantes.
Naquele momento, entretanto, tarde da noite, o centro da cidade se encontrava deserto. Não havia sequer uma viva alma para ser vista ao longo das ruas estreitas dos prédios antigos, datados da época do Império. Nem mesmo as prostitutas, mendigos e outros marginalizados pela sociedade, tão facilmente encontrados neste cenário noturno podiam ser vistos, como se fosse um momento fora da realidade, um sonho.
Mas o que Frederico vivia naquele momento estava mais para um pesadelo!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Diante de Ti.


Por: Franz Lima.

    Estamos finalmente um diante do outro. Há anos esperamos por tal  oportunidade, na qual as dúvidas seriam postas de lado e a mentira extirpada de nosso coração, onde ela já semeou a discórdia.
     Nosso amor era tão belo e sólido. Mas a beleza de uma mesa encoberta por  uma bela toalha  acaba  se  esvaecendo, quando, ao retirarmos a toalha, verificamos que os cupins já a destruíram silenciosamente.
     Eu olho para sua face. Há beleza nela. Há uma paz desconhecida para mim.
    Seus lábios sorriem, levemente rubros. Eu toco cada pequena parte sua, o que me dá muito prazer. Indiferente, você não repara em mim. Confesso, eu jamais esperei por retribuição ao amor que lhe oferto.
     Ficamos nus. Seu corpo tem o cheiro do inverno. Eu, ao contrário, exalo o perfume da fome. É chegada a hora de nos unirmos. É chegada a hora em que irei me alimentar de sua carne e seu sangue. Pois jamais haverá união igual à nossa.
    Nunca surgirá um amor como  este, onde  o sentimento  transcende a  morte  e a paixão, verdadeiramente, alimenta a alma.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Tic tac toe



Tic tac toe.

Tic tac toe

Tic tac toe, diz a música.

Simples assim: começa com tic, depois vem tac e termina com toe.

Ordem. As coisas são como devem ser para funcionarem. Amor, lealdade, respeito... Mas nem sempre a roda gira para o lado certo. Sempre há engrenagens que dão defeitos e precisam de reparos. Algumas, não tem conserto e devem ser removidas, para que o funcionamento correto prossiga.

É tic tac toe, e não tac toe tic.

domingo, 19 de maio de 2013

O Caminho da Água


Desperto assustada com o inconveniente toque do telefone. O radio relógio me alerta de
quão tarde está e no fundo concordo com ele, mas minha consciência não me permite deixar de
atender. Tiro o fone do gancho e não ouço nada, ou quase nada, o som de água corrente é a
única voz ali. Espero mais alguns instantes e ninguém se pronuncia. Irritada pelo repentino
despertar não consigo mais pegar no sono, acendo então um cigarro e me sento à beira da janela
aberta. Sem nada especial em pensamento, apenas sinto a brisa morna me tocar o rosto enquanto
quase podia descrever o caminho daquela fumaça em direção aos pulmões, levando aos poucos
minha vida. Observo as poucas luzes acesas daquela imensa cidade que parece tão só na
madrugada. Depois de quase duas horas sem devaneios me deito e espero pacientemente pelo
sono que se recusa a vir.

sábado, 18 de maio de 2013

A casa sobre o prédio (Parte I de II).



Por: Rodolfo Pomini

Eles estavam pesquisando o lugar considerado mais hediondo do mundo. E é obvio que conseguiriam uma lista quase imensa dos locais com prováveis situações de tortura, paranormalidade, ambos os casos unidos para um único fim, ou locais utilizados para abastecer a fome de jogadores compulsivos por morte.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mudança de hábito.


Os olhos se abrem e, imediatamente, a luz atinge-os, provocando uma dor muito forte. O silêncio incomoda e atordoa. Onde, afinal, ele está?
Pequenos lampejos de lembranças chegam e somem com igual velocidade. Ele recorda de ter saído para comprar mais bebida. Também se lembra do sorriso da filha e do cheiro gostoso do churrasco. Mas o que trouxe até aquela sala cheia de plástico? O que estava acontecendo?