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terça-feira, 23 de abril de 2013

Inspiração.

Por: Franz Lima.
Eu escrevo. A caneta flui em minha mão com uma velocidade incomum. As ideias também fluem, deixando-me desnorteado. Mas não há a menor possibilidade de interromper essa atividade. Nada poderá interromper esta missão. Nada.

Meses atrás eu vagava por entre viadutos, inconformado com a vida. Meu estômago vibrava - literalmente - com a fome. Minha pele suja era uma clara indicação de que meus dias se passavam nas ruas. Essa era a sina de um catador de lixo, um mendigo. Como cheguei a esse ponto? Acredite, isso é irrelevante. Porém garanto que irá querer descobrir como saí. Sim, você irá...

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ouço.


Por: Franz Lima.
Qual o som do silêncio? Esta pergunta sempre ronda os que amam Alan, nascido como surdo-mudo. Ninguém jamais ouviu um som sequer vindo dele. Ele também jamais ouviu um único ruído. Mas havia algo que o fazia se tornar uma pessoa diferente: sua beleza.
Desde pequeno o menino destacou-se por uma face quase angelical. Olhos de um azul muito claro, rosto perfeito e um sorriso que cativaria até o mais nefasto dos seres humanos. Não havia como não amar aquela criança e foi assim que o menino cresceu e transformou-se em um homem.
Mas não há como narrar essa história sem destacar que o homem foi moldado à base de muita malícia. E o que poderiam esperar as pessoas de um indivíduo que teve tudo por ser 'especial'? Usando sua limitação física, Alan cresceu como um manipulador. Ele obtinha tudo que desejasse, bastando apelar para sua condição de surdo-mudo. Diante das pessoas, não ouvir ou falar eram condições torturantes, algo próximo do sofrimento absoluto e, por isso, todos faziam o máximo para agradar a criança. 
O pai do jovem foi o principal responsável por essa involução. Joaquim cobriu-o de presentes, fez todas as suas vontades e jamais lhe disse um único não. Negar algo para Alan era inconcebível para seu pai.