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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

The rake


        Eu estou escrevendo isso porque não aguento mais guardar só para mim. A muito tempo tenho vontade de expor isso, mas sempre temi que ninguém jamais iria acreditar: " a noite, com as luzes apagadas, quando eu já estou dormindo, aquela coisa aparece."
        Você, quem quer que seja que está lendo isso, já deve estar rindo e fazendo zombarias. não te culpo, pois eu mesmo não quis acreditar por um tempo, sabe como é, é mais fácil pensar que foi só uma impressão minha, do que ter que admitir que algo não está certo.
         Não é só o vento lá fora. Não é algo da minha cabeça e certamente, é algo preocupante. Eu sabia disso, só não queria acreditar, quer dizer, quem iria querer acreditar numa coisa dessas:  que quando você dorme, uma "criatura" aparece, sentada aos pés da sua cama, e fica ali, te olhando?
         No começo eu achava que era um sonho. Acordei numa noite, pois senti algo se mexendo na minha cama. Quando abri os olhos eu o vi: sua pele branca, parecia morta. Tinha alguns poucos pelos no corpo. Parecia machucado, como se tivesse sido atropelado. No começo senti pena dele, por sua aparência, mas aí, ele olhou para mim: seus olhos, oh meu Deus, aqueles olhos nunca mais saíram da minha mente! Eram grandes, escuros e vazios. Sua expressão facial era de certa forma triste e curiosa. Ele estava sentado de costas pra mim, mas seu corpo tinha virado para me olhar, como se não tivesse ossos nas costas ou algo assim. Aqueles olhos me olharam por uns segundos e aí... eu acordei. Era manhã, eu estava em casa e nada tinha acontecido.
          Isso tinha me feito lembrar de uma vez, quando eu era criança. Eu dizia ter visto algo no quintal de casa, mas ninguém nunca acreditou: meu cachorro tava latindo, eu acordei e fui falar pra ele ficar quieto, afastei a cortina pra olhar para fora e vi uma coisa estranha que eu nunca soube explicar: parecia uma pessoa pequena, encolhida, num canto, perto do portão...
            Hoje penso se não é a mesma coisa que vejo no meu quarto a noite. Se for, então ele está me perseguindo desde que eu era criança? será que me persegue porque eu o vi aquela noite?
             Enfim, os supostos pesadelos continuaram; pelo menos uma vez por semana ele aparecia em meus sonhos, ou pelo menos eu achava que sim... Numa manhã, acordando de um sonho com aquela coisa me olhando, eu notei um corte na minha perna, um fino e comprido corte. Achei estranho pois não tinha esse corte noite passada, foi então que eu comecei a ficar realmente preocupado. Passei a ter medo de ir dormir.
           Alguns dias depois, eu acordei assustado, pensando ter ouvido algo, e de fato ouvi. Lá estava ele, sentado no chão do meu quarto, no canto, me olhando com aqueles olhos horrendos. Dessa vez, ele não estava só olhando, estava sussurrando algo, ou assim parecia. E a voz dele era... é difícil descrever, mas sabe quando você fala dentro de um copo? tipo isso, mas muito áspera, não sei se consigo me fazer entender.

           Decidi procurar na internet, pra ver se tal coisa já tinha acontecido com mais alguém, foi aí que descobri uma lenda urbana conhecida como "The rake". Rake que em inglês quer dizer ancinho ou forcado, remete às longas garras que a criatura tem. A descrição do site que eu achei bate quase perfeitamente com a coisa que eu via: corpo machucado e olhos vazios. A melhor coisa que eu achei no site, no entanto foi o contato de um cara que dizia ter visto o rake. Eu não sabia se ele tava só brincando ou falando a verdade, mas eu estava desesperado demais e tinha que arriscar.
            Mandei um e-mail pra ele contando minhas experiências e ele me respondeu no mesmo dia; disse para eu  colocar um gravador ou câmera no meu quarto e me filmar dormindo durante a noite. O simples pensamento de fazer isso me fez gelar dos pés a cabeça; eu não tinha certeza se eu iria querer ver o que a filmagem iria pegar.
            Liguei minha câmera ao lado da minha cama, com a visão noturna. na primeira noite nada aconteceu, apenas uma barulho ao longe, que me lembrava o sussurro da criatura. na segunda noite, ele apareceu: estava ao lado da minha cama com as mãos sobre ela, olhando-me dormir. Num ponto da filmagem, ele pousou sua mão sobre mim e depois sumiu.
             Agora a porra tinha ficado séria! Postei meus vídeos no YouTube, mas em menos de 24 horas eles foram retirados do ar, e minha conta bloqueada, então resolvi escrever esse depoimento num blog, e fiquei surpreso com o numero de pessoas desconhecidas que estavam me apoiando. Rake, ou seja lá quem for ele, não aparece mais, nem em sonhos nem nas fitas. Um dos meus leitores disse que o segredo para se livrar dele é passar a palavra adiante, contar a todos que ele existe, e é o que estou fazendo agora. Se você que está lendo, passou por qualquer coisa do tipo, lembre-se do que leu aqui! Esqueça que isso é um blog de terror com histórias assustadoras mas seguras. Rake é real e ele está por aí, talvez, no seu quarto.
           Se alguma coisa te incomoda a noite, experimente se filmar enquanto dorme. Talvez você descubra o motivo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Miyabi Doll

  
     Havia a muito tempo atrás, uma rica família, que vivia numa casa muito grande. O homem era um comerciante, casado com a filha de um fazendeiro. Eles tinham dois filhos: O mais velho se chamava Kameo e a mais nova, a princesinha da casa se chamava Okiri. 
     Os irmãos eram muito ligados; Kameo passava horas brincando com a irmã, sempre que podia. Quando atingiu certa idade, seu pai começou a leva-lo para o trabalho com ele, para que o garoto aprendesse os negócios da família o quanto antes, deixando a pequena sozinha a maior parte do dia. As vezes, Kameo e o pai chegavam em casa muito tarde, e a menina já tinha ido dormir. 
      Numa manhã, Okiri acordou e viu uma carta ao seu lado; era dos eu irmãozão. Ele tinha deixado para ela na noite passada. Na carta ele dizia o que estava fazendo no trabalho e como sentia a falta dela. Okiri ficou tão feliz que resolveu fazer o mesmo e deixou uma cartinha para ele, sobre a cama dele. A troca de cartinhas virou costume, e assim, mesmo não se vendo tanto, Okiri não se sentia tão sozinha.
      Infelizmente, em 1932, aos 8 anos, Okiri ficou muito fraca por causa de uma doença misteriosa que medico algum sabia dizer o que era. Kameo tentava passar o maior tempo possível com a irmã, sempre lhe dizendo que logo ela ficaria bem. Mas ele sabia da verdade, não havia cura para Okiri e a cada dia, ela ficava pior, mas nunca deixava de sorrir, sempre que o irmão chegava em casa.
      Alguns meses depois, a criança morreu. Seu corpo foi cremado junto com todas as cartinhas que tinha do seu irmão. A família ficou muito triste; a mãe chorava muito, o pai passou a beber e o irmão, ficava horas sozinho, lendo e relendo as cartinhas deixadas pela irmã, onde contava o que ela fazia em casa o dia todo quando ele não estava.
      O quarto da menina continuava intocado, suas roupas e seus brinquedos e suas bonecas. Numa noite, quando estava sem sono, o rapaz teve a ideia de organizar as bonecas na prateleira. As bonecas eram feitas de madeira e todas vestiam quimonos muito bonitos. Com paciência,  Kameo arrumou todas as bonecas de modo que ficasse alinhadas. Quando terminou ele estava para sair do quarto quando resolveu dar uma ultima olhada nos quimonos da sua irmã e foi ai que ele teve uma grande ideia: iria contratar o construtor de bonecas para lhe pedir uma boneca que tivesse exatamente o mesmo tamanho de Okiri, com cabelos do mesmo comprimento e olhos de vidro, seria perfeito! Vestiriam ela com as roupas da garota, e ela seria imortalizada como uma verdadeira boneca, a maior de todas.

        No dia seguinte, o rapaz fez o pedido da boneca e em menos de um mês, lá estava ela: vestida e penteada como Okiri, de joelhos em uma almofada, cercada por todas as outras bonecas. Todas as noites antes de ir dormir, Kameo abria a porta do quarto e dava boa noite à boneca. Numa noite em particular, quando abriu a porta, notou que a cabeça da boneca estava numa posição um pouco diferente do que de costume. Ficou furioso; alguns dos empregados deve ter tocado nela. Entrou no quarto e arrumou-a como deveria ser. Quando estava saindo, notou que a mão dela movia-se lentamente, fechando e abrindo os dedos. Deu um pulo com o susto; olhou bem para a boneca, que não mais movia os dedos. Bobagem, pensou, fechou a porta e foi para o quarto.
       Quando foi deitar-se, viu que havia uma pedacinho de papel branco dobrado em sua cama. Abriu-o e era uma cartinha escrita com a letra de Okiri: " Kameo, não!". Ele tinha certeza que nunca havia visto aquela carta antes, talvez estivesse perdida e algum dos empregado a achou e colocou sobre sua cama para que ele pudesse guardar com as outras. 
         No outro dia, logo que acordou, Kameo encontrou outro papel dobrado sobre sua coisas. A letra também era igual a de Okiri, mas desta vez, parecia que havia raiva na escrita, as letras estavam maiores: " Eu não sou ela!".
         Amassou o papel com raiva, alguém estava brincando com ele. Se vestiu e saiu para ir trabalhar, e ao passar pela porta do quarto da irmã, ouviu um barulho lá dentro, como se fosse algo caindo no chão. Abriu a porta e viu a boneca grande caída. Com paciência, ajeitou-a na almofada como sempre. Foi até a porta do quarto, e pelo espelho, viu a boneca levantar o rosto e olhar para ele com seus frios olhos de vidro. Deu um grito e olhou para trás: a boneca estava como ele havia deixado. Olhou mais uma vez para o espelho... estava tudo ok. Trancou a porta do quarto da menina e levou a chave consigo para o trabalho.
        Naquela noite quando voltou pra casa, sua mãe lhe disse que os empregados ouviram barulhos estranhos no quarto dele durante a tarde. Ao entrar em seu quarto, Kameo se deparou com uma mensagem escrita na parede " Eu odeio aquela boneca! eu não sou ela!"
         Agora a coisa estava séria: ou alguém tava muito afim de morrer ou... Deu uns tapas no próprio rosto, por pensar bobagem. Com pano e agua, removeu a mensagem. Decidiu não dizer nada a sua mãe. Antes de dormir, foi olhar as bonecas. Tudo estava em ordem.
          Mais e mais mensagens começaram a aparecer para ele; em forma de cartas ou nas paredes. As vezes, os empregados ouviam barulhos e gemidos vindos do quarto de Okiri, até que, as mensagens começaram a aparecer pela casa. Kameo não podia mais esconder ou ignorar, quando as paredes da sala estavam cobertas de tinta preta e uma mensagem " Odeio aquela boneca!". Junto à frase, marcas de mãozinhas de criança. Um a um, os empregados abandonaram os patrões.
         A noticia se espalhou de que a filha dos Sato havia voltado para assombra-los e todos pareciam acreditar nisso. Todos menos Kameo e seu pai. Eles estavam certos de que tinha sido uma brincadeira de mal gosto de alguns dos empregados. A senhora Sato, no entanto não gostava nada disso. Numa tarde, ela implorou para o filho queimar a boneca, pois ela não estava deixando sua irmã descansar. A senhora Sato estava ruim da saúde, e o rapaz não queria piorar sua situação, então, decidiu se livrar da boneca naquela noite.
        Quando entrou no quarto, Kameo deu um pulo para trás: todas as bonecas pequenas estavam amarradas pelo pescoço, penduradas no teto. O coração dele acelerou ainda mais quando notou a boneca maior, de pé, no canto do quarto, com o rosto virado para a parede... na verdade, duas delas. No outro canto do quarto, estava uma segunda boneca, na mesma posição, com a mesma roupa e cabelos, exatamente igual.
         "Kameo" disse uma voz. " Qual delas sou eu irmãozão? Você sabe dizer? qual sou eu e qual é a impostora feita de madeira? Sei que sabe, não sabe?" uma risadinha de criança preencheu o quarto, e logo em seguida, a voz tomou um tom mais sério. " Não erre!".
          O rapaz estava apavorado de verdade agora; aquelas bonecas enforcadas sobre ele e aquelas duas bonecas no canto do quarto... e a voz de Okiri... Olhou para as duas: eram idênticas de costas. Fechou os olhos, tentou se concentrar e caminhou ate uma delas. Quando estava perto o bastante para toca-la, ouviu mais uma vez a voz: "Eu sabia que não iria me decepcionar. Obrigada Kameo, eu te amo" e então, a boneca a sua frente sumiu no ar. Soltou o ar que estava preso em seu peito e se deixou chorar.
          Do lado de fora, acendeu uma fogueira para queimar a boneca. Finalmente tinha entendido os sentimentos de Okiri,e poderia deixa-la descansar em paz agora. O fogo consumiu rapidamente o corpo de madeira. Porém, enquanto queimava, aqueles olhos de vidro, tão iguais aos dela, continuavam a olha-lo...


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Harvest Moon: a maldição


    Você já ouviu falar em Harvest Moon? costumava ser meu jogo favorito quando criança, na época do super nintendo. No jogo, você é um garoto da cidade que herda uma fazenda do seu avó, em uma cidadezinha chamada Mineral Town. O objetivo final do jogo é fazer com que a fazenda volte a ser produtiva como era antes, dentro de 3 anos ( em tempo de jogo). Nesse tempo, você pode plantar todo tipo de vegetais para vender, cuidar de animais, participar de brincadeiras e competições na cidade, fazer amigos, namorar e casar. Eu gostava dessa interação, dessa possibilidade de escolher como prosseguir no jogo, coisa que muitos jogos modernos hoje não oferecem. Claro, existem versões modernas e harvest moon, que continuam nos moldes antigos. Elas são ótimas, pelo que pude ver, mas ainda assim, eu sentia falta da versão que eu jogava no super nintendo. 
     Fiquei na vontade por tanto tempo que até esqueci, até um dia que um amigo meu me disse que um conhecido dele estava vendendo um super Nintendo por um preço muito baixo. Na mesma hora, a nostalgia caiu sobre mim e eu soube que era minha chance de voltar a jogar meus jogos favoritos, que infelizmente eu não tinha mais nenhum; meu console assim como meus jogos foram todos vendidos a muito tempo.
      Entrei em contato com o cara, marcamos de nos encontrar para fazer negocio. Cheguei a pensar que ele nem iria aparecer, ou que o console estaria em péssimo estado, mas para minha surpresa, estava muito bom; obviamente usado, mas inteiro. Por aquele preço, valeria a pena. 
      No caminho de casa, eu passei numas lojinhas no centro da cidade, onde é possível encontrar coisas eletrônicas antigas, entre elas, cartuchos de videogame. Encontrei alguns jogos interessantes, mas nada de Harvest moon. Fui para uma outra loja, depois outra e outra. Estava sem sorte. No entanto, em uma das lojas, a moça do caixa disse que poderia procurar esse jogo pra mim com o vendedor dela. Deixei meu telefone e fui pra casa, com esperanças.
      Para minha surpresa, no dia seguinte a moça da loja me ligou, dizendo que o rapaz que vende jogos pra ela achou uma copia desse jogo, ele levaria pra loja a tarde, o preço: 30 reais. Quase dei um grito de alegria no meio do escritório, mas me contive; esse jogo estava sendo vendido por 90 dólares no ebay, e 30 reais era um preço incrível.
       Eu esperava por um cartucho pirateado ou em péssimas condições, mas, de novo para minha surpresa, eu estava com sorte: o jogo era original, era quase novo. Comprei-o, agradeci a moça e fui pra casa.
         Liguei aquele cartucho no videogame. No começo, deu uma demorada, uma longa tela preta, mas ai, o logo da Natsume apareceu e me aliviou, o jogo funcionava.  Apertei o start para começar e vi que já havia um save no cartucho, de um jogador chamado Zalgo. Eu não queria pegar um jogo começado, queria fazer o meu, desde o começo, então ignorei Zalgo e criei o meu arquivo com meu nome. Joguei por umas horas, cultivei nos campos, cuidei dos animais; o tempo voou. Numa hora, quando o comprador de mercadorias chegou para coletar os produtos do dia, ele não falou sua fala de sempre, ao invés disso, ele ficou em frente a caixa de coleta, parado. Fui falar com ele, mas sua resposta foi uma longa linhas de pontos: "............."
      Não era como se ele estivesse me ignorando, era como se não estivesse podendo falar. Apertei o botão para voltar a falar e desta vez, ao invés dos pontos, vieram vários símbolos, como se fosse outra língua. Tentei ler aquilo, mas não era língua alguma que conhecia. No meio das letras e símbolos, reconheci uma palavra "ZALGO". Esse era o nome do outro save game que já estava no cartucho. Era um bug, pensei, acho que o save anterior tinha corrompido o meu. Reiniciei o jogo e deletei o arquivo Zalgo. Voltei ao meu save e o comprador estava normal como sempre, pegou os produtos do dia e se foi. Salvei o jogo e desliguei para ir descansar um pouco, não estava com nem um pouco de pressa em terminar esse jogo.
        No outro dia, eu estava de bom humor: trabalhei bem e foi um ótimo dia pra mim. Quando voltei pra casa, comi alguma coisa e fui jogar. Dei um pulo da poltrona, quando carreguei o jogo e vi que o arquivo Zalgo estava lá de novo. Fiquei curioso sobre o save e o selecionei para ver o que o antigo jogador estava fazendo. Logo que o jogo carregou, eu note que algo estava bem errado: toda a plantação estava morta, a casa estava em ruínas, os animais tinham sumido. Entrei na casa, que estava destruiria por dentro também, e vi Ann, a esposa do personagem, parada em frente a um berço vazio. Um dos objetivos do jogo era ter um filho, e nesse save o antigo jogador já deveria ter conseguido, ou não. Não havia nada no berço. Tentei falar com Ann, mas ela não respondia, apenas permanecia ali, imóvel, com uma expressão triste, que, apesar dos pixels do 16-bits, era claro que ela estava triste.
       Tentei falar com ela varias vezes, mas nada acontecia. Decidi sair da casa para olhar a cidade, mas quando estava saindo da casa, a caixa de dialogo de Ann abriu, como se estivesse falando do quarto: " é assim que acaba?" disse ela. Voltei para falar com ela, mas o mesmo se repetiu; permaneceu estática na frente do berço. Saí da casa e fui para a cidade. Não fiquei surpreso ao ver tudo como na fazenda: ruínas destruídas. Todas as casas estavam fechadas, o único lugar que pude acessar era a igreja. Entrei nela e vi todos os personagens da cidade, ali dentro, com o padre à frente. Uma musica aguda começou a tocar, parecia uma bug no jogo, porém, ele rodava normalmente. Uma caixa de diálogos apareceu, com aquelas letras e símbolos da outra vez, como se todos estivesse orando. Nesse momento, eu comecei a sentir medo mesmo, mas queria ver onde isso iria parar.
       Me aproximei do altar, e então o padre falou:
     - Zalgo está aqui! Já podemos começar.
       O personagem andou sozinho, foi ate o altar, onde um bebê estava deitado, então, o padre lhe deu uma faca. O fazendeiro a ergueu sobre a cabeça.
     - Vamos Zalgo. É o melhor para todos. - disse o padre.
       E ai, ele enfiou a faca no peito do bebê, espalhando seu sangue sobre o altar. Nesse momento, tentáculos negros saíram da ferida no peito do bebê. Uma caixa de texto apareceu com o nome ZALGO em caixa maior, como se todos estivessem gritando seu nome. Os tentáculos cresceram e se espalharam por toda a igreja e logo, pela cidade toda. 
        Eu nunca se quer tinha pensado que uma coisa daquelas pudesse ser real, era pra ser só um jogo, mas aquilo ja tinha passado dos limites! Se nao bastasse, todos os personagens da igreja começaram a rir; em suas caixas de texto, apareciam as palavras "hahahaha" e um por um, eles explodiram em pocinhas de sangue pixelado, e de seus cadáveres, mais tentáculos negros se ergueram...
       Soltei o corpo no sofá, e estava muito tenso, mas parece que finalmente havia acabado, a tela ficou escura e a musica parou. Quando pensei em desligar o videogame, Ann, a mulher do fazendeiro apareceu no meio da tela. Seu rosto ainda estava triste e me olhava como se de fato pudesse me ver. " Você foi com isso até o final" disse ela, em texto. Então, a barriga dela foi crescendo lentamente, como se meses de gravides estivesse passando em segundos. Cresceu até que chegou ao tamanho máximo de gravidez no jogo, então Ann voltou a falar: e agora," o que vai fazer?" 
        Tomei um susto com o telefone tocando bem naquela hora. Fui atender e era minha namorada, ela estava nervosa, quase chorando. Ela estava grávida, tinha acabado de confirmar no médico...
         Enquanto a ouvia chorando no telefone, olhei para a Tv, e a mensagem de Ann ainda estava lá " e agora, o que vai fazer?". Ann já havia sumido, mas a mensagem ainda estava ali. Senti o corpo todo tremer. Arranquei o cartucho do videogame e o ataquei na parede, para que aquilo nunca mais pudesse ser jogado por ninguém!
        No dia seguinte corri até a loja, eu queria saber quem era o maníaco que revendeu aquele jogo, eu queria saber qual o problema dele, mas... a loja estava fechada. Tentei olhar pela janela, e vi que estava vazia por dentro... cai em desespero, não fui trabalhar aquele dia.
         Minha namorada está mesmo grávida, ela está muito triste e perdida, assim como eu. E agora, o que eu vou fazer?