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sexta-feira, 14 de junho de 2013

O grito sufocado


De repente, não mais que de repente, o céu tão negro tornou-se branco.
Não de estrelas, não de sol, mas de névoa. Turvo pelas lágrimas, o céu tingia-se pelo sangue que escorria dos nossos olhos e da nossa alma, que sangrou e sangrou por tanto tempo, calada.
O peito ardia. O grito não saía.
O silêncio é uma mordaça. Engasga como veneno. O silêncio é violento. Machuca como a lâmina. O silêncio é triste. Mata lentamente.
Gritos na rua. Pés no asfalto, sobrepondo-se depressa. Rosas despedaçadas no chão, com todos os seus sonhos pisoteados, como se nada significassem.
“CALE-SE! CALE-SE! CALE-SE!”, ouviam-se os altos brados ecoando na névoa. Ou seria “cálice”, como na música?
Será que nada mudou?
Será que é tudo isso em vão?
BUM. BUM. BUM. Tiros e explosões. Quem conseguia correr, corria. Quem conseguia se esconder, se escondia. Quem não conseguia, morria.
Por dentro.
A dor, a humilhação, os gritos. Os sonhos consumidos, as mãos engessadas, a voz calada.
Mas a dor, a dor você pode usar de duas maneiras: contra ou a favor. Você pode chorar e você pode enxugar as lágrimas. A dor na verdade é sua amiga. Uma aliada à coragem, aos sonhos e à esperança.
Não importa o tempo que for. O tempo é infinito e a vontade também. Não é possível impedir que as ideias floresçam, cultivando os sonhos.
E mais uma vez a névoa se dissipa, as lágrimas secam, o céu se torna negro. E quando o céu clarear será também um novo dia, com um novo sol e novas esperanças.
E o grito será ouvido.



Nota da autora: Peço desculpas por esse conto não ser de terror como os que geralmente aparecem aqui. Ele fala de outro horror, aquele do dia-a-dia, o terror que permeia nossas vidas e cerceia nossa vontade, nosso progresso, nossos direitos. Quero deixar bem claro que esse conto é a minha opinião e somente minha, não do blog, não dos estimados colegas escritores. Cada um pode pensar o que quiser, pois essa é verdadeira beleza das ideias: elas pertencem a cada um de nós.

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