Meia noite de um
domingo qualquer. Fumo um cigarro qualquer e viro um copo de Scotch com apenas
um único e solitário gelo. Admiro com ódio um quadro de Nova York onde a
multidão de táxis amarelos admira a Marilyn Monroe e a Estátua da liberdade. Há
um contraste tão grande no que sou e no que quero ser. Diante dessa multidão
sou apenas como aquele pequeno gelo derretendo no copo.
Verto o restante da
água derretida deixando parte do gelo. Levanto-me para ir para a cama, mas o
álcool não deixa. Antes de atravessar a sala caio de bruços no chão e sinto o
coração gelar. Uma pequena dor rasga meu peito e encosta gentilmente no órgão vital.
Estou tendo uma parada cardíaca.
Ainda com dor e
sentindo o braço esquerdo tilintar um formigamento incomoda, viro-me para golar
umas doses de ar. Estou sozinho em casa sentindo a vida escapar pelos dedos
como a areia ou água tanto faz o clichê. O que importa é que preciso de ligar
urgentemente para a emergência. Minha vida precisa disso.
