Por: Rodrigo C. Cittadino
Oto trincava os dentes enquanto as ratazanas
pretas roíam-lhe as unhas dos pés. Faziam-lhe cócegas. “Malditas Criaturas.”
Por um instante se arrependeu de ter desovado suas botas num lixão, mas elas já
pouco lhe serviam, esburacadas que estavam e com as solas pela metade, e afinal
não teriam durado por muito mais tempo. Os animais infames as tinham mordiscado
a cada vez em que ele tinha se atrevido a deixar a casa. Provavelmente mal
restava couro na vizinhança ou mesmo no raio de uma vintena de quilômetros. Nem
sequer calçados. As Criaturas consumiam tudo com sua voracidade desvairada.
