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sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Demônio.




Por: Bruno Vox
Ele corria como não houvesse outra coisa no mundo, apenas corria, corria para se salvar.
Olhou para trás e viu o vulto. Ainda estava o perseguindo.
Desceu umas escadas de ferro pulando alguns degraus, quase caiu, mas se equilibrou segurando nas barras de apoio e conseguiu se manter de pé.
Era jovem, não mais que vinte e cinco anos, praticava exercícios e tinha boa saúde, mas seu coração disparava como se fosse explodir, seu peito doía, os pulmões estavam exaustos, não aguentava mais correr. Suava bicas, ofegava como se estivesse correndo a mais tempo do que suportaria, o que era verdade. Aquele... bem, ele não sabia o que era, um homem? Talvez. Quando foi abordado por esse ser, podemos dizer assim, na saída da boate, conseguiu ver de relance seus olhos que brilhavam um vermelho amarelado intenso como brasa acesa. 

Acabou de descer as escadas e por um instante parou para ver para onde seguiria em sua fuga. Ali era o galpão inferior da antiga fábrica, estava deserto, o maquinário havia sido vendido quando fora a falência. O rapaz sabia disso, conhecia aquele lugar, já havia estado ali, por isso correu para aquela direção nas ruas desertas da cidade, na madrugada fria e assustadora. O lugar lhe parecia ótimo para esconder, parecia acolhedor em sua memória.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Cobrança



Eu vivi por alguns anos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com uma família muito boa. Sou de São Paulo e vim para o RJ em função da morte de meus pais. Destino...
         Nesta família todos eram unidos, independente dos problemas (que não eram poucos) e levávamos uma vida bem comum.
Eu, como membro mais novo da família, dividia o quarto com o filho mais velho deles, sem tumultos, por mais difícil que possa parecer.
Nesta casa havia uma senhora bastante idosa, talvez com mais de 80 anos, se não me engano. Era uma mulher doce e extremamente protetora. Também gostava demais de seu pequeno quarto onde guardava todos os seus poucos pertences, na maioria lembranças de épocas passadas.
Contudo, o tempo não poupa bons ou ruins. Todos cedem ao seu peso. E com ela não foi diferente.
Numa manhã chuvosa, encontramos seu corpo já frio. Ela havia falecido durante o sono.